<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042</id><updated>2012-01-03T13:02:48.568-08:00</updated><title type='text'>Blog do Lulu 2.0</title><subtitle type='html'>Continuo, insisto, quero é que você se divirta. Leia, passe uns bons bocados e volte sempre. 
A idéia é exatamente a mesma. O jeito é que mudou um pouco. 
Há mais de um ano e meio era apenas uma experiência. Hoje, o blog é um espaço para o qual convido e onde recebo, com muito prazer, amigos queridos e alguns bem-vindos bicões. 
Conceitos mudaram. O visual mudou. As formas e as cores também são outras, mas a essência não. Aqui, a palavra de ordem  ainda é diversão.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdolulu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>65</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-4596822594938424305</id><published>2010-11-18T09:52:00.001-08:00</published><updated>2010-11-18T09:52:49.242-08:00</updated><title type='text'>Curto &amp; Grosso.</title><content type='html'>- Cássia, pede o café e a conta.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- O café! Pede um café curto, a conta e vamos embora.&lt;br /&gt;- Eu? Eu não... Isso é coisa de homem, Rodolfo!&lt;br /&gt;- Pô, não enrola vai... Eu vou ficar aqui com o braço levantado horas, parecendo um menino pedindo para ir ao banheiro, o garçom vai fingir que não me vê. Eu vou acabar irritado, vai dar encrenca, não vou querer pagar porcaria de dez por cento para ninguém... Você sabe como é que funciona... Por favor, não complica, levanta o braço, dá um sorrisinho, que o cara vem correndo.&lt;br /&gt;- Amore, você tá com medo de se sentir rejeitado?! Não fica assim, não... Não pode! Rodolfo, você tem que fazer alguma coisa, tem que superar isso, reagir... Voltar para terapia ia te fazer tão bem.&lt;br /&gt;- Cássia, esse papo de novo não! Por favor, uma vez na vida, faz o que eu tô pedindo sem discutir nem reclamar: pelo amor de Deus, pede o café e a conta.&lt;br /&gt;- Ôh amore, a gente não pode generalizar, não é só porque o seu sócio resolveu se separar e vocês quase faliram e porque minha irmã mais velha resolveu montar uma banda cover do Village People; não é só por causa disso que terapia não resolve, não presta... É que coincidiu. Verdade que foram próximas e terríveis, mas meras coincidências! Eu por exemplo: estou ótima! E a mamãe, então... Você viu como ela melhorou? E olha que o papai se mandou com a mulher do psiquiatra dela!&lt;br /&gt;- Garçom, por favor: um café curto e a conta!&lt;br /&gt;- Rodolfo, o que é isso? Fala baixo… Tá todo mundo olhando!&lt;br /&gt;- Todo mundo menos o infeliz do garçom.&lt;br /&gt;Falou e começou a adejar os braços como o náufrago que tenta chamar a atenção da nau distante.&lt;br /&gt;- Garçom, eu, olha aqui, ó… Olhou heim?! Finalmente… Então, o café e a conta… Café curto, por favor… E rápido! Expresso, sabe qual é? Aquele que sai rapidinho...&lt;br /&gt;- Rodolfff...&lt;br /&gt;- Eu te avisei!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-4596822594938424305?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4596822594938424305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4596822594938424305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2010/11/curto-grosso.html' title='Curto &amp; Grosso.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-7103198106473988230</id><published>2009-10-31T07:37:00.001-07:00</published><updated>2009-10-31T07:37:41.143-07:00</updated><title type='text'>Amigo é para cada coisa.</title><content type='html'>Três horas e dezoito minutos apontava o relógio quando o interfone tocou.&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Alô, aquele amigo do senhor tá aqui embaixo.&lt;br /&gt;- Fala pra ele subir.&lt;br /&gt;- Ele não quer, disse que é pro senhor descer.&lt;br /&gt;- Mas são mais de três da manhã?!&lt;br /&gt;- Eu acho melhor o senhor descer. O homem não tá bom não.&lt;br /&gt;- Pede pra ele esperar.&lt;br /&gt;Calça, camisa, sapato, cadê a chave da porta? Aqui, achei. Carteira e chave do carro... Não, não precisa. Chama o elevador. Tranca a porta. Cadê a chave? Achei - desceu apressado.&lt;br /&gt;- O que você tá fazendo aqui à essa hora?&lt;br /&gt;- Ela foi embora.&lt;br /&gt;- Ah, é isso! Mais cedo ou mais tarde ela ia mesmo, cansou de te avisar.&lt;br /&gt;- Mas ela foi mesmo, se mandou. Avisar, falar, esbravejar, chorar é uma coisa; coisa de mulher. Já ir embora, se mandar é completamente diferente.&lt;br /&gt;- Cara, você passou anos e anos aprontando, nunca deu bola pra isso, sempre disse: o dia em que acontecer, acontecido estará. E todo mundo falando, avisando, dizendo que as coisas não são bem assim.&lt;br /&gt;- Nada disso justifica a destrambelhada, a maluca, a desvairada, levar minha filha, minha menina pra casa da jararaca da mãe dela. Jararaca é pouco, pra casa daquela víbora.&lt;br /&gt;- Você queria que ela fizesse o quê? Deixasse a menina sozinha, te esperando chegar da farra...&lt;br /&gt;- Mas eu sempre cheguei.&lt;br /&gt;- O problema sempre foi de onde, a que horas e o estado.&lt;br /&gt;- Besteira.&lt;br /&gt;- Para você. Quisesse ficar na noite, tivesse ficado solteiro, que nem eu.&lt;br /&gt;- Quê foi, heim?! Tá do lado dela, é?!&lt;br /&gt;- Não, só tô tentando fazer você entender que pisou na bola, passou da conta, abusou.&lt;br /&gt;- Mas foi só um pouquinho… Pô, ela me deixou, eu tô tristão.&lt;br /&gt;- Não tô falando de hoje, tô falando de uma vida.&lt;br /&gt;- Cara... Você tem a maior paciência comigo, né?&lt;br /&gt;- Há muitos anos.&lt;br /&gt;- Você é um amigão. É meu melhor amigo.&lt;br /&gt;- Pára com isso, vai.&lt;br /&gt;- Dá um abraço.&lt;br /&gt;- Sai para lá.&lt;br /&gt;- Tá vendo? Todo mundo me rejeita, ninguém gosta de mim.&lt;br /&gt;- Ai caramba!&lt;br /&gt;- Me dá um abraço vai, de amigo. Tô tão carente!&lt;br /&gt;- São quase quatro da manhã e eu vou ficar aqui, abraçando homem na porta da minha casa?! Tô fora.&lt;br /&gt;- Pô, mas é abraço de amigo, de irmão, por favor.&lt;br /&gt;- Vamos lá pra cima, você toma mais uma para esquecer e dorme. Amanhã é outro dia, quer dizer, hoje. Hoje já é outro dia.&lt;br /&gt;- Mas antes eu quero um abraço.&lt;br /&gt;- Pára com isso.&lt;br /&gt;- É pra ter certeza.&lt;br /&gt;- Certeza de quê?&lt;br /&gt;- De que você é meu amigo de verdade mesmo. De que não tá fazendo isso só por piedade.&lt;br /&gt;- Meu irmão, deixa de frescura e vamos subir logo.&lt;br /&gt;- Primeiro me dá um abraço.&lt;br /&gt;- Tá bom vai, vem cá.&lt;br /&gt;Neste exato momento, a rapaziada que volta da balada passa de carro, põe a cabeça para fora da janela e grita em coro.&lt;br /&gt;- Aí, boiola! Beija, beija, beija!&lt;br /&gt;- Viu que puta vexame? Tá feliz agora?&lt;br /&gt;- Agora tô.&lt;br /&gt;- Vai, entra logo, vamos subir.&lt;br /&gt;- Cara, eu acho que te amo.&lt;br /&gt;- Cala essa boca!&lt;br /&gt;Roupa de cama, lençol, cobertor, travesseiro, onde será que tem travesseiro? Travesseiro, travesseiro, travesseiro, aqui, achei! Falta alguma coisa… Ah, que se dane – discutiu com ele.&lt;br /&gt;- Toma, deita aí no sofá e vê se me deixa dormir.&lt;br /&gt;- Dá um beijo de boa noite...&lt;br /&gt;- Ora rapaz, vai te catar...&lt;br /&gt;- Já tá parecendo minha mulher, me põe pra dormir no sofá e não dá nem boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-7103198106473988230?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7103198106473988230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7103198106473988230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/10/amigo-e-para-cada-coisa.html' title='Amigo é para cada coisa.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-7296440751423391805</id><published>2009-09-30T13:17:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T13:18:04.826-07:00</updated><title type='text'>A Ladra.</title><content type='html'>Antes mesmo do verbo, a prosa era em verso. Assim fez-se a poesia que entusiasma a moça e a faz se apurar ao receber o presente. Não pelo que a caixa contém e sim pelo conteúdo do cartão. Um Neruda, um Pessoa, um Drummond, um Lorca, um Alberti, um Vinicius, Clarice, Coralina ou um trecho de Chico, não importa, a estrofe surrupiada é passada para frente pela cotação do original.&lt;br /&gt;Amiga do rapaz enamorado, mulher belíssima de cabelos longos, olhos ferinos e andar de passarela, a moça é também amiga dos livros. Declina-se em afeto por cada um deles. Apreço que não nutre pelos autores dos mesmos. A esses considera apenas instrumentos, e muitas vezes mal antepostos, que seguem a própria escrita, se perdem em um rebojo de desilusões e acabam por não honrar, ao menos em vida, tamanha graça.&lt;br /&gt;Gente a quem agrada o rude do sofrimento e da desesperança, que denuncia a aridez da espera diante do que amamos em segredo, que tem propensão para o desengano e admiração pelo crepúsculo. Um bando de traídos e ultrajados, abismo abstrato de fantasias que a tristeza domina com mãos de ferro.&lt;br /&gt;O poder de escolher palavras como se fossem pérolas e colocá-las uma ante a outra, transformando o que até então não era nada em preciosidades de valor incalculável, tal dom, não se pode, ou não se deveria dadivar àqueles de vidas avessas, beberrões, viciados, muitas vezes de conflitantes e duvidosas crenças e preferências.&lt;br /&gt;Definitivamente não! Até para a licença poética deve haver limites. A esmagadora maioria não merece tamanha divícia.&lt;br /&gt;Diz ela saber mais da arte de poetar do que qualquer um deles e que roubar-lhes é sua doce vingança. Afirma e reitera, sempre quando possível, que poetas de verdade são aqueles que vendem o que escrevem. E não uns e outros que escrevem só o que vende.&lt;br /&gt;Na ponta da língua está também o ponto final para qualquer turra ética ou duelo moralista:&lt;br /&gt;- O poeta é apenas um meio de ver. Quem a ele confere a habilidade de enxergar aquilo que os outros não vêem sou eu,&lt;br /&gt;a Rima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-7296440751423391805?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7296440751423391805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7296440751423391805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/09/ladra.html' title='A Ladra.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-5260980369691171477</id><published>2009-08-31T15:37:00.000-07:00</published><updated>2010-07-28T16:28:14.512-07:00</updated><title type='text'>O Bem da Verdade.</title><content type='html'>Já não sabia mais para onde correr, o que dizer e muito menos o que ou como fazer. Sua vida se convertera em um ciclo vicioso do qual não conseguia se desvencilhar.&lt;br /&gt;Muito daquilo em que acreditava já havia se provado quimérico. De seu tempo não era mais dono, de sua vontade não era mais senhor.&lt;br /&gt;Entre amores frustrados, rancores e outras dores, escolheu a reclusão. Buscava em si mesmo e na pura observação do alheio, respostas para tantas perguntas mal formuladas, que não dividia com ninguém, que talvez só interessassem a ele mesmo.&lt;br /&gt;Dúvidas existenciais, questões pessoais e distúrbios emocionais alimentavam a impiedosa e envolvente melancolia, que o abraçava sorrateiramente enquanto ele vasculhava a memória, fuçava seu baú de lembranças, procurava a ponta do apertado nó que se lhe havia atado e tomado o lugar da garganta.&lt;br /&gt;Logo ele que até há pouco era tido como a alegria da turma, o piadista, aquele que sempre sacava mais rápido, que dispunha da imperial coragem e do desprendimento necessário para capitanear as armações que seus colegas idealizavam.&lt;br /&gt;Ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo e nem se atrevia a perguntar. A verdade, nesse caso, não parecia capaz de fazer bem a ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-5260980369691171477?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/5260980369691171477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/5260980369691171477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/08/o-bem-da-verdade.html' title='O Bem da Verdade.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-658094441882731627</id><published>2009-07-23T13:32:00.000-07:00</published><updated>2009-07-25T10:44:57.696-07:00</updated><title type='text'>Entre o dever e a necessidade.</title><content type='html'>Quantas não eram as situações indesejáveis pelas quais já havia passado. Incontáveis para ele que preferia não contabilizá-las a ter a absoluta certeza de que sempre saíra no prejuízo. &lt;br /&gt;Talvez fosse essa a única forma de autopreservação possível. &lt;br /&gt;Extensa e de aparência intransponível também era a distância que o separava de tudo aquilo com que tanto havia sonhado para si, de bom e de ruim.&lt;br /&gt;Uma vida rápida seguida por uma morte breve – live fast, die young - algo assim estava programado para caso os seus sonhos de grandeza se provassem de árdua e improvável realização, como de fato aconteceu. &lt;br /&gt;Mas, não foi só a vida que lhe fugiu ao controle. Ao trair aquelas que eram suas derradeiras convicções, a morte também escapou do seu raio de ação.&lt;br /&gt;Há de se ter alguma honra, de se preservar algo de digno até para ser um suicida, figurar no seleto clube do qual fazem parte personagens históricos, celebridades e festejadas personalidades. &lt;br /&gt;Uma confraria que não aceita qualquer um como sócio. É destinada apenas aqueles que amam a vida de maneira tão desesperada, que são incapazes de praticá-la limitados pelo castrador sentimento que é a insatisfação. &lt;br /&gt;Castigo para almas banidas, lôbrega masmorra existencial é a equação que envolve tempo, espaço, determina e se interpõe entre o dever e a necessidade. &lt;br /&gt;Lugar onde homens cheios de si choram feito meninos. Assassinos seriais sofrem de terror noturno. Condenados à morte agradecem, dão graças e elevam as mãos ao céu. &lt;br /&gt;Campo minado onde é travada a guerra entre o hábito, esse algoz que nos faz achar normais situações as quais jamais suportaríamos. E a dignidade, que tenta a todo custo não se deixar perder. Território tantas vezes tomado e ocupado. Terreno arrevesado e cabalístico que dizem um dia ter estado também entre a cruz e a espada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-658094441882731627?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/658094441882731627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/658094441882731627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/07/entre-o-dever-e-necessidade.html' title='Entre o dever e a necessidade.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-6614524604918234347</id><published>2009-06-15T17:51:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T18:01:39.063-07:00</updated><title type='text'>Dependentes.</title><content type='html'>- Olá, boa noite! Quer dizer: bom dia a todos. Meu nome é Dirceu e eu sou alcoólatra.&lt;br /&gt;- Oi, meu nome é Roberta. Eu sou pedagoga e viciada em remédios. &lt;br /&gt;- Diz aí galera! Meu nome é Douglas, sou apresentador de TV e dependente químico.&lt;br /&gt;- Então gente boa, eu sou o Zé. Liberal, naturista, só vim parar aqui por que inventaram que estou viciado em umas ervas aí. &lt;br /&gt;- Independência ou morte! Eu sou Dom Pedro I.&lt;br /&gt;- Ôh meu camarada, tu tá na sala errada. A dos malucos é no final do corredor. Aquela ali, ó… Tá vendo o Napoleão lá na porta?!&lt;br /&gt;- Mas vocês não são todos doidões?&lt;br /&gt;- Verdade, a gente é sim! Mas tá aqui… Tentando melhorar, se livrar do vício. É difícil. A parada é dura e o processo, lento.&lt;br /&gt;- Eu sei bem como é isso: independência ou morte!&lt;br /&gt;- Mas acho que o seu caso não é bem esse não.&lt;br /&gt;- Como não?! Você mesmo acabou de me chamar de maluco e dizer que aqui é a sala dos doidões.&lt;br /&gt;- Mas é outro tipo de maluquice.&lt;br /&gt;- Opa! Isso é discriminação, crime federal e inafiançável. Aos olhos da lei, maluco é tudo igual e acabou, ponto final.&lt;br /&gt;- É, sob esse ponto de vista, o amigo até que tem lá seu quinhão de razão.&lt;br /&gt;- Razão?... Um cara que acha que é Dom Pedro Primeiro tem razão agora?&lt;br /&gt;- E você?! Quem tá pensando que é  para falar comigo desse jeito?&lt;br /&gt;- Eu?! Eu sou o cara que vai quebrar...&lt;br /&gt;- Para, para tudo. Você quer saber quem ele é de verdade ou quem ele pensa que é? Porque são duas coisas totalmente diferentes: uma é a realidade e outra, o personagem. &lt;br /&gt;- Xi meu amigo, acho que você também tá em sala errada. Vocês tão vendo aquele cara ali de camisolão, sandálias, barba e cabelos compridos? Então, por que os dois não vão até ali trocar uma idéia com ele? Só vai fazer bem, podem confiar em mim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-6614524604918234347?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/6614524604918234347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/6614524604918234347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/06/dependentes.html' title='Dependentes.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-4576918546589514944</id><published>2009-03-31T07:25:00.001-07:00</published><updated>2009-04-01T12:17:27.191-07:00</updated><title type='text'>Que língua é essa?</title><content type='html'>Profissional respeitado no mundo das letras, alto executivo de uma conceituada editora, o homem andava mordido de preocupação. &lt;br /&gt;A tal Reforma Ortográfica, tão desacreditada por ele, saiu e já estava gerando custos extras, despesas essas cuja tendência de crescimento era clara e certa.&lt;br /&gt;De lá para cá e de cá para lá, andava em busca de um vislumbre, de um achado para compensar os gastos gerados pela Nova Ortografia - quem diria - pensava com desdém. &lt;br /&gt;Resolveu fazer como há muito não fazia. Sair simplesmente para ver quem andava por lá. Observar a vida alheia pode ser um bom remédio para quando se tem essa espécie de bloqueio, esse embargo que o cérebro e a lucidez declaram aos nossos pensamentos. &lt;br /&gt;Traçou uma estratégia segura. Ir ao mesmo bar, sentar-se à mesma mesa, falar com o mesmo garçom e assim encontrar uma zona confortável, de onde pudesse observar o comportamento da turma, ou galera, como agora o pessoal diz.&lt;br /&gt;Chegou ao lugar que um dia foi o de sempre e que não parecia ser o mesmo. Também não encontrou Índio, o bom homem de traços fortes e distintos que por anos o serviu. Mas sua mesa continuava lá, bem posicionada. Chamou pelo vinho da casa, que, para sua surpresa, também continuava sendo o mesmo. &lt;br /&gt;Dos antigos amigos e assíduos frenquentadores, ninguém deu as caras. O que lhe chamou a atenção e provocou sua curiosidade foram as turmas e os casais de jovens que chegavam. Todos pareciam muito animados, ou já embalados, como antigamente a moçada dizia.&lt;br /&gt;Quando um dos casais sentou-se à mesa de número quinze, logo ao lado da sua, ele vibrou. Dali, daquela posição, conseguia ver quem entrava e saía da casa e ainda ouvir bem as conversas que se desenrolavam ao seu redor. Pediu mais uma taça e tratou de aguçar os sentidos.&lt;br /&gt;Logo, um amigo deles chegou e sentou-se:&lt;br /&gt;- E então Joe, belê?&lt;br /&gt;- Tudo firmê, Joe!&lt;br /&gt;- E lá?&lt;br /&gt;- Suave!&lt;br /&gt;- Somente... E a parada, rolou?&lt;br /&gt;- Qual delas? Qual das paradas?&lt;br /&gt;- Aquela do Jordão, tá ligado?!&lt;br /&gt;- Só tô, mas nem sei. A parada do Thiago tá pra rolar.&lt;br /&gt;- Será? Tão falando dessa parada aí faz a maior cara e nada!&lt;br /&gt;- Mas parece que agora vai. O auê já tá em pé... Dessa vez alguma coisa deve virar.&lt;br /&gt;Resolveu pedir mais uma e continuar a seguir o papo. Hora ou outra ele haveria de pegar o fio da meada. &lt;br /&gt;- E aquela outra parada lá, no que deu?&lt;br /&gt;- Qual delas? Qual das paradas?&lt;br /&gt;- Aquela mais sinistra?&lt;br /&gt;- Ah, morreu.&lt;br /&gt;- E ficou por isso mesmo?&lt;br /&gt;- Suave!&lt;br /&gt;- Somente... Bom meu velho, tô dando linha.&lt;br /&gt;- Segura a onda aí, tá cedo ainda. &lt;br /&gt;- Posso não, tenho umas paradas pra ver.&lt;br /&gt;- Então firmê! Na madrú, entra lá pra gente tecê, quero te contar uma fita que rolou aí.&lt;br /&gt;- Se pá... Cola lá no pico mais tarde, ôh!&lt;br /&gt;- Nem vai rolar, Joe.&lt;br /&gt;- Belê então, Joe... Até mais!&lt;br /&gt;Apressou-se em pedir e pagar a conta. Reagiu prontamente ao impulso de seguir o rapaz. Tinha que descobrir do que se tratava, do que eles estavam falando. &lt;br /&gt;Saiu tarde demais, o jovem havia desaparecido noite à dentro. &lt;br /&gt;Durante o caminho de volta, decidiu lançar o Dicionário de Sinônimos e Expressões Idiomáticas mais completo que já fora editado em toda a América Latina. Dali para frente, passou também a defender a necessidade premente de se fazer uma ampla e cuidadosa revisão em nosso atual Sistema Fonético.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-4576918546589514944?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4576918546589514944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4576918546589514944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/03/que-lingua-e-essa.html' title='Que língua é essa?'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-5851866712437982964</id><published>2009-02-04T05:11:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T11:22:07.640-08:00</updated><title type='text'>Quando a Forma faz a festa.</title><content type='html'>- Até que enfim chegou.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- O dia da nossa trégua, ué?! Eu já não aguentava mais nadar contra a corrente.&lt;br /&gt;- A coisa não é bem assim não senhor.&lt;br /&gt;- Os caminhos para tempos onde eu e você teremos a mesma importância estão abertos, prontos a serem trilhados. Agora, receberemos a mesma atenção e a nós será dada equivalente importância. Eu serei tão essencial para você como você é para mim. É a Era do Equilíbrio que se anuncia. &lt;br /&gt;- Duvide-ó-dó!&lt;br /&gt;- Mas por quê? &lt;br /&gt;- Porque você é sem graça. Conteúdo é complexo, cheio de incucações… Já a Forma, que sou eu, é assim: livre, leve e solta, como todo mundo gostaria de ser.&lt;br /&gt;- Mas você sabe o quanto isso pode ser perigoso.&lt;br /&gt;- Perigoso por perigoso... Perigoso mesmo é estar vivo.&lt;br /&gt;- Mas e a banalização?...&lt;br /&gt;- Também tem o superaquecimento, a crise mundial... Tudo isso aí é o de menos.&lt;br /&gt;- Crises, guerras, escassez de recursos naturais, e todos os problemas que afligem a humanidade não significam absolutamente nada. É isso que você está se atrevendo a me dizer?&lt;br /&gt;- Ora, não somos nós que vamos resolver. Até porque não fomos nós que criamos essas coisas, não é verdade? E... Não me leve a mal não, mas é carnaval, faça-me o favor!&lt;br /&gt;- Não somos culpados, mas podemos ter contribuído, mesmo que sem querer. A falta de conteúdo, muitas vezes, redunda em agressividade, intolerância, ódio, violência, contra tudo e todos.&lt;br /&gt;- Que saco, tu é um porre, heim... Porre não que de vez em quando é divertido. Tu é a maior ressaca, rapaz! Se solta um pouco, relaxa, abre essa camisa, arregaça a gravata: “Don‘t Worry. Have Fun.”&lt;br /&gt;- Não fale em inglês. Esse vício não é nada legal. Atrapalha o aprendizado e distorce a linguagem. Não viu o caso do gerundismo, não? Tudo por causa do inglês... E é “Be Happy”, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Não fale em inglês.&lt;br /&gt;- Não! O que você disse depois?&lt;br /&gt;- O refrão.&lt;br /&gt;- O que tem o refrão, meu santo sacrifício?&lt;br /&gt;- O refrão da música diz: “Be Happy”. E não “Have Fun”. &lt;br /&gt;“Don‘t Worry. Be Happy”. É assim!&lt;br /&gt;- Para, pelo amor de Deus! Você não viu?! O mundo agora é  do Obama. Falar inglês tá na moda. “Have Fun” ou “Be Happy”, tanto faz, todo mundo entende. Só você que parece que não entende coisa nenhuma, e tem mais: nunca se produziu tanto conteúdo, o senhor não tem do que reclamar.&lt;br /&gt;- Virgem Maria, mãe de Deus… Mas o que é isso, Santo Pai?&lt;br /&gt;- É minha fantasia. Já tô me preparando pro carnaval.&lt;br /&gt;- Isto aí é pena de animal mesmo? Que estava vivo?! E essas pedras: são brasileiras? E semipreciosas?&lt;br /&gt;- Não é fantástica.&lt;br /&gt;- Um escândalo!&lt;br /&gt;- Sabia que até você ia adorar.&lt;br /&gt;- E aí atrás não tem nada, não? Não tá faltando um pedaço? &lt;br /&gt;- É assim mesmo: a Forma pode... Que-ri-do!  &lt;br /&gt;- Bom, e qual é o enredo? Está fantasiada de quê?&lt;br /&gt;- E lá sei eu! Já vem você complicar as coisas.&lt;br /&gt;- A letra do samba, você sabe?&lt;br /&gt;- Diz alguma coisa sobre a colonização:- “O homem branco chegou, ô, ô / O nosso colonizadô...”. Fala do mar e da avenida também:- "E foi na Sapucaí / Do mar até a Sapucaí... ia, ia". E por aí vai.&lt;br /&gt;- Como assim: o que diz? É histórico então?&lt;br /&gt;- Acho que  sim. Fala de um monte de coisas. A Escola tá linda de morrer. Este ano não tem para ninguém! &lt;br /&gt;- Mas como você pode dizer isso se nem sequer sabe do que se trata?&lt;br /&gt;- Eu sinto, meu caro! E pressinto... Puro instinto, ou na língua do meu negão, o Obama: “Feeling”. A Forma sempre vence. Você é muito complicado. O pessoal tem que ficar pensando, raciocinando, conjecturando e isso tudo dá um trabalho danado.&lt;br /&gt;- Eu sou o quê?! Como assim: complicado… O que você está querendo dizer com isso?&lt;br /&gt;- Nada, nada não… Nem tá mais aqui quem falou! Tchau, fui pro ensaio.&lt;br /&gt;- Nã-nãni-nã-não, pode voltar aqui... Ei, volta aqui já ou não vai ter trégua nenhuma.&lt;br /&gt;- Tudo bem! Esses assuntos é sempre você que resolve mesmo. &lt;br /&gt;- Xi, olha lá… Não é que a danada foi mesmo. E depois eu é quem sou complicado... Eu não sou complicado coisa nenhuma. Ou será que sou? Talvez só um pouco. Ah, ela não sabe de nada! Essa mulher só me dá dor de cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-5851866712437982964?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/5851866712437982964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/5851866712437982964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/02/quando-forma-faz-festa.html' title='Quando a Forma faz a festa.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-3104976479897376889</id><published>2009-01-18T13:33:00.000-08:00</published><updated>2009-01-24T19:50:15.214-08:00</updated><title type='text'>Redação de Férias.</title><content type='html'>Depois de tomar emprestada a força do gigante, o menino ergue seu grandioso castelo de areia e o cerca com muralhas cravejadas de pedras e conchas. Perfiladas e de prontidão, ficam em guarda as estrelas do mar.&lt;br /&gt;Ele mergulha, saúda Netuno e sai em missão. Volta à base e encontra o astronauta pronto para a partida.&lt;br /&gt;As ciências não representam mais ameaça e a matemática não lhe rouba mais o tempo. Conhece toda a geografia de que precisa; e a história ele é quem faz.&lt;br /&gt;No quintal, o balanço e a gangorra são a plataforma de lançamento para o inesperado.&lt;br /&gt;A vizinha chega a galope. Amazona encantada que aparece montada em seu cavalo alado. Em vez de asas, rodinhas de apoio que lhe servem de guardiãs e escolta.&lt;br /&gt;Ela para, apeia e caminha em direção ao menino. Sabe de cor o atalho que conduz direto ao seu coração. É guiada pela flecha do estúpido do cupido que o atinge pela primeira vez. Ele perde a fala, o fôlego e tudo à sua volta parece calar. Só para ela tem olhos e ouvidos. Contrariando o conto, aqui quem desperta é o príncipe.&lt;br /&gt;Em um passe, o mágico tira da cartola o indesvendável véu da noite. Faz o céu escurecer, a lua brotar cheia e fluorescente, e as constelações estrelarem.&lt;br /&gt;Uniformizada, chega a moça que traz a mensagem. A menina atende ao chamado da mãe e volta para o condomínio, que tem nome de palácio, onde os pais a esperam. Já passou da hora. Nada mais ele pode fazer. &lt;br /&gt;Os brinquedos abandonados, sem movimento nem vida, lhe apresentam a até então desconhecida solidão como companhia.&lt;br /&gt;Tenta, mas não resiste. Entrega-se ao sofá. Os policiais e os bandidos do seriado assistem ao corpo que, cansado, se desarma, perde a arquitetura e deixa que os sonhos o carreguem até a cama, porque daqui a pouco tem mais.&lt;br /&gt;Amanhã é outro dia de férias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-3104976479897376889?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3104976479897376889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3104976479897376889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2009/01/redao-de-frias.html' title='Redação de Férias.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-3346239963668899057</id><published>2008-12-31T10:40:00.000-08:00</published><updated>2009-01-15T03:47:14.621-08:00</updated><title type='text'>Rascunho.</title><content type='html'>Encerradas as formalidades, passadas as festas e mantidas as mesmas promessas não cumpridas feitas nos anos anteriores, seu despertar é morfinômano. Tudo parece girar, por um instante sente como se a terra rodasse sob seus pés. É atacado por uma vertigem que o atira ao chão, mas o que machuca é o fato de que não há aí nada de inesperado. &lt;br /&gt;Assusta-se com a idéia de que não pode mais ser surpreendido. Pensa em quantos anos ainda vão terminar e recomeçar da mesma maneira.&lt;br /&gt;Considera que, nas últimas quatro décadas, o mundo atravessou o que parece ser um rito de passagem, como é a adolescência, época em que não se é mais jovem o bastante para crer-se dono da razão, porém ainda não se é velho o suficiente para repensar verdades próprias, compreender a filosofia que só a experiência é capaz de ensinar.&lt;br /&gt;Lembra-se de que há duas gerações, na noite de 31 de março de 1968, o único afro-americano que, até então, ameaçara se candidatar à presidência dos EUA, Martin Luther King, fora assassinado. Já em janeiro do ano que começa, Barack Obama assumirá o cargo de presidente da república estadounidense. &lt;br /&gt;A partir daí, o homem mais poderoso do mundo será negro. &lt;br /&gt;O sonho de King parecerá ter amadurecido e se convertido em realidade: o mundo nunca mais será visto em preto ou branco.&lt;br /&gt;Imagina que diante tal acontecimento alguns cristãos poderão se tornar ateus; agnósticos deverão aderir a seitas; incrédulos começarão a torcer para que discos voadores os resgatem; e em último e extremo caso, todos poderão apelar à mais alta sabedoria contemporânea: os livros de auto-ajuda.&lt;br /&gt;Mesmo parecendo um ano mais maduro, no fundo, no fundo ele sabe que continuará tentando solucionar problemas e achar repostas de dúvidas passadas ou futuras, para que assim possa esquecer, por algum tempo, as que estão por aí, que batem em sua porta dia a dia. &lt;br /&gt;Ao que tudo indica, e há evidências que comprovam, permanecerá esperando, tal e qual criança mimada, que o tempo dê conta e desapareça com as questões do presente.&lt;br /&gt;De última hora, busca algo que o faça reunir forças, levantar e seguir. Pensa que nesta história sem moral nem sentido, na chamada vida de cada um, ainda resta a expectativa de que o fim seja um recomeço, uma nova chance de passar certas coisas a limpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-3346239963668899057?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3346239963668899057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3346239963668899057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/12/rascunho.html' title='Rascunho.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-2976534241706206947</id><published>2008-11-11T14:50:00.001-08:00</published><updated>2008-11-12T16:09:52.876-08:00</updated><title type='text'>Papo de Crocodilo.</title><content type='html'>Quando viu a bela garota sentada na praça, toda de branco, sozinha e chorando, o malandro não se conteve.&lt;br /&gt;- Posso sentar-me ao seu lado?&lt;br /&gt;Ela consentiu com um desinteressado chacoalhar de ombros e começou a enxugar as lágrimas.&lt;br /&gt;- Eu nunca chorei.&lt;br /&gt;Ela reagiu num lampejo.&lt;br /&gt;- Impossível!&lt;br /&gt;- Nunca mesmo, de verdade...&lt;br /&gt;- Quer dizer que você nunca teve o coração partido, um ente querido perdido, um surto de raiva, depressão, desilusão?&lt;br /&gt;- Já! Mas nem por isso chorei.&lt;br /&gt;- Tem alguma coisa errada aí, como pode?! Essa história de que homem não chora é uma tremenda besteira. O meu ex, por exemplo, virava e mexia chorava: de tristeza, de alegria, de emoção, de raiva.&lt;br /&gt;- Por isso que é ex...&lt;br /&gt;- Não, não é por isso! Mas deixa pra lá... Fale de você, isso deve ter uma razão muito séria.&lt;br /&gt;- O quê? O fato de eu nunca ter chorado?!&lt;br /&gt;- É lógico! Deve ser algum problema glandular, você precisa ir ao endocrinologista.&lt;br /&gt;- Endóqui... O quê?&lt;br /&gt;- O médico especialista em cuidar das glândulas.&lt;br /&gt;- Ná-nãni-ná-não, na minha família quem vai ao médico logo depois pifa, sobe, desencarna!&lt;br /&gt;- Deixa de bobagem, no mínimo isso acontece porque sempre deixam pra última hora.&lt;br /&gt;- Aí, eu já não sei. Mas em médico eu não vou nem amarrado.&lt;br /&gt;- E se eu te levar?&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Se eu marcar horário em um endócrino, que é muito amigo meu, e levar  você até lá... Topa fazer uma consulta?&lt;br /&gt;- Você faria isso por mim, um mero desconhecido?&lt;br /&gt;- Faria!&lt;br /&gt;- Jura?!&lt;br /&gt;- Eu marco o dia, a hora, te ligo e a gente combina. Vou levar você ao doutor Matheus.&lt;br /&gt;- Acho que antes eu tenho que te contar uma coisa.&lt;br /&gt;- Diz, me conta para eu poder te ajudar.&lt;br /&gt;- É que eu... Eu já chorei muito uma vez. Foi quando me abandonaram. Eu era pequeno e chorei tanto, tanto que minhas lágrimas acho que secaram.&lt;br /&gt;- Isso é clinicamente impossível! O que aconteceu é que você bloqueou suas emoções. É comum em casos agudos, quando a pessoa passa por um sofrimento muito forte sem que esteja emocionalmente madura. O psicológico não segura a onda e, &lt;br /&gt;mais tarde, o trauma se manifesta fisicamente, como se fosse uma ferida, só que emocional.&lt;br /&gt;- Você entende dessas coisas?&lt;br /&gt;- Eu sou psicóloga. Vou marcar uma hora pra você. &lt;br /&gt;Ela sacou o PDA da bolsa e sentenciou.&lt;br /&gt;- Sexta às 16! Toma aqui meu cartão e o número do meu celular. Este é o do meu consultório e no verso vou anotar o telefone da minha casa. Ah, e pode ligar a qualquer hora... &lt;br /&gt;Agora, eu tenho que voltar pro trabalho. Então, te espero na sexta?...&lt;br /&gt;- Sem falta! &lt;br /&gt;Respondeu já em tom perverso e com o olhar marejado de malícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-2976534241706206947?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2976534241706206947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2976534241706206947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/11/o-choro-do-crocodilo.html' title='Papo de Crocodilo.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-377606456698660069</id><published>2008-10-19T13:23:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T12:53:41.830-07:00</updated><title type='text'>Carta Marcada.</title><content type='html'>Depois de embaralhar realidade e fantasia com os poucos curingas que oferece o baralho da existência, o destino lhe serviu a pior mão que se pode ter na mesa desta vida. Onde o jogo não tem hora para começar e as regras mudam no decorrer do período. Em que a única certeza que se tem é a de que um dia, em hora pré-determinada ou não, acabará. &lt;br /&gt;Sem cacife ou qualquer outra coisa que pudesse apostar, porejava em desespero. Estava cada vez mais nervoso, alarmado e não podia deixar que ninguém percebesse. &lt;br /&gt;Pensou em blefar e seguir no jogo, como viu tanta gente fazer e se dar bem. Teve sujeito que até enricar, enricou. Mas sua boca não permitia. Com os olhos, depois de várias sessões de treino diante do espelho, ele agora podia mentir. O problema eram os lábios que tremiam. &lt;br /&gt;Parecia que, vinda de seu subconsciente, lhe sitiava uma inclemente vontade dizer a verdade, nada mais do que a verdade, desejo que se esforçava e continha entredentes. Seu rosto enrubescia, se contorcia e logo lhe atacava uma tosse dos diabos. Tique que usou para ganhar tempo e tentar se acalmar. Reclamou da fumaça, da idade que avançava e deixava seqüelas, mas ninguém lhe deu a menor atenção. Todos olhavam fixamente para as cartas que tinham em mãos. &lt;br /&gt;Simular um ataque cardíaco. Simplesmente sair correndo sem olhar para trás. Suicidar-se ali mesmo, diante de todos, num ato épico, capaz de despertar compaixão até mesmo naqueles brutos. Ocorria-lhe de tudo, menos uma maneira digna, no mínimo honrosa, de safar-se daquela situação. &lt;br /&gt;Pior que não era a primeira vez. De tempos em tempos a sobrevivência se propunha a lhe pregar uma peça. De quando em vez, fazia coisas sem saber porquê. &lt;br /&gt;Ali, não sabia como tinha ido parar. Vasculhava a mente em busca de alguma lembrança que, por mais vaga que fosse, pudesse disparar o gatilho da memória e trazer à luz os fatos. O que de nada adiantava, pois não fazia mesmo a mínima idéia. &lt;br /&gt;Difícil explicar, mas verdade é que bastava encontrar-se num tremendo aperto e logo algo acontecia que o arrochava ainda mais. Outra vez, arriscara o pescoço sem saber em nome de quem ou do quê. &lt;br /&gt;Fitou novamente suas cartas na esperança de que sua vista o tivesse traído. Nada havia mudado. Foi então invadido pela certeza de que, dali, não sairia vivo. &lt;br /&gt;O tempo se alongava. O ambiente denso e esfumaçado tornava seus pensamentos ainda mais babélicos. &lt;br /&gt;- Eu passo! &lt;br /&gt;Para espanto geral, o homem gordo, mal encarado, gritou e jogou as cartas sobre a mesa. Era ele o dono da casa e não costumava passar uma rodada assim... Sem tentar o blefe ou fazer algo para intimidar os parceiros. &lt;br /&gt;- Para mim não vai dar.&lt;br /&gt;- Eu sigo os companheiros e também passo.&lt;br /&gt;Restavam agora somente ele e mais um. Este era o único que parecia ter algo em que valesse a pena apostar. &lt;br /&gt;Agarrou-se às cartas como se delas dependesse sua própria vida. Encararam um ao outro. O homem se acovardou: &lt;br /&gt;- Eu… Eu… Passo…&lt;br /&gt;Incrédulo, ele cogitou solenizar vitória, mas logo o gordão se encheu e gritou:&lt;br /&gt;- Puta que o pariu, nada mais se faz como antigamente, nem o carteado de domingo. &lt;br /&gt;Esbravejou, tomou o último trago, levantou e saiu andando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-377606456698660069?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/377606456698660069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/377606456698660069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/10/carta-marcada.html' title='Carta Marcada.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-4967477798639559555</id><published>2008-09-16T08:23:00.000-07:00</published><updated>2008-11-04T10:53:17.660-08:00</updated><title type='text'>O Caça-Palavra.</title><content type='html'>- Para ser feliz é necessário o dom da felicidade. Assim como, para virar craque de bola é preciso nascer com os dotes para o futebol, e ao músico é essencial a agudeza, o talento natural para a música. &lt;br /&gt;Ao convencer-se disso, caiu em si. Deu-se conta de que precisava fazer algo. &lt;br /&gt;- Talvez exista uma palavra mágica!&lt;br /&gt;De repente, passou a acreditar na existência de um vocábulo redentor, de fonemas milagrosos. Perguntava-se onde estaria: se entre aquelas antiqüíssimas ou entre as mais recentes, reconhecidas e aceitas ainda outro dia por nossos gramáticos e dicionaristas.&lt;br /&gt;- Será inesperada ou uma dessas que usamos com tão pouco cuidado, quase que vulgarmente? Pode ser que seja uma das perseguidas, muito usada em rimas fáceis. Quem sabe é mais do que uma; um verso inteiro ou um soneto? Não! Pensando bem, há de ser única a tal palavra encantada. &lt;br /&gt;Cismou que ela, sozinha, poderia mudar toda a história, e, por isso mesmo, nunca fora escrita ou pronunciada. &lt;br /&gt;- Pode ser perigosa ou apenas mais uma vítima da crônica falta de diálogo que assola a humanidade. Considerou. &lt;br /&gt;- Será de beber ou de comer? Doce ou amarga? Preocupou-se, pois de palavras alimenta não só a alma, mas também o corpo.  &lt;br /&gt;- Ainda não foi inventada ou será que está perdida? E se ninguém a conhece simplesmente por que jamais foi encontrada? &lt;br /&gt;Ocorreu-lhe a hipótese de que cada um tenha a sua, pessoal e intransferível. Aquela que, quando dita no local certo e na hora exata, traz a tão desejada paz que nos leva até onde é lícito e compreensível afastar-se do mundo, deixar que aquela certa preguiça de viver faça com que os nossos sonhos de inocência se encontrem com a realidade.&lt;br /&gt;- Será de amor ou de ódio? Parece ser ela a única proibida. Às outras, tudo lhes é permitido. É dada plena liberdade até mesmo àquelas mais conhecidas por serem de baixo calão. &lt;br /&gt;Avaliou a possibilidade de que não produza eco nem possa ser ouvida. Também teorizou que a escolhida pode ainda estar inacabada. Imaginou-a como uma sinfonia composta por sílabas em vez de notas musicais. &lt;br /&gt;Sem que percebesse, as palavras que ele não conhecia ganharam muito mais importância do que todas as outras as quais tanto tinha estudado. &lt;br /&gt;- Em que língua será? Latim?! &lt;br /&gt;Foi o primeiro idioma que lhe passou pela cabeça. Mas, logo reconsiderou. Cogitou o grego, o romano e até algum dialeto medieval ou primitivo.&lt;br /&gt;Sua esperança é de que ao encontrar a palavra mágica, descubra os diversos significados de todas as outras, e de que isso o leve a compreender o sentido de sua vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-4967477798639559555?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4967477798639559555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4967477798639559555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/09/o-caa-palavra.html' title='O Caça-Palavra.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-103314172383761481</id><published>2008-08-31T16:06:00.000-07:00</published><updated>2008-09-01T05:32:23.172-07:00</updated><title type='text'>Cartão de Aniversário.</title><content type='html'>Muita gente que veio ao mundo neste, que não termina nunca, gostaria mesmo é de esquecer-se de tudo pelo o que passou. Outros o preservam e o carregam em suas entranhas. É o tal de 1968 que ataca outra vez. &lt;br /&gt;Faz quarenta anos que em Maio de 68 um grito de rebeldia ecoou desde Paris e permanece até hoje entalado no ar. &lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, os EUA eram batidos pelos vietnamitas. Em Liverpool, na Inglaterra, quatro adolescentes reinventavam a música e a moda assumia novo e definitivo papel sócio-comportamental.  &lt;br /&gt;Aqui, um pouco mais abaixo do Equador, enquanto chorávamos querendo mamar no peito de nossas mães, os militares protocolavam as páginas negras da história do país. Fuzilavam sonhos e mandavam seus protagonistas para o pau-de-arara. Prendiam e torturavam seres atávicos e utópicos. Avolumou-se o exílio. Os mortos e desaparecidos se amontoaram. &lt;br /&gt;Mas nada disso, por mais incrível que possa parecer, foi capaz de acabar com a ilusão causada pela vontade de gozar, plena e livremente, de liberdades individuais e desconhecidas. &lt;br /&gt;Desejo tão abrasador que provocou a faísca e atiçou o fogo que pôs tudo a ferver; que fez um novo cinema, a bossa nova e a literatura borbulharem. Que deu à luz ao Tropicalismo e decretou que o melhor do futuro seria mesmo o passado.&lt;br /&gt;Fazem aniversário todos aqueles que pregaram a paz e fizeram amor contra a guerra do Vietnã. Por outro lado, também aniversariam os que defenderam os canhões e não as flores, inspirados pela Revolução Cubana de Fidel Castro. &lt;br /&gt;Irreparável injustiça seria esquecermos de festejar aqui a agora quarentona Primavera de Praga. Movimento de insurgência contra as aberrações do Real Socialismo Soviético que, liderado pelo tcheco Alexander Dubcek, deu origem ao Manifesto das Duas Mil Palavras e abriu caminho para o que viria a ser a Glasnost de Mikhail Gorbatchov. &lt;br /&gt;Também estão de parabéns todos os que venceram suas batalhas pessoais. Merecem reverência as mulheres, os negros, os homossexuais, os artistas, os criadores da contracultura, e o que de bom floresceu na época que não se deixa morrer. &lt;br /&gt;A tudo e a todos vocês, muitos anos de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-103314172383761481?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/103314172383761481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/103314172383761481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/08/carto-de-aniversrio.html' title='Cartão de Aniversário.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-7668707382056667781</id><published>2008-08-13T13:59:00.000-07:00</published><updated>2009-01-03T14:19:43.400-08:00</updated><title type='text'>Às voltas com o mundo.</title><content type='html'>Enquanto assistimos ao eclipse da inspiração e imaginamos o que aconteceria se tudo se apagasse, o mundo dá voltas. &lt;br /&gt;Para abrir parágrafos, fazer e mudar a história, a terra gira. Também rodopiando, cria o dia dos trabalhadores e a noite dos apressados. Inventa o relógio da ansiedade. &lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, contorna a lua e provoca a abusiva liberdade do verão, alimenta os amores primaveris, causa o desconforto das depressões outonais e nos faz sentir o frio abandono do inverno.   &lt;br /&gt;É em nome das voltas que o mundo dá que a vida se pronuncia. Diz coisas que não compreendemos em cada uma de suas dissonâncias, em cada um de seus poemas de rimas impossíveis. &lt;br /&gt;Onde há mais desejo do que encanto, o mundo é vertiginoso. Pega de surpresa o desavisado, seduz e desencaminha até os mais convictos. &lt;br /&gt;Enquanto corremos e nos apressamos tentando alcançar o tempo, as viradas acontecem. Aquela até então ensolarada vida, de repente, atravessa tormentas e trovoadas. &lt;br /&gt;O tempo também vira. No começo está do nosso lado, mas com o passar dos anos começa a contar pontos contra. &lt;br /&gt;Para compensar, toda vez que uma criança brinca e rodopia imitando o planeta, tudo em torno dela se alegra. Quando alguém suspira ou quando um coração se dilata e bate mais forte, pode ter certeza de que é outro de seus volteios. Acontece o mesmo quando alguém nos deixa chorando sozinhos. &lt;br /&gt;O mundo não dá voltas nem para o bem nem para o mal. São simples provas de que ainda estamos vivos. Falta de movimento é sintoma de ausência de vida.             &lt;br /&gt;Também é certo que, o lado para o qual rolam as pedras que se põem no caminho, nem sempre é exatamente aquele para onde gostaríamos. Mas, o simples fato de que somos algo mais do que firmes como rochas é um sinal absoluto de que, apesar de tudo e de alguns, continuamos por aqui e seguimos na roda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-7668707382056667781?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7668707382056667781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7668707382056667781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/08/s-voltas-com-o-mundo.html' title='Às voltas com o mundo.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-5000668684810053675</id><published>2008-08-05T18:22:00.000-07:00</published><updated>2009-01-01T18:42:32.631-08:00</updated><title type='text'>Todo dia é dia.</title><content type='html'>Anoiteceu chorando e parecia não mais querer parar. Insone, a metrópole tinha saudade de seus poetas, de seus atletas. Daquela gente boa que se exercitava e também daqueles que passeavam de mãos dadas, que namoravam em suas praças e parques. &lt;br /&gt;Sentia falta de tudo aquilo que, de forma silenciosa e em sua beleza discreta, era puro. &lt;br /&gt;De uma hora para outra, a cidade viu pairar sobre si mesma o peso da extinção. O crescimento abandonado lhe foi doloroso e devastador. Em cada uma de suas ruínas, rastros de outras vidas que foram transformadas em cicatrizes.&lt;br /&gt;Noite clara de palavras surdas, esmaltada pelo sangue que pulsa nas esquinas, nas vias públicas, nos lobbies esculpidos em mármore, em veias pelas quais mandamentos e pecados corrrem lado a lado, vida e morte se confundem. &lt;br /&gt;Terrificantes horas que passam trôpegas. A lua cheia é o holofote que anuncia e denuncia o triste espetáculo. &lt;br /&gt;Um estampido detona a névoa de pólvora e estala o silêncio. Emoldurado em vermelho, o homem estendido no chão é o retrato que estampa a primeira página do jornal que Seu Claudecyr - com ípsilon - pede para a menina que distribui o diário no farol.&lt;br /&gt;Bem cedinho, como faz todos os dias, ele senta-se, lê apressadamente enquanto engole o pão com manteiga e o café. Paga com as moedas e os trocados que carrega no bolso esquerdo da calça. Apressa o passo até a estação. Chega em cima da hora para bater o ponto. &lt;br /&gt;Motorista de ônibus há mais tempo do que gosta de lembrar, assim que sai da garagem, Seu Claudecyr - com ípsilon - logo percebe que algo mudou, que a pequena rua, pela qual conduz o carro do estacionamento ao terminal, jamais será a mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-5000668684810053675?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/5000668684810053675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/5000668684810053675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/08/todo-dia-dia.html' title='Todo dia é dia.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-4142421026229872571</id><published>2008-07-24T18:06:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T17:43:30.670-07:00</updated><title type='text'>O falso ele.</title><content type='html'>Desconhecido e irreconhecível, aquele quem ele achava ser &lt;br /&gt;não era mais ele. Um estranho se estranhando mais e mais. &lt;br /&gt;O antigo gostava de uma porção de coisas. Conhecia um monte de gente. Já esse novo parece ser falso como esmeralda de fundo de garrafa. Seu braço esquerdo quer ser direito. E o direito tomar o lugar do esquerdo.&lt;br /&gt;Um grito, um sorriso, um pulo, gestos em seqüência que o outro repete. Algo de vida ainda existe ali! &lt;br /&gt;Mas quem é esse que não é mais ele e também não se parece com ninguém? Que não apresenta nenhuma familiaridade?&lt;br /&gt;Reparou nos cantos dos olhos marcados, nos cabelos esbranquiçados, um alarme disparou dentro dele. &lt;br /&gt;Desespero, vontade de que não haja mais amanhã, de que o tempo vá-se embora sem deixar marcas, saudade ou lembranças. De abandonar aquele reflexo, ser pelo qual não sente mais nenhuma solidariedade.&lt;br /&gt;Um mal-estar repentino, uma sensação o diminui. Luz que se apaga. Um corpo vazio, sem força, sem brilho, sem alma. &lt;br /&gt;Singular e anônimo, um monte de carne e osso, carrasco e vítima de sua própria vida errática e desenredada. &lt;br /&gt;Novamente dá-se conta de si e também do tal outro... Aquele &lt;br /&gt;que ele não sabe quem é, e que agora não interessa mais. &lt;br /&gt;Chega a hora em que começa velar a si mesmo: &lt;br /&gt;- Forca, guilhotina, gás, agulha, cadeira elétrica, um tiro certeiro e misericordioso! Mas isso não – implora ajoelhado diante do espelho.&lt;br /&gt;- Por favor, isso não, não me mate assim, pouco a pouco, a cada manhã de todo santo dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-4142421026229872571?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4142421026229872571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4142421026229872571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/07/o-falso-ele.html' title='O falso ele.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-830437194887150433</id><published>2008-06-26T18:07:00.000-07:00</published><updated>2008-06-29T15:17:48.015-07:00</updated><title type='text'>Quem é quem?</title><content type='html'>- Que cara é essa rapaz?&lt;br /&gt;- Ôh minha senhora, a coisa não tá nada fácil.&lt;br /&gt;- Deve ser só uma fase.&lt;br /&gt;- Fase que dura uma vida?!&lt;br /&gt;- Você tá exagerando.&lt;br /&gt;- É o que todo mundo diz. Eu queria é ver um de vocês vivendo um mês, uma semana, um dia na minha pele, calçando meus sapatos, andando por aí com a única certeza de que hoje será pior do que ontem e melhor do que amanhã!&lt;br /&gt;- Se você já acorda pensando assim não há Cristo que salve.&lt;br /&gt;- Penso assim porque resolvi peitar a realidade, ser honesto comigo mesmo já que ninguém é. A real é que acordo bem mais cedo do que gostaria, me desloco além do que tenho vontade, trabalho muito mais do que faz bem à saúde e ganho bem menos do que é bom para o bolso. &lt;br /&gt;- É a vida.&lt;br /&gt;- Mas que megera é essa! A vida não deveria ser uma coisa boa?&lt;br /&gt;- Primeiro que não deveria ser e nem é uma coisa. Segundo que boa ela é, só não é boazinha.&lt;br /&gt;- Pronto, mais um tentando me enrolar!&lt;br /&gt;- Tá vendo: nem escutar você quer... Como alguém pode te ajudar?!&lt;br /&gt;- Eu sou aquela promessa que não se cumpriu. A imagem viva, ambulante, em carne, osso e sangue do crepúsculo de pensamentos e idéias que queriam ser aurora. &lt;br /&gt;- Caramba!&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;- Nada não, só achei forte.&lt;br /&gt;- Fraco, eu sou é um fraco!&lt;br /&gt;- Olha, vou tentar te explicar uma coisa. A vida é assim... Muito mimada, cheia de vontades. É vaidosa e adora tirar uma com a cara de vocês. &lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Viver, ser sincero, trabalhar duro e honestamente, significa calar muitos temores, abrir muitas feridas e escancarar verdades muito íntimas sem a garantia de que isso resolverá ou melhorará alguma coisa. Existe sim um pouco de hipocrisia no evento da sobrevivência.&lt;br /&gt;- Falei que tu tá querendo me enrolar!&lt;br /&gt;- Eu tô é tentando abrir teus olhos, te dar uma força.&lt;br /&gt;- Mas você nem me conhece, foi sentando ao meu lado, puxando papo e agora vem com essa... Isso é enrolação ou sacanagem!&lt;br /&gt;- Nossa como você é cético.&lt;br /&gt;- Sou o quê? Ofende não, heim! Nem te conheço e tô levando numa boa. Foi você quem chegou aí, nem deu bom dia e já começou a falar um montão na minha orelha. Afinal, quem a senhora pensa que é?&lt;br /&gt;- Ah, isso você vai ter que descobrir sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-830437194887150433?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/830437194887150433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/830437194887150433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/06/quem-quem.html' title='Quem é quem?'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-2890735059622339090</id><published>2008-04-23T12:17:00.000-07:00</published><updated>2008-08-05T19:00:10.591-07:00</updated><title type='text'>Éramos Nós.</title><content type='html'>Nós que nos achávamos meio artistas e éramos metidos a intelectuais gostávamos muito da vida. Queríamos abraçá-la, desejávamos dela o melhor, queríamos vê-la sempre com bons olhos e nos esforçávamos ao máximo para ver de tudo, e de todos, apenas o lado bom. &lt;br /&gt;Buscávamos desenterrar as flores soterradas por bombas lançadas contra nossas liberdades por uma direita ultraconservadora. Tentávamos, de todas as formas, salvar o homem da indiferença que o envolvia traiçoeiramente. &lt;br /&gt;Nós que nos achávamos meio intelectuais e éramos metidos a artistas esperávamos muito uns dos outros. Pregávamos que a civilização precisava ser repensada, que só o humanismo podia salvar o ser humano dele mesmo e que este carecia, e segue a sentir falta, de uma vasta reforma em suas normas e seus valores, de uma revolução silenciosa, feita de consciência, verdade e palavras bem postas, tudo regido pela nobreza da humildade, da plena consciência de toda a incapacidade e incompetência que se manifesta em várias formas e em diversos sentidos. Humildade que deveria ser básica à condição humana, mas, infelizmente, é uma raridade nos dias de hoje. &lt;br /&gt;Nós que nos achávamos meio artistas e éramos metidos a intelectuais falávamos muito e pouco agíamos. Tínhamos um discurso muito bem articulado, intenções castas e uma representação para lá de festiva. Fazíamos farra, abraçávamos e bebíamos a quantas causas aparecessem. Não fazia falta que fossem bonitas ou nobres, bastava que fossem simpáticas. &lt;br /&gt;Gozávamos da fé que só a ingenuidade das boas intenções é capaz de despertar e era ela que, de alguma maneira, nos permitia experimentar alguns gramas de felicidade.   &lt;br /&gt;Nós que nos achávamos meio intelectuais e éramos metidos a artistas acreditávamos que poderíamos sobreviver honestamente, sem que fosse necessário vender a mente ou o corpo, nossa verdadeira e única moradia quando somos meio assim, meio assados. &lt;br /&gt;Nós que éramos metidos e nos achávamos, demos de cara com o muro, com uma realidade dura e que se apresenta, dia a dia, cada vez mais contrária a tudo aquilo o que, juntos, imaginávamos. &lt;br /&gt;A simpática aldeia global virou uma impessoal e infesta rede mundial de computadores. A ficção superou a vida real e impôs um ponto final à nossa história.&lt;br /&gt;Muita gente sente saudade dos tempos em que éramos &lt;br /&gt;assim... Diferentes! Outros acham que foi uma época divertida, mas passageira. E ainda há quem se envergonhe de um dia ter &lt;br /&gt;sentido-se livre e capaz de mandar em seu próprio destino, de ter tido a certeza de que a boa vontade, unida à sinceridade, era uma força capaz de nos libertar da arrogância e dos grilhões institucionais. São esses que hoje servem cegamente ao estabelecido e arrastam as pesadas correntes da desilusão.&lt;br /&gt;Entre aqueles que ainda são meio idealistas, meio pretensiosos, vive uma pergunta que, como tantas outras, não quer calar: &lt;br /&gt;será que nós também já éramos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-2890735059622339090?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2890735059622339090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2890735059622339090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/04/ramos-ns.html' title='Éramos Nós.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-714292253951142194</id><published>2008-03-27T06:14:00.000-07:00</published><updated>2008-06-27T19:52:02.467-07:00</updated><title type='text'>A Velocidade do Tempo.</title><content type='html'>Uns dizem que voa, mas é mentira. Passa como, quando quer &lt;br /&gt;e à velocidade que bem entende. Também não corre não.  &lt;br /&gt;Rasteja sorrateiramente. Pode ser devagarinho ou de maneira urgente e aflita. Tudo depende de suas intenções. &lt;br /&gt;Não poupa ninguém, até por sua já registrada e reconhecida natureza cruel e destruidora.&lt;br /&gt;Há quem acredite que escorre pelas mãos, escapa por entre os dedos. Outro engano suscitado pelo seu passar silencioso e insuspeito, que rouba aos poucos, um tantinho a cada dia, não só o viço, mas também a alegria juvenil com a qual a pouca idade nos embevece.&lt;br /&gt;Epifanias rezam que é o melhor remédio, que a tudo cura, que é sagrado e até que é dinheiro. É nada! É apenas um embuste. Algo que herdamos, uma mera invenção indo-arábica que nos permite codificar o girar da terra em torno de seu próprio eixo em 24 horas, alguns minutos e outros segundos; e o seu bailar em torno do Sol em 12 meses, cada qual com, aproximadamente, 30 dias.&lt;br /&gt;Ainda existem alguns que afirmam não o terem visto passar. &lt;br /&gt;Como se pudessem... Como se o conforto de não ter hora, dia e nem tempo para nada fosse possível. &lt;br /&gt;A velocidade do som e a ligeireza da luz já conseguiu-se medir, enquanto a pressa do tempo permanece sendo um enigma obscuro, sem física cabível que a decifre ou defina. Não se mede em quilômetros por hora nem tampouco em metros por segundo ao quadrado. &lt;br /&gt;Ainda carece que pesquisem, descubram ou simplesmente lhe inventem uma unidade de medida que corresponda à realidade, ao caminhar dos fatos, ao veloz passo das mudanças. &lt;br /&gt;Sabe-se, por experiência, que para os pais que assistem ao filho ou à filha que cresce passa de maneira rápida e rasteira. Para quem se ocupa é sempre curto. Já para quem espera a vida melhorar, esgueira-se preguiçosa e lentamente. É mais uma insídia inerente à nossa existência. &lt;br /&gt;Verdade que só o tempo é capaz de nos acrescentar alguma filosofia. Mas para isso, impõe que suportemos o inapelável descompasso e a incômoda arritmia dos anos que passam e aos quais sobrevivemos, nos exige alguma calma e muita paciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-714292253951142194?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/714292253951142194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/714292253951142194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/03/velocidade-do-tempo.html' title='A Velocidade do Tempo.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-7748691726160420449</id><published>2008-02-29T02:57:00.000-08:00</published><updated>2008-04-20T16:29:40.000-07:00</updated><title type='text'>Transe.</title><content type='html'>Mais do que a realização de um sonho de menina, conhecer a terra de todos os santos, que abriga em suas entranhas o poder e os segredos dos Orixás, fazia parte de sua busca, da urgência esotérica que tomara o corpo e a alma de Tereza de uns tempos para cá.&lt;br /&gt;Fez que fez até que o renitente marido acabou concordando. Ela então planejou tudo.  Chegou o feriado, a data marcada e lá foram eles. &lt;br /&gt;Chegaram na sexta, e, no sábado, por volta das dez da noite, o casal foi levado até o terreiro por uma filha da casa chamada Candinha, que trabalhava como recepcionista no hotel.&lt;br /&gt;Ao se aproximarem, Tereza, atraída pelas vozes e pela música, soltou-se da mão de Alfredo e saiu correndo. &lt;br /&gt;A sessão apenas começara. Ela chegou e logo entrou na ciranda. Parecia feliz como criança que brinca de roda. &lt;br /&gt;O ritmo e o volume do batuque pareceram ter aumentado em razão de sua presença. Ela entrou na dança como se já soubesse tudo do riscado.&lt;br /&gt;Em transe,  convulsionava ao som dos atabaques e da cantoria. Seus cabelos, antes presos num coque, agora estavam soltos e molhados. O suor lhe porejava a testa. Uma brisa com perfume de alfazema tomou conta do ar e se misturou à fumaça dos charutos que fumegavam e tornavam a imagem de Tereza ainda mais diáfana.&lt;br /&gt;Botando braços ora para cima, ora para baixo, adejava numa saudação frenética, ritmada. Ali, naquele instante, vivia seu momento de divindade. Para ela, a quem agora chamavam de Morena, abriu-se passagem. Como que encantada, rodopiava. Seus pés descalços, pequenos qual de anjo, pareciam não tocar o piso de terra batida. &lt;br /&gt;As flores que lhe atiravam lambiam seu corpo. As peças de roupa sobrepostas não caiam ao chão simplesmente, pareciam deixar solenemente seu corpo como fazem as pétalas ao abandonar as flores as quais pertencem. &lt;br /&gt;Cantou em dialetos raros e disse muitas coisas que não sabia que sabia. Saudou gente que nem imaginava que conhecia.&lt;br /&gt;Já mareado de cachaça, fumo e de tanto que o balançavam quando lhe prestavam saudações, o homem chamou a mulher na chincha.&lt;br /&gt;De repente, ela sentiu um puxão, tranco rude e insultoso que lhe despertou. &lt;br /&gt;- Mulher, vamos embora... Te apressa vai?! Já dançou, se divertiu, se mostrou, apareceu, fez de tudo um pouco. Agora chega! Você já tá exagerando.&lt;br /&gt;Num desses inexplicáveis desmazelos de memória, em meio ao silêncio que se fez no caminho de volta, a ela ocorreu a malevolente e tirânica pergunta: &lt;br /&gt;- Onde será que eu estava com a cabeça quando me casei com esse cara?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-7748691726160420449?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7748691726160420449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7748691726160420449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/02/transe.html' title='Transe.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-6299938313803809656</id><published>2008-01-30T13:54:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T09:10:52.003-08:00</updated><title type='text'>O Gringo do Grão.</title><content type='html'>No final dos anos 60, começo dos 70, o hippie americano que saiu vagamundeando sem destino veio parar no Brasil. &lt;br /&gt;Trouxe com ele um discurso, traduzido para o português por um brasileiro que conheceu lá na Califórnia e que também lhe ensinou a pronúncia correta de cada palavra. &lt;br /&gt;O gringo chegou e logo descobriu a planta da qual se faz o chá de Tremelique. Incorporou a descoberta ao palavrório e rapidamente fez muitos adeptos. Dizia sempre a mesma coisa. O papo era mais ou menos o seguinte:&lt;br /&gt;- Toda a tristeza chorada pelo mar estará contida num grão. Uma partícula que não poderá se perder no tempo e viajar ao vento como fazem seus irmãos, os outros grãos.&lt;br /&gt;Cisco no olho de Deus. Grão que não será semente nem eufemismo de gente. Mas será origem. Começo que se redefinirá. Fruto que voltará a ser raiz. &lt;br /&gt;Virá então a rega que purificará a terra onde, de um grão fêmea, renascerá aquela a quem chamarão Esperança. Manifesta em um pensamento, uma palavra amiga, a mão estendida ou a lágrima derramada em defesa da vida.&lt;br /&gt;Na imensidão do claustro céu azul, não mais planarão rapinas. Só haverá espaço para as alvas aves da paz. A alegria voltará ao mar que, com seus dedos de espuma, nos indicará o horizonte onde despontará o colossal sorriso iluminista. &lt;br /&gt;O homem, que de tão rico apodreceu, pobre ressurgirá. Chegará tão frágil e delicado como a nova vida que nos foi ofertada parecerá ser; e de fato será. A esse neo-renascimento darão um nome. Sobre ele serão escritos mandamentos, testamentos e evangelhos. Neste novo mundo, só o que for movido pela força da paz e do amor triunfará.  &lt;br /&gt;Diz-se que o Gringo do Grão, como ficou conhecido, ainda anda por aí, que virou empresário. É sócio de um spa esotérico na região nordeste do país. &lt;br /&gt;Pelo que se comenta, o discurso bolorento e o jeitão ripongo continuam os mesmos. Mas, hoje em dia, só pagando para ver.  &lt;br /&gt;E em dólar, of course!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-6299938313803809656?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/6299938313803809656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/6299938313803809656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/01/o-gringo-do-gro.html' title='O Gringo do Grão.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-2105295340151210933</id><published>2008-01-07T03:55:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T07:39:39.646-08:00</updated><title type='text'>Redação de Férias.</title><content type='html'>Depois de tomar emprestada a força do gigante, o menino ergue seu grandioso castelo de areia e o cerca com muralhas cravejadas de pedras e conchas. Perfiladas e de prontidão, ficam em guarda as estrelas-do-mar. &lt;br /&gt;Ele mergulha, saúda Netuno e sai em missão. Volta à base e encontra o astronauta pronto para a partida. &lt;br /&gt;As ciências não representam mais ameaça e a matemática não lhe rouba mais o tempo. Conhece toda a geografia de que precisa; e a história ele é quem faz. &lt;br /&gt;No quintal, o balanço e a gangorra são a plataforma de lançamento para o inesperado. &lt;br /&gt;A vizinha chega a galope. Amazona encantada que aparece montada em seu cavalo alado. Em vez de asas, rodinhas de apoio que lhe servem de guardiãs e escolta. &lt;br /&gt;Ela pára, apeia e caminha em direção ao menino. Sabe de cor o atalho que conduz direto ao seu coração. É guiada pela flecha do estúpido do cupido que o atinge pela primeira vez. Ele perde a fala, o fôlego e tudo à sua volta parece calar. Só para ela tem olhos e ouvidos. Contrariando o conto, aqui quem desperta é o príncipe. &lt;br /&gt;Em um passe, o mágico tira da cartola o indesvendável véu da noite. Faz o céu escurecer, a lua brotar cheia e fluorescente e as constelações estrelarem. &lt;br /&gt;Uniformizada, chega a moça que traz a mensagem. A menina atende ao chamado da mãe e volta para o condomínio, que tem nome de palácio, onde os pais a esperam. Já está mais do que na hora. &lt;br /&gt;Nada mais ele pode fazer. Os brinquedos abandonados, sem movimento nem vida, lhe apresentam a até então desconhecida solidão como companhia. &lt;br /&gt;Tenta, mas não resiste. Entrega-se ao sofá. Os policiais e os bandidos do seriado assistem ao corpo que, cansado, se desarma, perde a arquitetura e deixa que os sonhos o carreguem até a cama, porque daqui a pouco tem mais. &lt;br /&gt;Amanhã é outro dia de férias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-2105295340151210933?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2105295340151210933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2105295340151210933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2008/01/redao-de-frias.html' title='Redação de Férias.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-3438117074210736475</id><published>2007-12-20T02:12:00.000-08:00</published><updated>2007-12-20T15:15:41.075-08:00</updated><title type='text'>Muito além do Natal.</title><content type='html'>Sempre pendeu para o lado dos que acreditam que além da morte existem outros problemas para os quais não há solução. Daqueles que alardeiam ter a abominável consciência de que a felicidade como imaginamos não existe. &lt;br /&gt;Reagia mal até quando lhe desejavam bem-aventuranças de fim de ano. Quimera eclesiástica da qual até os heréticos têm inveja, mas que para ele também inexistia. &lt;br /&gt; Tinha para si, com a certeza de quem já provou do veneno, que felizes são momentos que acontecem uma vez aqui e outra acolá, com hora marcada ou de maneira inesperada, nunca se sabe. &lt;br /&gt;Breves e irrecuperáveis são pessoais, intransferíveis e também impagáveis. Muitas vezes eclipsados pelas sombras dos acontecimentos diários, que os fazem invisíveis aos olhos opacos e desatentos da idade madura. São sutilezas da nossa existência que só a visão pura e cristalina das crianças é capaz de decifrar.  &lt;br /&gt;A idéia de que a parte adulta e mais prosaica da humanidade, na qual se inclui, já deveria estar convencida disto era defendida por ele com rigor e argúcia. Mas, depois de anos e anos de brava resistência, decidiu abandonar a contumácia de seus discursos. Passou a boquejar que ficava feliz com isso e aquilo outro; que tal coisa o fazia sentir-se bem e que o mundo, desde que analisado por um renovado ponto de vista, tinha sim salvação. &lt;br /&gt;Pela primeira vez desde a separação, ficou combinado que celebrariam em sua casa. Convidou os filhos, as famílias e os amigos dos mesmos; parentes próximos e distantes. &lt;br /&gt;Muita desconfiança pairou sobre tão abrupta conversão. &lt;br /&gt;As hipóteses de um milagre de natal ou de que o espírito natalino lhe tivesse tomado o corpo foram logo descartadas. Todos preferiam especular sobre uma amante que teria mostrado a ele coisas de outro mundo. Ou quem sabe uma herança, prêmio de loteria. Rendiam-se até ao fato do sujeito ter sido possuído por alguma espécie de demônio festeiro. Tudo, qualquer coisa, menos tão desmerecida bênção, iluminação ou inspiração divina. &lt;br /&gt;Com carinho e capricho de mãe dedicada, ele armou, decorou e iluminou a árvore. Assou o peru, serviu a mesa e, ao final, distribuiu os presentes. Teve o Natal mais feliz da parte de sua vida que é digna de se fazer memória. &lt;br /&gt;Para os mais íntimos também foi um Natal bem diferente do que o de costume. Preocupados e convencidos de que algo não acabaria bem, convidaram o médico da família para passar a meia-noite e, no dia seguinte, almoçar com eles. Vai que o velhinho enlouquece de vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-3438117074210736475?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3438117074210736475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3438117074210736475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/12/muito-alm-do-natal.html' title='Muito além do Natal.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-8619902066718901185</id><published>2007-12-06T11:29:00.001-08:00</published><updated>2008-01-31T09:40:09.879-08:00</updated><title type='text'>A Ladra.</title><content type='html'>Antes mesmo do verbo, a prosa era em verso. Assim fez-se a poesia que entusiasma a moça e a faz se apurar ao receber o presente. Não pelo que a caixa contém e sim pelo conteúdo do cartão. Um Neruda, um Pessoa, um Drummond, um Lorca, um Alberti, um Vinicius, Clarice, Coralina ou um trecho de Chico, não importa, a estrofe surrupiada é passada para frente pela cotação do original.&lt;br /&gt;Amiga do rapaz enamorado, mulher belíssima de cabelos longos, olhos ferinos e andar de passarela, a moça é também amiga dos livros. Declina-se em afeto por cada um  deles. Apreço que não nutre pelos autores dos mesmos. A esses considera apenas instrumentos, e muitas vezes mal antepostos, que seguem a própria escrita, se perdem em um rebojo de desilusões e acabam por não honrar, ao menos em vida, tamanha graça. &lt;br /&gt;Gente a quem agrada o rude do sofrimento e da desesperança, que denuncia a aridez da espera diante do que amamos em segredo, que tem propensão para o desengano e admiração pelo crepúsculo. Um bando de traídos e ultrajados, abismo abstrato de fantasias que a tristeza domina com mãos de ferro.&lt;br /&gt;O poder de escolher palavras como se fossem pérolas e colocá-las uma ante a outra, transformando o que até então não era nada em preciosidades de valor incalculável, tal dom, não se pode, ou não se deveria dadivar àqueles de vidas avessas, beberrões, viciados, muitas vezes de conflitantes e duvidosas crenças e preferências. &lt;br /&gt;Definitivamente não! Até para a licença poética deve haver limites. A esmagadora maioria não merece tamanha divícia. &lt;br /&gt;Diz ela saber mais da arte de poetar do que qualquer um deles e que roubar-lhes é sua doce vingança. Afirma e reitera, sempre quando possível, que poetas de verdade são aqueles que vendem o que escrevem. E não uns e outros que escrevem só o que vende. &lt;br /&gt;Na ponta da língua está também o ponto final para qualquer turra ética ou duelo moralista:&lt;br /&gt;- O poeta é apenas um meio de ver. Quem a ele confere a habilidade de enxergar aquilo que os outros não vêem sou eu, &lt;br /&gt;a Rima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-8619902066718901185?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8619902066718901185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8619902066718901185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/12/ladra.html' title='A Ladra.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-8738132957778870841</id><published>2007-11-06T10:46:00.000-08:00</published><updated>2007-12-20T02:12:34.551-08:00</updated><title type='text'>iGeneration.</title><content type='html'>Em um futuro não tão, tão distante, os pais dela, depois de uma longa e meticulosa pesquisa nos mais confiáveis e renomados sites de relacionamento, o escolheram.&lt;br /&gt;Ele recebeu o e-mail solicitando sua presença na sala de bate-papo em que foi marcado o encontro. Ali os dois conversaram, ou melhor, teclaram pessoalmente pela primeira vez. A conversa rolou por horas e ali mesmo eles decidiram se casar. &lt;br /&gt;Trocaram fotos verdadeiras e sem retoques de photoshop, o que em tempos modernos é prova de extrema confiança e sinaliza compromisso, papel que antigamente era de um par de alianças feitas de um metal qualquer. &lt;br /&gt;Colocaram no ar um site para divulgar o acontecimento, a união. No endereço havia um pouco de tudo: fotos do casal, montagens muito bem feitas, já que eles ainda não haviam estado juntos, lista de presentes, endereço da igreja, da festa, a senha dos convites, tudo como manda o figurino e a mais nova e atualizada versão da ordem mundial.&lt;br /&gt;A cerimônia aconteceu em um espaço ecumênico virtual e a recepção em um superbadalado site de festas e eventos.&lt;br /&gt;Os dois finalmente se vêem. Enfim, estão a sós, cara a cara, olhos nos olhos. A surpresa não foi grande. As fotos que trocaram como prova de intenções eram mesmo de verdade. A decepção ficou por conta da estatura. Ela jamais imaginou ser tão mais alta do que ele, mas tudo bem... Poderia ser pior! &lt;br /&gt;Eis que chega a tão ansiada noite de núpcias e as coisas se complicam. Um de costas para o outro, o casal despiu-se lentamente. Combinaram que a nudez de um e de outro seria revelada ao mesmo tempo. Em um movimento rápido, preciso e sincronizado, viraram e ficaram frente a frente. &lt;br /&gt;Ele:- E agora?!&lt;br /&gt;Ela:- Minha mãe falou que não tem segredo. Transar é hoje como era ser mãe na época dela: intuitivo! É como mexer em computadores, lidar com alta tecnologia... Ela disse que são coisas que nós, mulheres, já nascemos sabendo.&lt;br /&gt;Ele:- Já nós, os homens, nascemos preparados para enfrentar e vencer grandes desafios como... Como... Por exemplo... &lt;br /&gt;Ela:- Mamãe disse que é só apertar um botãozinho. É como se fosse a tecla Enter, é ele que faz tudo acontecer... Todas aquelas coisas que a gente andou baixando e vendo na internet!&lt;br /&gt;Ele:- Mas que tecla Enter? Do que você tá falando?&lt;br /&gt;Ela:- Do botãozinho... Ela disse que você ia chamar de cli-cli-alguma coisa... Deixa eu te mostrar: é aqui, ó! Tá vendo?&lt;br /&gt;Ele:- Vou apertar... Apertei! E aí: o que você sentiu?&lt;br /&gt;Ela:- Nada!&lt;br /&gt;Ele:- Como nada? Isso nunca me aconteceu antes!&lt;br /&gt;Ela:- Calma! Acho que você tem que apertar e segurar alguns segundos, que nem a gente faz para desligar o iPod, o iPhone, sabe?! Só que aqui liga. &lt;br /&gt;Ele:- E dá certo? É tipo assim... Um Restart?&lt;br /&gt;Ela:- Ora, sei lá, acho que é!&lt;br /&gt;Ele:- Então, se concentra e vamos tentar de novo. &lt;br /&gt;Ela:- Isso, assim... Aí mesmo, agora aperta e segura... Mais um pouquinho... Tenta o Double Click! Isso... Vai... Dá dois cliques e arrasta, dois cliques e arrasta, dois cliques e... Parou por quê?&lt;br /&gt;Ele:- Não sei! E aí, sentiu alguma coisa?&lt;br /&gt;Ela:- Não sei... Acho que não!&lt;br /&gt;Ele:- Tem certeza de que não é problema de sistema?&lt;br /&gt;Ela:- Só se for no seu querido. Só se for o seu sistema que tá falhando! Eu conversei de sexo com a mamãe e fui ao médico antes de me casar.&lt;br /&gt;Ele:- Desculpa, meu amor! É que eu tô assim, sabe... Meio nervoso... Vem aqui, vamos tentar mais uma vez, com calma, desde o começo. Mostra o botãozinho de novo, mostra.  &lt;br /&gt;Ela:- Agora não vai dar... Travei!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-8738132957778870841?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8738132957778870841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8738132957778870841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/11/igeneration.html' title='iGeneration.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-2614979078231686069</id><published>2007-10-11T06:20:00.000-07:00</published><updated>2008-01-02T10:37:11.114-08:00</updated><title type='text'>Curto&amp;Grosso.</title><content type='html'>- Cássia, pede o café e a conta.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- O café! Pede um café curto, a conta e vamos embora.&lt;br /&gt;- Eu? Eu não... Isso é coisa de homem, Rodolfo!&lt;br /&gt;- Pô, não enrola vai... Eu vou ficar aqui com o braço levantado horas, parecendo um menino pedindo para ir ao banheiro, o garçom vai fingir que não me vê. Eu vou acabar irritado, vai dar encrenca, não vou querer pagar porcaria de dez por cento para ninguém... Você sabe como é que funciona... Por favor, não complica, levanta o braço, dá um sorrisinho, que o cara vem correndo.&lt;br /&gt;- Amore, você tá com medo de se sentir rejeitado?! Não fica assim, não... Não pode! Rodolfo, você tem que fazer alguma coisa, tem que superar isso, reagir... Voltar para terapia ia te fazer tão bem.&lt;br /&gt;- Cássia, esse papo de novo não! Por favor, uma vez na vida, faz o que eu tô pedindo sem discutir nem reclamar: pelo amor de Deus, pede o café e a conta.&lt;br /&gt;- Ôh amore, a gente não pode generalizar, não é só porque o seu sócio resolveu se separar e vocês quase faliram e porque minha irmã mais velha resolveu montar uma banda cover do Village People; não é só por causa disso que terapia não resolve, não presta... É que coincidiu. Verdade que foram próximas e terríveis, mas meras coincidências! Eu por exemplo: estou ótima! E a mamãe, então... Você viu como ela melhorou? E olha que o papai se mandou com a mulher do psiquiatra dela!&lt;br /&gt;- Garçom, por favor: um café curto e a conta!&lt;br /&gt;- Rodolfo, o que é isso? Fala baixo… Tá todo mundo olhando!&lt;br /&gt;- Todo mundo menos o infeliz do garçom. &lt;br /&gt;Falou e começou a adejar os braços como o náufrago que tenta chamar a atenção da nau distante.&lt;br /&gt;- Garçom, eu, olha aqui, ó… Olhou heim?! Finalmente… Então, o café e a conta… Café curto, por favor… E rápido! Expresso, sabe qual é? Aquele que sai rapidinho... &lt;br /&gt;- Rodolfff...&lt;br /&gt;- Eu te avisei!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-2614979078231686069?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2614979078231686069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/2614979078231686069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/10/curto.html' title='Curto&amp;Grosso.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-4015137347889658878</id><published>2007-09-30T10:48:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T16:49:07.489-07:00</updated><title type='text'>E o tempo parou.</title><content type='html'>Ao descobrir que toda aquela quentura, aqueles calorões repentinos e todos os outros sintomas que vinha apresentando, entre eles, náuseas, ataques injustificáveis de raiva, insônia, ao constatar que nada acontecia em virtude da idade que avançava nem em função do climatério, que tem nome de catástrofe. E sim por causa dos descuidos, desmandos e maus tratos daqueles que Ela tão generosamente abrigava, mamãe Natureza perdeu de vez a paciência.&lt;br /&gt;- Aí já é demais! Ninguém merece... - Irritou-se.&lt;br /&gt;A ciência, a ficção, os estudiosos, os sábios e os impostores foram desmentidos pela mãe de todas as mães que, não sem motivos, resolveu portar-se como madrasta, e das megeras, já que seus filhos legítimos se comportavam como os mais abjetos e ingratos dos bastardos. &lt;br /&gt;- Cruéis eles são comigo. Cruel eu serei com eles! – Sentenciou.&lt;br /&gt;Providencial e sábia, a Natureza diminui o ritmo, desacelerou. &lt;br /&gt;A Terra passou a girar bem devagarzinho. As rotações estavam limitadas àquelas que não comprometeriam o equilíbrio gravitacional ao ponto de causar danos irreversíveis ou um cataclismo, mas sim um importante, significativo, mas remediável estrago.&lt;br /&gt;A translação, em torno do Sol, passou a ser lenta e ritmada de forma a fazer com que as semanas levassem meses para passar, e os meses fossem intermináveis. A sensação era de que o tempo havia parado. Relógios não tiquetaqueavam mais, as estações do ano, as fases da Lua, o calendário, tudo foi para o espaço em uma reviravolta de ventos e marés.  &lt;br /&gt;Ecologistas de verdade, e os de mentira também, astrofísicos e estudiosos do ar, da terra e do mar se recolheram em universidades, se reuniram em fóruns e vídeo conferências tentando entender o que estava acontecendo.   &lt;br /&gt;Enquanto isso, doidivana que só, a Terra ignorava a tudo, a todos e girava, rodopiando lentamente ao seu bel prazer sem dar a menor bola para o caos estabelecido, para o sertão que ameaçava virar mar. &lt;br /&gt;O doutor em cosmologia, matemático lucasiano e mais aclamado cientista da atualidade, Stephen Hawking, nem ele e nem mesmo o próprio Criador, ninguém poderia prever que o Planeta daria um basta no homem.&lt;br /&gt;Astrônomos e astrólogos, engenheiros e tecnólogos, marxistas veteranos e jovens agnósticos, sacerdotes de todas as religiões se uniram em um só esforço. Crenças, desavenças e cismas foram abandonadas. Israelenses e palestinos, xiitas e liberais marcaram encontro em território neutro. &lt;br /&gt;Pela primeira vez em séculos, os americanos pararam para ouvir. &lt;br /&gt;Ouviram, concordaram e apoiaram, repetindo o bordão favorito dos legítimos sobrinhos do Tio Sam:- Deus Salve a América!&lt;br /&gt;A Terra continuou a maneirar nos movimentos até causar o por Ela tão esperado, e já tardio, arrependimento global. &lt;br /&gt;- Soubesse que ia ser tão fácil... Tinha feito isso antes! – Pensou consigo.&lt;br /&gt;Ao experimentar o efeito de seus abusos, o ser humano criou algo parecido com o que talvez, um dia, se possa chamar de consciência universal. &lt;br /&gt;A Natureza, toda a sua força, poder e pujança, para o bem e a salvação geral de todos, passou a ser plenamente respeitada e temida. Sem deixar maiores explicações, ao seu tempo e modo, Ela foi colocando tudo em seu devido lugar. &lt;br /&gt;Esse período, que não se sabe precisar o quanto durou, assustou a todos e mudou a ordem das coisas. Mamãe Natureza agora tem certeza: não importa qual o credo, a raça, a cor, o poder ou a idade da civilização, um bom puxão de orelha e um belo castigo fazem bem para todo mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-4015137347889658878?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4015137347889658878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4015137347889658878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/09/e-o-tempo-parou.html' title='E o tempo parou.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-309912681321681597</id><published>2007-09-13T07:35:00.000-07:00</published><updated>2007-12-27T09:29:26.490-08:00</updated><title type='text'>Carta à falecida.</title><content type='html'>Gritou discordando do inseparável grupo de amigos.&lt;br /&gt;- Durante o enterro não!  &lt;br /&gt;Acreditar ele não acredita em nada. Agora, vai que existe sim alguma coisa por lá, o negócio poderia ficar feio, não custava esperar.&lt;br /&gt;- Vamos deixar para missa... É isso! Daqui a sete dias o corpo já esfriou e a alma da desgraçada foi para onde deve ir. &lt;br /&gt;O grupo de amigos, que juntos aprontavam barbaridades desde &lt;br /&gt;a mais tenra infância, conhecia a história do começo ao fim. Presenciaram a riqueza e a pobreza; a alegria e a tristeza e planejaram tudo muito bem. Primeiro uma cerimônia maravilhosa, inesquecível nos mínimos detalhes. Reservou-se horário no sétimo dia a contar daquela data, e logo pela manhã. O lugar, uma das maiores e mais elegantes igrejas da cidade. Templo onde as celebridades ascendentes se casam pela primeira vez, e as decadentes se unem outras tantas. A decoração, obra assinada por Inezita de Alencar, foi uma das grandes atrações. Houve quem acudisse à cerimônia só para ver o que a artista de interiores, assim se autodenominava, tinha aprontado desta vez. Para ela não importava, fosse uma casa, um salão, uma empresa, cemitério ou igreja, qualquer espaço, ao ser brindado pelo seu toque, se transformava, imediatamente, em um santuário dedicado à beleza e ao bom-gosto. &lt;br /&gt;O padre, trazido de Roma, celebrou a missa em latim, com trechos em italiano que os fiéis, orientados pelo sistema de tradução simultânea, repetiam a uma só voz. &lt;br /&gt;Ao seleto grupo de amigos foram reservados os lugares de honra, bem na frente. Eles seguiram obediente e pacientemente a todo o ritual. &lt;br /&gt;Pouco antes do encerramento, em uma das breves pausas, momento em que se podia ouvir o canto dos gregorianos, o marido, aparentemente enlutado, pediu a palavra. O coro silenciou e a platéia se acomodou. &lt;br /&gt;De dentro do envelope, ele retirou uma folha cuidadosamente dobrada e, emocionado, com a voz embargada, leu a carta.&lt;br /&gt;- Amada, quando você sussurrou baixinho no meu ouvido, em seu leito de morte, que havia apostado todas as suas fichas em mim e que eu tinha posto tudo a perder, confesso que a princípio fiquei indignado. Mas logo, graças à reflexão, aos conselhos do padre e de alguns de nossos familiares e amigos, entendi tudo: Deus te fez pobre de posses para conter a pompa e para que jamais te aproximaste de uma casa de jogos. Providência celestial e desesperada, uma tentativa divina e derradeira de fazer de ti algo mais humana.&lt;br /&gt;O burburinho já começara. Os amigos e alguns curiosos prendiam o riso. Outros se entreolhavam e comentavam sem nada entender. Parte da família já estava indignada. &lt;br /&gt;Ao pedido de silêncio do padre italiano todos atenderam, e foi só assim que ele pôde continuar. E continuou, manteve o mesmo tom sério, de profunda comoção. &lt;br /&gt;- À família gostaria de confortar dizendo que nossa tão estimada esposa, filha, irmã e amiga morreu feliz. Sempre repudiou a idéia de acabar como a mãe, uma simpática senhora que vive solitária em um balneário. Não acabou! Para alcançar tal feito exerceu, por toda a vida, o egocentrismo e a presunção que atribuía ao pai, vindo assim a falecer no mais alto degrau de sua soberba. E nós, que hoje estamos aqui reunidos, viemos não só para nos despedir, mas também para dizer que já foste tarde. Amém!&lt;br /&gt;Em respeito à casa de Deus e ao sacerdote importado, os espectadores aguardaram o encerramento do cerimonial e, antes mesmo que o padre tivesse tempo de dizer adeus, homens, mulheres e crianças saíram em perseguição ao viúvo vingativo e seus amigos. Enfurecidos, a irmã recém parida, o cunhado grandalhão e parentes mais próximos, divididos em grupos, iniciaram o que parecia ser uma implacável caçada.&lt;br /&gt;Tudo saiu exatamente como o grupo planejou, até a fuga. Entraram por ruas estreitas, atravessaram vielas pelas quais não andavam desde moleques. Dobraram as esquinas em que antes ficavam as meninas. Pularam os muros que resistiram ao tempo e foram parar no beco onde se escondiam quando jovens. Ali, comemoraram vitórias, choraram derrotas e cantaram seus grandes feitos. &lt;br /&gt;Depois de alguns minutos, tempo usado para recuperar o fôlego, um deles sacou uma garrafa de bolso, molhou a garganta e chamou aquele que um dia foi o hino da turma.&lt;br /&gt;- Mãe é mãe / Paca é paca &lt;br /&gt;  Mas mulher / Mulher não &lt;br /&gt;  Mulher é tudo... &lt;br /&gt;Cantaram, correram, chutaram lata, reviveram os saudosos velhos tempos em que ainda parecia possível ser feliz. E para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homenagem ao humorista Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda, um sujeito que sempre encarou a verdade pelas costas, como manda a preferência nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-309912681321681597?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/309912681321681597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/309912681321681597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/09/carta-falecida.html' title='Carta à falecida.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-8782612110491184688</id><published>2007-08-27T16:31:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T16:35:11.606-07:00</updated><title type='text'>Os dois lados da mesma moeda.</title><content type='html'>Eram quatro e pouco da manhã quando Carminha tirou o disco de dentro do novo aparelho de DVD que equipa sua sala de estar. &lt;br /&gt;A neta caçula da tradicional família Costa Couto ainda não tinha conseguido dormir quando, do outro lado da cidade, o despertador de Joseílson, José por parte de avô e Ílson por parte de pai, tocou. &lt;br /&gt;Ele pulou da cama, não podia chegar atrasado, já tinha recebido duas advertências. Tomou uma ducha fria enquanto a água para o café instantâneo esquentava. Queimou a língua e saiu correndo.&lt;br /&gt;Carminha se rendeu. Apelou mais uma vez aos remédios e, finalmente, pegou no sono.&lt;br /&gt;Ao chegar à estação, Joseílson se deu conta de que o metrô estava em greve. Correu  para o terminal de ônibus, onde já não cabia mais ninguém.&lt;br /&gt;O barulho da chave entrando na fechadura interrompeu o silêncio que habitava os 450 metros quadrados do apartamento que Carminha ganhou de seu avô. &lt;br /&gt;Era a governanta que acabara de chegar. &lt;br /&gt;No escritório de contabilidade em que Joseílson é assistente, o chefe já começara a perguntar por ele: &lt;br /&gt;- Dona Marta, onde se enfiou aquele imprestável?&lt;br /&gt;Já Evangélica, a governanta, atendia educadamente ao telefone.&lt;br /&gt;- Dona Carmem Costa Couto está descansando e pelo que vejo aqui na agenda, só vai poder falar com a senhora na parte da tarde.&lt;br /&gt;Joseílson tentou ligar, mas o celular estava sem crédito e dona Marta, a recepcionista do escritório, terminantemente proibida de aceitar chamadas a cobrar. &lt;br /&gt;Na casa de Carminha, o telefone não parava de tocar. O movimento liderado por ela, as Socialights, um grupo de mulheres muito bem nascidas e engajadas, ativistas sim, mas com muita classe e sofisticação, promovia campanhas comunitárias, coletas de donativos e agora, a última moda, passeata de famosos e famosas em vias públicas.  &lt;br /&gt;Já é hora do almoço e Joseílson continua tentando chegar ao trabalho. O metrô está em greve, o trânsito no terminal de ônibus inviável e o tumulto na estação de trem é assustador.&lt;br /&gt;Passa do meio-dia quando o motorista de Carminha chega. Pela manhã, faz todo o serviço de banco, busca as roupas na lavanderia, as compras no empório e, à tarde, reserva para a patroa.&lt;br /&gt;Ao voltar para casa, o motorista de Carminha cruzou com o amigo Joseílson, que  cambaleava pela rua. Parou o carro e o levou de carona. &lt;br /&gt;Depois de muito custo, Joseílson conseguiu ligar para o chefe. Tentou explicar o que acontecera, mas não adiantou, foi demitido via Embratel.   &lt;br /&gt;No sábado, Carminha aproveitou para se recuperar da noite de sexta e Joseílson custou a curar a tremenda ressaca e a terrível dor de cabeça que o atacaram impiedosamente. &lt;br /&gt;No domingo, Carminha liderou a tal passeata, enquanto Joseílson prestigiou o programa de leitura para crianças carentes criado por sua irmã, a terceira da família de quinze. &lt;br /&gt;Exausta, Carminha adormeceu enquanto revisava as últimas tendências de moda em uma revista italiana. Do outro lado da cidade, Joseílson também não resistiu e tombou sobre os classificados do jornal em que procurava por um novo emprego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-8782612110491184688?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8782612110491184688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8782612110491184688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/08/os-dois-lados-da-mesma-moeda.html' title='Os dois lados da mesma moeda.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-3915763707213702161</id><published>2007-07-17T11:45:00.000-07:00</published><updated>2007-07-19T06:07:08.585-07:00</updated><title type='text'>O Número Dois.</title><content type='html'>Parecia que aquele seria um dia como outro qualquer. Saiu de casa no horário de sempre. Percorreu o mesmo caminho. Entrou debaixo da já conhecida marquise. Tomou posição e se preparou para a tão ansiada hora. &lt;br /&gt;Momento só dele, em que ninguém o chama para brincar, o manda daqui para lá, nem joga algo para que ele pegue. Mas, como nada é perfeito, quando estava prestes a relaxar, foi interrompido de súbito.&lt;br /&gt;- A senhora faça-me o favor de recolher o cocô do seu cachorro. Eu não suporto mais lavar essa bendita varanda todo santo dia.&lt;br /&gt;A velhinha, dona do pobre coitado que já esperava com as patas de trás arriadas, não ouviu bem. &lt;br /&gt;- O que foi minha filha?&lt;br /&gt;- O cocô! A senhora trate de limpar a bosta do seu cachorro do jardim da minha casa.&lt;br /&gt;- Mora aqui faz tempo, é?&lt;br /&gt;- O suficiente pra me encher de recolher sujeira de bicho, que nem é meu, de cima das minhas azaléias. &lt;br /&gt;- Sabe que você parece muito com a minha filha?&lt;br /&gt;Percebendo que a situação se acalmara, ele aproveitou enquanto sua dona tratava de distrair a indignada vizinha.&lt;br /&gt;- Minha filha também levanta assim: cedinho e mal-humorada que só ela… Também é alta, tem cabelo claro… De que signo você é? &lt;br /&gt;- Touro! &lt;br /&gt;- Minha filha é de Peixes. Mora aqui faz tempo, é?&lt;br /&gt;- Não, mas a senhora pelo jeito faz. E muito!&lt;br /&gt;- Desde que nasci. E... A mocinha mora sozinha?&lt;br /&gt;Enquanto as duas se conheciam, o simpático animal não perdeu tempo para aliviar.&lt;br /&gt;- Eu e meu marido nos separamos e eu vim morar nesta casinha branca, linda, para poder ter meu impecável jardim de azaléias.&lt;br /&gt;- O amanhecer é bonito visto daqui, né mesmo?! Não importa quantos se veja, é sempre lindo… E sua varanda tem uma vista tão boa! &lt;br /&gt;Ele então suspirou, se espreguiçou, esfregou as patas na grama e latiu, avisando que já tinha acabado.&lt;br /&gt;- Olha lá! O puto cagou de novo no meu jardim! A senhora não trouxe nada pra pegar, né? Caraca! Espera aí que eu vou lá buscar.&lt;br /&gt;Entrou correndo e irritada, enquanto, tranqüilamente, a dona e seu estimado amigo seguiram caminho. &lt;br /&gt;Ao voltar com o saco plástico em mãos e não encontrar nem a velhinha, nem o animal, a mulher ficou furiosa. Saiu correndo e praguejando atrás dos dois.&lt;br /&gt;O farol abriu, o carro acelerou. Ela atravessou. O carro freou. &lt;br /&gt;Ela se assustou, o saco plástico caiu e estourou.  &lt;br /&gt;O motorista tomou um tremendo susto. Homem bonito, bem vestido e educado apressou-se em querer saber se algo havia acontecido. Desatou o cinto de segurança e saiu pronto a prestar-lhe assistência.&lt;br /&gt;- Você está bem? Eu te machuquei?&lt;br /&gt;Ela, com a voz trêmula de susto:&lt;br /&gt;- Tudo… Tudo bem! Foi culpa minha. Eu atravessei sem olhar, me desculpe, viu?!&lt;br /&gt;- Não, não, eu é quem estava desatento! É… E… Como eu posso ajudá-la? Pra onde você ia com tanta pressa?&lt;br /&gt;Ao se aproximar, ele pisou. A tese de que homem é tudo a mesma merda caiu por terra abrupta e rapidamente, como costumam desmoronar os bloqueios e barreiras que edificamos para nos proteger. Em ato de puro reflexo, ela respondeu: &lt;br /&gt;- Procurar meu cachorrinho! Eu saí pra ele... Sabe?! &lt;br /&gt;O homem olhou para o sapato, que ainda brilhava de novo, e não evitou o tom irônico.&lt;br /&gt;- Sei, sei como é: filhote dá um trabalho danado! &lt;br /&gt;Sem graça, ela continuou:&lt;br /&gt;- Aí, quando fui recolher a sujeira dele, ele fugiu. Eu saí correndo e atravessei sem olhar, me desculpe, que vergonha... Meu Deus...&lt;br /&gt;- Calma! Vamos dar uma volta de carro pra ver se a gente encontra o bichinho. Eu levo você.&lt;br /&gt;- Que tal – ela tratou de pensar rápido - a gente passar na minha casa primeiro? Olha lá: tá vendo ali? É aquela com jardinzinho de azaléias! Vamos lá para você limpar seu sapato.&lt;br /&gt;- Mas e o cachorro?&lt;br /&gt;- Pelo que eu conheço, ele volta. O máximo que pode acontecer é uma senhora muito simpática e boazinha, que mora no outro quarteirão, trazer ele até aqui.&lt;br /&gt;Saíram juntos naquela e em muitas outras oportunidades. &lt;br /&gt;O tempo a fez desistir e trocar o inviável jardim de azaléias por um invejável gramado japonês, que hoje decora a entrada da casa onde vive com o marido, o número dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-3915763707213702161?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3915763707213702161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3915763707213702161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/07/o-nmero-dois.html' title='O Número Dois.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-4557969467041347035</id><published>2007-06-28T16:43:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T07:58:29.817-07:00</updated><title type='text'>Ao Querido Doutor José.</title><content type='html'>Ele não é alto nem baixo, gordo nem magro. Também não é feio nem bonito. &lt;br /&gt;O lugar comum é onde se sente realmente à vontade. A normalidade &lt;br /&gt;é seu berço e a monotonia seu lazer. &lt;br /&gt;Criticado, mal ou bem falado, não lhe interessa. Ele é assim, e assim não quer deixar de ser. &lt;br /&gt;Enquanto isso, seus amigos de infância continuam fazendo de tudo para testar seus limites. Desafio que se torna cada vez mais arriscado &lt;br /&gt;à medida que eles envelhecem. Como excelente observador e acompanhante que é, adora observar, filmar, fotografar e quando alguém sofre algum acidente, fratura, torção, ou simplesmente toma uns drinques a mais, ali está para ajudar.&lt;br /&gt;Nada tem ele de especial. Seus cabelos não são claros nem escuros, nem lisos e nem crespos. Seus olhos não refletem tristeza nem tampouco brilham de alegria. Não é ignorante, desinteressado ou alienado, mas não abraça causa nenhuma. &lt;br /&gt;Gosta de saber um pouco de tudo, mas sem se aprofundar em nada. Estudo aprofundado é impossível sem que se estabeleça contato íntimo com o lado mais obscuro do objeto ou fato a ser estudado, parte que ele prefere ignorar, então, o melhor mesmo foi acumular conhecimentos superficiais sobre quase todas as coisas se tornando assim um generalista para poder participar do início de quase todas as conversas, sobre quase todos os temas. &lt;br /&gt;Desta maneira, suas considerações sempre acabam sendo ressaltadas como as mais razoáveis e convenientes, já que ninguém nunca lembra exatamente o que ele disse, muito menos em que momento e a que altura da discussão. &lt;br /&gt;Conseguiu destaque onde trabalha graças ao seu muralismo. Nunca deixa claro se está de acordo ou não, se acha certo ou errado. Tática desenvolvida ao longo dos anos e que provou ser bem mais eficiente do que o silêncio, que costumava guardar e que o permitia seguir sempre a direção dos bons ventos.   &lt;br /&gt;Em família, é ele quem concorda com os mais velhos sem tirar a razão dos mais jovens, por isso, ao menor sinal de conflito ou discórdia entre gerações é imediatamente chamado.&lt;br /&gt;Poucos sabem exatamente o que faz da vida, como vive, em que país, região, cidade ou bairro nasceu, mas ninguém parece se importar com isso. Para a grande maioria dos mortais, a origem diz quem você é e quem poderá vir a ser, o que não se aplica ao caso dele. &lt;br /&gt;Seu passado desconhecido tornou-se uma espécie de mistério que só veio valorizar ainda mais sua figura. &lt;br /&gt;O imaginário coletivo tratou de atribuir-lhe parentescos e ascendências com as quais ele nem sequer sonharia.&lt;br /&gt;Uma corrente defendia que era descendente direto dos primeiros donos da empresa de exportação e importação da qual já era gerente. Outros diziam que era aparentado pelos investidores estrangeiros. &lt;br /&gt;Graças ao seu jeito neutro de ser, é candidato a ocupar o cargo de vice, que rapidamente, todos apostam cegamente, o levará à presidência. &lt;br /&gt;- Eu estou torcendo por aquele rapaz, o moço da gerência... Como é mesmo o nome dele?&lt;br /&gt;- Aquele que não é bonito nem feio, nem alto nem baixo, nem gordo nem magro?! Também tô torcendo por ele.&lt;br /&gt;- Gente fina! Não conheço não, mas só de olhar já dá pra ver que o cara é boa gente.&lt;br /&gt;- Eu nunca ouvi falar dele: nem bem, nem mal!&lt;br /&gt;- Eu também não.&lt;br /&gt;Voz que se levantasse contra não foi ouvida. Nem os mais antigos e aguerridos pretendentes ao posto se atreveram a fazer oposição. Foi alçado à vice-presidência sem que ninguém tivesse coragem de lhe fazer frente. &lt;br /&gt;Como previsto, logo desbancou o presidente assumindo de vez. Passados alguns anos, se aposentou e transformou-se em um mito, uma lenda, um exemplo a ser seguido. &lt;br /&gt;É unanimidade, mesmo que ainda dê caldo para algumas conversas de corredor.&lt;br /&gt;- Mas o quê exatamente fez esse homem para ir tão longe?&lt;br /&gt;- Exatamente eu não sei, mas fez muita coisa.   &lt;br /&gt;- Coisa que não acaba mais!&lt;br /&gt;- Por exemplo... Por exemplo...&lt;br /&gt;- O conserto da calha, a reforma do refeitório, a divisão das vagas no estacionamento...&lt;br /&gt;- ...E mais um montão de coisas.&lt;br /&gt;- Não foi ele que publicou aquele artigo, naquela revista?&lt;br /&gt;- Acho que foi ele mesmo.&lt;br /&gt;- O cara é bom, muito bom!&lt;br /&gt;Quando seu dia chegar, tem a absoluta certeza de que lá estarão familiares, antigos colegas de trabalho e também seus sucessores, que não saberão bem qual função desempenham na empresa, mas lamentarão a perda repetindo:&lt;br /&gt;- Não se faz mais homem como ele.&lt;br /&gt;Aos mais atentos e observadores dedicará o esclarecedor epitáfio, gravado em letras minúsculas, na lápide já encomendada e paga à vista: aqui jaz Zé Ninguém, desocupado e despreocupado como sempre esteve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-4557969467041347035?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4557969467041347035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/4557969467041347035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/06/ao-querido-doutor-jos.html' title='Ao Querido Doutor José.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-7235155085884558616</id><published>2007-05-11T16:30:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T06:34:45.288-08:00</updated><title type='text'>Diálogo Interno.</title><content type='html'>Ninguém mais estranhava ao vê-lo falando sozinho. Na verdade, o menino passava os dias a murmurar. Quanta preocupação já despertara em seus familiares, colegas e conhecidos. Demorou muito a falar e pouco conversava com os outros. Já com ele mesmo, em pensamento, se agarrava em intermináveis e acirradas discussões e também em demoradas e amigáveis tertúlias. Só, já se sentia suficientemente acompanhado.&lt;br /&gt;Conhecidos e curiosos se aproximavam, puxavam conversa, tentavam o impossível, participar daquele interminável solilóquio.&lt;br /&gt;Sozinho, ele já havia dado novos rumos à humanidade. Ainda não tinha encontrado a salvação propriamente dita, mas sentia estar mais perto do que nunca. Não usava camisa de botões, pois estes pareciam estar sempre querendo se meter em seus pensamentos e nunca acrescentavam grande coisa. &lt;br /&gt;Quando ainda era menino foi levado à igreja onde um padre disse que aquilo não era bom sinal. Após algumas severas sessões de exorcismo, o menino começou a murmurar também em latim.&lt;br /&gt;Seus amigos imaginários eram das mais variadas raças e nacionalidades, mas tinham um dialeto comum.&lt;br /&gt;Exames e mais exames foram feitos, por aqui e no exterior, mas nada foi constatado. Ao que tudo indicava, não existia motivo físico nem tampouco metafísico para tamanho recolhimento. &lt;br /&gt;Juntas médicas e científicas estudaram à exaustão o caso do garoto, que agora já era um adolescente, e nada descobriram de anormal.&lt;br /&gt;A família já esgotara todos os seus recursos e resolveu apelar para a mídia. Recorreu a um programa de auditório de uma emissora de grande audiência. &lt;br /&gt;Juntaram uma pequena fortuna e partiram em busca de uma explicação, cura, qualquer coisa. Algo ou alguém que pudesse dizer o que tinha o menino, o que se passava com aquela pobre criatura.&lt;br /&gt;Foram meses de testes e pesquisa. O menino foi isolado.&lt;br /&gt;Novamente em maus lençóis e desta vez no estrangeiro, a família fez outro apelo. Desta vez, pediram ajuda à comunidade científica. Conseguiram hospital, acomodações, atendimento e medicamentos. &lt;br /&gt;Acostumaram-se e no hospital passaram a viver. Foram anos e anos de vigília e insistente esperança, mas o menino, que já fora um rapaz e agora era um homem feito, parecia só se interessar pelo que ele mesmo tinha a dizer, mas não contava para ninguém.&lt;br /&gt;Várias e revolucionárias técnicas foram usadas. Psicólogos, lingüistas, especialistas das mais diversas áreas foram consultados e o diagnóstico era sempre o mesmo: o menino é absolutamente normal.&lt;br /&gt;Verdade que parentes e amigos também insistiam de que tudo não passava de coisa da cabeça deles, dos pais. Já estes teimavam que o problema era na cabeça dele, do filho, e assim anos se passaram. &lt;br /&gt;Velhos e bons amigos deram lugar a novos conhecidos e também aos curiosos.&lt;br /&gt;Ele, o adolescente que agora já era um homem, continuava calado aos ouvidos alheios, mas em sua cabeça nunca houve tanto e tão proveitoso movimento. Seu universo particular se transformara em uma espécie de salão dos nobres, onde gente do mais alto calibre intelectual e filosófico realizava animados encontros regados ao melhor vinho da terra. &lt;br /&gt;Foi lá, no Olimpo de sua imaginação, onde viviam e conviviam seus verdadeiros Deuses, que ele ouviu Jorge Luiz Borges, o escritor argentino, dizer que a idéia de morte lhe provocava um cansaço ao qual chamava de estafa diária. Também foi em uma dessas reuniões que ouviu a frase que deu início ao movimento existencialista, dita por Jean Paul Sartre, em mais um arroubo de genialidade: &lt;br /&gt;- A vida é um estado de pânico em um teatro em chamas. &lt;br /&gt;Frase rebatida imediatamente pelo filósofo chinês Confúcio: &lt;br /&gt;- Só pode ser feliz sempre quem vê o lado bom de tudo. &lt;br /&gt;Que foi contestado pelo reconhecido escritor francês Gustav Flaubert:&lt;br /&gt;- A felicidade é um monstro e quem a procura sempre recebe o justo castigo. &lt;br /&gt;Confúcio não se conteve e retrucou com veemência:&lt;br /&gt;- A euforia da riqueza confunde os conceitos de justo e injusto. &lt;br /&gt;Distraído e mergulhado nas profundezas de seu subconsciente sombrio, Sartre, pensando alto, declamou:&lt;br /&gt;- Vida, sinônimo concreto de desespero, sina dos aflitos. &lt;br /&gt;Querendo dar novo rumo à conversa, exclamou um autoritário Leon Tolstoi:&lt;br /&gt;- Viver para os outros! Não há outra maneira de ser feliz!           &lt;br /&gt;Aos olhos de todos deste mundo, o homem parecia ser mudo, autista, ou simplesmente matusquela. Mas em seus pensamentos fazia parte de uma reservada confraria de sábios e mecenas. Ainda que silenciosa, tinha absoluta certeza de que sua participação era percebida, principalmente quando esboçava um sorriso diante da afiada argumentação que se estabelecia em torno de alguns temas.&lt;br /&gt;Ludwig Van Beethoven levantou a lebre:&lt;br /&gt;- A música é uma ciência muito mais importante e reveladora do que a filosofia. &lt;br /&gt;A frase mexeu com os brios de Betrand Russel que levantou voz em defesa da categoria:&lt;br /&gt;- Você diz isso porque os artistas são, por definição, menos felizes e mais solitários do que nós, homens da ciência. &lt;br /&gt;O tímido, e até então calado escultor Auguste Rodin, sentenciou: &lt;br /&gt;- O verdadeiro artista é todo homem que realiza seu trabalho com amor e prazer. Seja qual for o trabalho.&lt;br /&gt;Depois desta, restou-lhes assuntos mais mundanos. Desta vez, quem começou foi Napoleão Bonaparte:&lt;br /&gt;- A única batalha que se ganha fugindo é contra as mulheres.&lt;br /&gt;A esta, um risonho e divertido William Shakespeare emendou:&lt;br /&gt;- A mulher pode até ter sido feita por Deus, mas foi temperada pelo diabo.&lt;br /&gt;Ao ouvir tal afirmação, Platão, famoso por sua humildade, desdenhou:&lt;br /&gt;- Deus é bom, mas não é o autor de todas as coisas, só daquelas que o homem acredita que Ele fez.&lt;br /&gt;Ao sentir que a conversa enveredara por um caminho que para ele não tinha a menor graça, e ao ver sua entrada em mais uma clínica de medicina e cuidados experimentais ser recusada por causa de uma falha do computador, pensou com ele:         &lt;br /&gt;- Em um mundo onde a palavra não vale mais nada, e-mail virou código de honra. &lt;br /&gt;Pensou, sorriu, falou e decidiu seguir calado por mais um bom tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-7235155085884558616?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7235155085884558616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7235155085884558616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/05/dilogo-interno.html' title='Diálogo Interno.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-7079448843298981031</id><published>2007-03-08T13:48:00.001-08:00</published><updated>2007-12-26T06:36:04.716-08:00</updated><title type='text'>Eles também amam.</title><content type='html'>Ele:- E aí, tudo bem? Você vem sempre aqui?&lt;br /&gt;Ela:- Só… Só venho. E você?&lt;br /&gt;Ele:- Nem… Tava de passagem e vi o pessoal todo de preto, as tattoos, os cabelos ensebados, coloridos, resolvi parar. Sou ligadão em encontros de motoqueiros, convenção de tatuagem... Você é de algum clube?&lt;br /&gt;Ela:- Isto aqui não é convenção nenhuma e nem reunião de motoqueiros. E eu não sou de nenhum clube que me aceite como sócia. Eu sou Emo!&lt;br /&gt;Ele:- Pára com isso! Tá me tirando?! A moçada aí é tudo mano, tô ligado… Tá me testando, né?! Mina esperta. Então, tá no barato de dá um rolê de moto? &lt;br /&gt;Ela:- Eu não sou mina de motoqueiro. &lt;br /&gt;Ele:- Sou motoboy, mas sou limpinho! Vamô nessa, a cidade tá vazia, lua cheia, o canal pra andar de motinho.&lt;br /&gt;Ela:- Eu não…&lt;br /&gt;Ele:- Com este visual e num pico irado deste?! Vamô aí… Sou cachorro louco, mas não mordo não!&lt;br /&gt;Ela:- …Não sou mina de motoqueiro, já falei: eu sou Emo!&lt;br /&gt;Ele:- Quer dizer que você é assim… Quero dizer... Gosta de outras minas?&lt;br /&gt;Ela:- Não burro! Não disse Homo, disse Emo. Se escreve com E, e não com H.&lt;br /&gt;Ele:- Conheço essa parada não! É coisa de burguesinha, é?&lt;br /&gt;Ela:- Não! É um movimento existencialista neo-pós-moderno, com influência da estética gótica e do som dark. Já ideologicamente, a proposta é mostrar a desesperança, muito mais do que a revolta, o que é uma pena; sentimento que abala toda uma geração. A juventude de hoje assiste passiva ao planeta sendo destruído por imperialistas assoberbados que negociam com vidas, que trocam almas por óleo e poder. A gente fica muito preocupada e muito triste com esta situação... Emocionada, entendeu?!&lt;br /&gt;Ele:- Só! Não conheço o som, mas você tá falando igualzinho o Mano Brown. Aí... Vem cá, Ema não pode andar de moto não?! É tipo assim... Uma religião?&lt;br /&gt;Ela:- Não é Ema! É Emo, de Emotions: emoções em inglês. A gente acha que o mundo deveria ser mais sensível às causas nobres que refletem em todo o planeta, como o aquecimento global, por exemplo. Uma bomba que cai lá no Iraque, ou lá em Bagdá tem efeitos que refletem aqui. O planeta é uma coisa só, a casa de todos nós. A insensibilidade dos responsáveis por estabelecer uma nova ordem mundial diante destas questões fere a nossa sensibilidade. Toda essa dor e tristeza íntima, nosso movimento expressa através da música, das roupas, do nosso jeito de ser, existir e agir. Entendeu agora?&lt;br /&gt;Ele:- Só! Tem certeza que isso aí não é letra de rap? Já me liguei que tu é cabeça.&lt;br /&gt;Ela:- Escuta só o som que tá rolando, presta atenção.&lt;br /&gt;Ele:- É uma parada meio U2, só que mais lenta e com o cara que canta imitando uma mina, né?!&lt;br /&gt;Ela:- Não, nada a ver! Muito mais autêntico, original, você sente no peito, no coração.&lt;br /&gt;Ele:- É o bumbo!&lt;br /&gt;Ela:- O quê?&lt;br /&gt;Ele:- É o bumbão que bate no peito: bum-bum, bum-bum! Quando o pagode ferve lá na vila a gente sente o bichão batendo no peito: bum-bum, bum-bum! &lt;br /&gt;Ela:- Você toca bumbo num grupo de pagode?&lt;br /&gt;Ele:- Eu não, um chegado meu. Mas viu, então… Desculpa a persistência, mas só por que você é Ema não pode andar de moto não?&lt;br /&gt;Ela:- Emo! Eu sou Emo! E uma coisa não tem nada a ver com a outra.&lt;br /&gt;Ele:- Mas você é mina, quero dizer é Emo mulher?&lt;br /&gt;Ela:- Do quê você tá falando?!&lt;br /&gt;Ele:- Da natureza, ué?! Sempre tem um macho e uma fêmea. Com vocês deve ser assim também, deve ter o Emo e a Ema, quero dizer, o Emo homem e a Emo mulher.&lt;br /&gt;Ela:- Emo não é sexo. É atitude!&lt;br /&gt;Ele:- Mas tem homem e mulher?&lt;br /&gt;Ela:- Lógico que tem.&lt;br /&gt;Ele:- Você é Emo macho ou Emo fêmea?&lt;br /&gt;Ela:- Fêmea... Quero dizer, mulher!&lt;br /&gt;Ele:- E gosta de Emo macho?&lt;br /&gt;Ela:- Isso não existe, é paradoxal, não tem como! &lt;br /&gt;Ele:- Quero dizer, assim… Vamos supor: se for pra namorar, você namora macho ou fêmea?&lt;br /&gt;Ela:- Macho… Quero dizer homem… Pára de falar deste jeito que já tá me deixando confusa.&lt;br /&gt;Ele:- Então, se você é Emo mulher de verdade mesmo... Vamô aí comigo, vamô dá um rolê de moto.&lt;br /&gt;Ela:- Que é, heim?! Tá duvidando, é?! Tá achando que eu sou delicada demais, mulherzinha demais? Que não tenho coragem de andar de moto com você? Que só porque sou sensível, me importo com a fauna, a flora e me entristeço quando reflito sobre o futuro da humanidade… Que por causa disso eu não passo de uma patricinha covarde? É isso que você tá pensando, é? &lt;br /&gt;Ele:- Tô achando que esse papo de Emo, Ema, esse som... É tudo coisa de plaibói.&lt;br /&gt;Ela:- Tá legal, então vamô aí… Mano...&lt;br /&gt;Ele:- Olha aí, a Ema ficou irada.&lt;br /&gt;Ela:- É Emo, idiota!&lt;br /&gt;Ele:- Ai-ai! Não aperta aí… Faz assim não que dói!&lt;br /&gt;Ela:- Então, não me chama mais de Ema e acelera esta porcaria.&lt;br /&gt;Ele:- Demorô!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-7079448843298981031?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7079448843298981031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/7079448843298981031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/03/eles-tambm-amam_08.html' title='Eles também amam.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-8808296300745519758</id><published>2007-02-26T15:50:00.000-08:00</published><updated>2007-03-08T13:48:07.293-08:00</updated><title type='text'>Nem todo sonho acabou.</title><content type='html'>Aquecimento feito, o apito ordena que comecem a marcação. &lt;br /&gt;Entram os tamborins. Sobe pela espinha o arrepio que provoca o frio na barriga, acelera o coração e anuncia a entrada da Escola na avenida.&lt;br /&gt;Picolé toma um longo trago de fôlego, ele é o puxador. Ao seu lado, outros cantores, cantoras, o pessoal que empurra o carro de som, enfim, quem não deixa o samba atravessar.&lt;br /&gt;O enredo histórico, Brasil Colônia do Perfume Francês à Seiva de &lt;br /&gt;Alfazema, composto por fantasias clássicas, acompanhadas por carros e alegorias suntuosas, encantou.&lt;br /&gt;No dia do desfile competitivo, a Escola levantou a arquibancada. &lt;br /&gt;Agora, como Campeã do Carnaval, não poderia fazer diferente.&lt;br /&gt;À frente da velha guarda, seu Alaor, de fraque e cartola, conduz Marizete pelo braço. Ela comanda a evolução das damas, que vêm com seus pares e sombrinhas dançantes. Os dois formam um belíssimo casal de mestre-sala e porta-bandeira.&lt;br /&gt;No carro abre-alas, Lucia é o destaque. Atributos para tanto não lhe faltam, que beleza de menina, e que carisma. &lt;br /&gt;Entra pulando em cima de um vidro de perfume que imita os peitos da cantora Madonna, referência a obra de um extravagante estilista francês. De tempos em tempos, a monumental embalagem borrifa água nos passistas e foliões, um luxo.&lt;br /&gt;Picolé chama o refrão. Logo a platéia vai com ele. Um coro composto por milhares de vozes canta o samba enredo composto por Raimundo de Oliveira. &lt;br /&gt;Sua voz embarga, mas ele continua levando sua Escola com sangue, suor e agora, lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;Dora desfila no chão, fala no pé. Sempre acompanhada pelo Mestre, ostenta a faixa, o cetro e a coroa de Rainha da Bateria. Cadeiras soltas, cintura firme, pés ágeis, que sorriso, que simpatia, que beleza de mulher, e ainda samba. A branquela coloca muita mulatinha no chinelo.&lt;br /&gt;O apito soa. Ordena o breque. Agora é com Osvaldo, que vem na coordenação. A bateria faz uma manobra perfeita, melhor até do que no dia da apresentação oficial. Entra no recuo e espera a Escola passar. Tudo sob o olhar atento do pai, que observa orgulhoso Osvaldo Júnior fazer, e bem, a sua vez na linha de frente.&lt;br /&gt;A ala das baianas é formada pelas quituteiras e mulheres rendeiras de Cidade Baixa, que giram suas saias amarelas e fazem brotar um canteiro de girassóis em plena avenida.&lt;br /&gt;Atrás da bateria, trazendo a ala infantil, Amália vem como coordenadora chefe. Ela é a principal responsável pelo timing e desenvolvimento perfeitos da Escola durante as duas apresentações. &lt;br /&gt;Podem falar o que quiserem, mas a mulher acerta o passo e o compasso da moçada.&lt;br /&gt;Ao apontar na apoteose, as crianças, que trazem nas mãos ramos de louros embebidos em seiva de alfazema e ungem a passarela, encerram um dos desfiles mais empolgantes que a Marquês de Sapucaí, desde que se chama assim, já viu.&lt;br /&gt;De repente, alguém salta da multidão e cumprimenta Picolé. Aperta sua mão. Pelo aperto, Picolé reconhece Amâncio. O bicheiro, patrono da escola e marido de sua amante, ou Picolé é quem era amante da mulher de Amâncio. Fato é que os dois andaram se pegando e agora quem vivia para pegar Picolé era o poderoso bicheiro e seus capangas.&lt;br /&gt;Pronto! Mais uma vez o corno, desgraçado arruinou o sonho de Picolé, que acordou suando e com o coração querendo saltar pela boca.&lt;br /&gt;Aquilo não podia continuar. Todo Carnaval era a mesma coisa, mas, ao mesmo tempo, ir até o Rio de Janeiro parecia ser uma idéia um tanto idiota.&lt;br /&gt;Ao chegar lá, procuraria por Dora, que levou com ela Lucia. A mulher ama sambar e freqüenta regularmente a quadra da Mangueira. Grã-fina daquele jeito, dona daquele rebolado, sempre acompanhada de uma belezura de menina, não seria difícil encontrá-la. Difícil seria convencê-la a subir o morro e ir falar com Dininho Boca Suja; pedir para que ele interviesse em seu favor junto a Amâncio.&lt;br /&gt;Dininho, comerciante barra pesada por quem Dora fora apaixonada, tinha grande influência em uma das principais áreas franqueadas por Amâncio, que, com certeza, não só, mas também por isso, atenderia ao pedido de clemência.&lt;br /&gt;- Já fiz coisa muito mais idiota do que isto e ainda estou aqui… Vivo! &lt;br /&gt;Picolé pensou rápido e não mais do que uma única vez. Foi até o escritório, na verdade o estoque, se sentou em cima de uma caixa, empilhou outras duas que serviram de mesa para ele apoiar o pedaço de papel e escrever a carta em que dizia deixar o bar Samba do Crioulo Doido sob os cuidados de seu Alaor e Osvaldo.&lt;br /&gt;Entregou a carta junto com as gravações de suas apresentações a Marizete para que tudo chegasse às mãos de seu Alaor.&lt;br /&gt;Pegou apressado o trem, foi até a rodoviária mais próxima e tomou atrasado o ônibus para o Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;A noite que, até então, parecia normal e corriqueira, tomou ares de drama assim que Marizete chegou e entregou o pacote a Alaor.&lt;br /&gt;Estavam lá: Osvaldo, que já colocara a mesa para o jantar. Júnior, que fazia seu dever de casa e Amália, que acabara de chegar da loja.&lt;br /&gt;Seu Alaor abriu primeiro a carta. A idéia agradou, e muito, a Marizete, que agora além do salão, teria um bar dançante para receber suas clientes. &lt;br /&gt;Como não poderia deixar de ser, desagradou Amália na mesma intensidade e proporção. Enquanto uma estava eufórica, a outra se encontrava a beira da histeria.&lt;br /&gt;Osvaldo ficara encarregado de fechar tanto o caixa quanto o bar. O que implicava em Marizete ter que ficar em casa para preparar o jantar e cuidar de Júnior, situação até então inédita para ela.&lt;br /&gt;Ninguém ali fazia a mínima idéia das conseqüências e confusões que a decisão estapafúrdia e a intempestiva atitude de Picolé trariam.&lt;br /&gt;Osvaldo:- Bom, aconteça o que acontecer… Que Deus o proteja… E que ele consiga o que quer.&lt;br /&gt;Seu Alaor:- O homem não abandona seu sonho. O sonho é que abandona o homem.&lt;br /&gt;Os dois brindaram à coragem e insensatez do amigo.&lt;br /&gt;Osvaldo e seu Alaor:- Grande Picolé!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-8808296300745519758?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8808296300745519758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/8808296300745519758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/02/nem-todo-sonho-morreu.html' title='Nem todo sonho acabou.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-3645465187307640967</id><published>2007-02-14T14:19:00.000-08:00</published><updated>2007-07-10T14:13:21.507-07:00</updated><title type='text'>A Trindade da Santa Paciência.</title><content type='html'>Consciência:- Achei vocês.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Meu Deus do céu... Minha Nossa Senhora…&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Aaaiiih…&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Que susto!&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Endoidou?&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Tá mais pra lá do que pra cá?  &lt;br /&gt;Bom-Senso:- Perdeu o juízo?&lt;br /&gt;Consciência:- Tava brincando, seus bobalhões.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Tá desocupada?!&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Também, daqui até depois do Carnaval, ninguém dá a menor atenção pra gente.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Isso é verdade... Nesta época a gente entra numa baixa danada.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Bom meu caro, você tá em baixa faz tempo.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Olha quem fala... Até parece que tua cotação tá muito alta.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- É que ser radical voltou à moda, mas já, já passa.&lt;br /&gt;Consciência:- Gente, não há razão pra discussões.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- E você… &lt;br /&gt;Bom-Senso e Meio-Termo:- …A cada ano que passa ela fica mais gorda.&lt;br /&gt;Consciência:- Só até depois do Carnaval, daí, é aquela correria... Aquela tremenda apelação para aliviar tanto peso... Isso para não falar na dor.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Coitada, todo ano é a mesma coisa.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Não seria assim se você fizesse bem o seu trabalho.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Olha só quem tá falando?! &lt;br /&gt;Consciência:- Calma gente! Não é culpa de nenhum de vocês.&lt;br /&gt;Meio-Termo e Bom-Senso:- Então a culpa é tua.&lt;br /&gt;Consciência:-…!&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Pronto… Magoou.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- E tem mais: se o mundo tá cheio de extremistas, eu não tenho nada a ver com isso.&lt;br /&gt;Consciência:- Hummm… Será?&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Tem sim! Isso acontece porque você nunca tá onde deveria.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Sabe de uma coisa: acho que todos nós temos uma parcela de culpa. A culpa é dos três e de ninguém ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Vai ficar em cima do muro? Novidade!&lt;br /&gt;Consciência:- Tomara que caia! Tomara que caia! &lt;br /&gt;Bom-Senso:- Por favor, não piore as coisas. Já é chato e me incomoda o suficiente assistir ao tremendo bunda-lê-lê que virou isto tudo.&lt;br /&gt;Consciência:- Daqui eu não saio / Daqui ninguém me tira... A bagunça nem bem começou e eu já tô toda dolorida, me doem as pernas, as costas, a cabeça.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Eu queria tanto poder fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Melhor tu ficar na tua porque, nesta época, se tem alguém de quem ninguém quer saber, este alguém é você!&lt;br /&gt;Consciência:- Isso é verdade. É triste, mas é verdade.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Consciência, este é um momento em que deveríamos dar as mãos.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Também não precisa apelar, né?!&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Às vezes, apelar para a consciência é a única coisa que se tem a fazer.&lt;br /&gt;Meio-termo:- Mas tu é um tremendo cara-de-pau… Puxa-saco.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Ossos do ofício!&lt;br /&gt;Consciência:- Vocês estão brigando por minha causa?&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Sim e não!&lt;br /&gt;Consciência:- Como assim?!&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Não conhece?! Nunca fala nada que se aproveite, tá sempre com um pé em cada canoa… Vive desconversando.&lt;br /&gt;Meio-termo:- Ossos do ofício! &lt;br /&gt;Bom-Senso:- Que se eu não fosse quem sou quebrava um por um.&lt;br /&gt;Consciência:- Gente, por favor, não briguem por minha causa!&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Todo ano, nesta mesma época, a gente entra em crise. &lt;br /&gt;Meio-Termo:- Pra mim não muda muita coisa. Nunca ninguém quer saber de mim mesmo.&lt;br /&gt;Consciência:- Eu ganho tanto peso, mas tanto… Depois passo o resto do ano sofrendo, pagando promessa, tentando perder.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Eu levo a culpa. É incrível, não sou convidado, fico de fora e levo a culpa: faltou Bom-Senso aqui… Você poderia ter tido um pouco mais de Bom-Senso ali… Um tormento!&lt;br /&gt;Consciência:- Eu vou ligar a tevê.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Eu vou dormir até a algazarra acabar.&lt;br /&gt;Consciência:- Olha lá, olha lá… Tão transmitindo o ensaio. Eu sou Portela!&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Eu sou Mocidade Independente de Padre Miguel.&lt;br /&gt;Consciência:- E você, Meio-Termo? &lt;br /&gt;Meio-Termo:- Eu torço para que vença o melhor.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Ah não, no Carnaval não. Na Copa, você veio com aquela desculpa politicamente esfarrapada e agora essa.&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Verdade! Acho que todas têm o seu valor.&lt;br /&gt;Consciência:- Ah, vê se dá um tempo, até eu já tô com o saco cheio disso... Fala aí, o Homem não tá ouvindo não, bobo.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Ôh Consciência, não pega bem você ficar falando desse jeito. Isso lá é conselho que se dê?!&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Eu também acho!&lt;br /&gt;Consciência:- Tá bom... Tá bom... Desculpa.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Também não acho que seja um bom exemplo você ficar aí assistindo isso.&lt;br /&gt;Consciência:- Você não estava indo dormir, heim?! &lt;br /&gt;Bom-Senso:- Só estou vendo se está tudo trancado. E você Meio-Termo, vai ficar por aí?&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Não, não! Eu vou ficar um pouco por ali, um pouco por lá... Pode ir dormir que eu já tô de saída.&lt;br /&gt;Consciência:- Vai dormir, vai querido, eu vou ficar aqui quieta no meu canto, ganhando peso... Ossos do ofício!&lt;br /&gt;Meio-Termo:- Eu tô indo, tchá-au!&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Cuidado pra não se perder.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-3645465187307640967?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3645465187307640967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/3645465187307640967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/02/trindade-e-santa-pacincia.html' title='A Trindade da Santa Paciência.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-117059745991313876</id><published>2007-02-04T05:27:00.000-08:00</published><updated>2007-02-09T11:21:44.159-08:00</updated><title type='text'>Onde a festa nunca acaba.</title><content type='html'>Ressaca, a cidade toda parecia se sentir assim. O ano começou preguiçoso e o calor contribuía para desacelerar ainda mais o ritmo.  &lt;br /&gt;Durante o Natal, correu tudo bem. Dia 24, durante a tarde, foi distribuída toda a arrecadação do jogo beneficente, e a&lt;br /&gt;meia-noite cada qual passou com sua família.&lt;br /&gt;Foi na passagem do ano que a coisa complicou. A chegada de Dora tirou de vez a tranqüilidade de Amália, que não  contava com o fato de sua amiga de infância conhecer, e tão bem, Marizete, sua madrasta. &lt;br /&gt;A mulher ficou arrasada. Passou a estampar um sorriso amarelo de latente descontentamento. Bem diferente do passado, magnético, cheio de disposição e autoconfiança. &lt;br /&gt;Pior ainda as coisas ficaram quando Lucia, filha de Marizete, chegou. A garota, um estouro de bonita, desistira da carreira de modelo e viera se aconselhar com a mãe. &lt;br /&gt;A festa no Clube da Glória estava boa e comportada como sempre. Todo mundo bem vestido, a maioria de branco. Uns e outros arriscaram o azul, em busca de paz espiritual, ou o amarelo que, dizia a superstição, trazia dinheiro. &lt;br /&gt;Comida farta, vestidos de baile, a banda da matriz tocando o repertório de sempre. Assim foi até que os fogos de artifício, vindos de Cidade Baixa, coloriram o céu chamando a atenção de Marizete, que teve uma idéia, digamos, iluminada. &lt;br /&gt;A festa no clube estava muito desanimada para o que se espera de um réveillon, e desde que soube da existência do bar Samba do Crioulo Doido, a curiosidade começou a pinicá-la para não mais parar.&lt;br /&gt;Logo após a contagem regressiva, Marizete fez seu pedido.&lt;br /&gt;Marizete:- Alaorzinho, leva eu pra dançar... Tô com tanta vontade!&lt;br /&gt;Seu Alaor:- Dançar?! &lt;br /&gt;Marizete:- Vamos ao bar do seu amigo, o goleiro negão?!&lt;br /&gt;Seu Alaor:- O Picolé! Você quer ir dançar lá no Samba do Crioulo Doido?&lt;br /&gt;Marizete:- Ué, você não disse que é o único na região?! Então tem que ser lá mesmo.&lt;br /&gt;Osvaldo, que andava entediado com as incessantes reclamações de Amália, se animou.&lt;br /&gt;Osvaldo:- Boa idéia! Eu topo.&lt;br /&gt;Amália:- Ficou louco?! Você dançando em Cidade Baixa… Você é pai de família Osvaldo, esqueceu?!&lt;br /&gt;Osvaldo:- E o que tem uma coisa a ver com a outra?&lt;br /&gt;Amália:- Vamos embora... A gente conversa em casa!&lt;br /&gt;Osvaldo:- Eu vou com a Marizete conhecer o bar do Picolé.    &lt;br /&gt;Amália:- Papai…&lt;br /&gt;Seu Alaor:- Vamos lá minha filha, você precisa relaxar um pouco.&lt;br /&gt;Amália:- ...Até o senhor.&lt;br /&gt;Seu Alaor:- Eu acho que ainda me lembro direitinho onde é.&lt;br /&gt;O golpe fatal nas pretensões de Amália, que queria porque queria acabar com a festa, veio quando Dora e Lucia entraram na conversa.&lt;br /&gt;Dora:- Quem falou em sambar? Eu topo!&lt;br /&gt;Lucia:- Êba, eu também vou nessa.&lt;br /&gt;Sem saber o que fazer nem o que dizer, Amália cochichou no ouvido de Osvaldo na tentativa de ganhar algum tempo.&lt;br /&gt;Amália:- Olha só o assanhamento em que estão as duas... Acho que elas já beberam demais!&lt;br /&gt;Osvaldo:- Pára com isso Amália, deixa as moças se divertirem.&lt;br /&gt;Amália:- Moças? Moça, ali,  eu só tô vendo uma!&lt;br /&gt;Osvaldo:- Deixa de ser maldosa…&lt;br /&gt;Dora:- Vamos Amália? A Marizete me falou de um tal de Picolé, um sambista de primeira, tô louca pra conhecer.&lt;br /&gt;Amália:- Ai Dora, sabe o que é: eu acho que Cidade Baixa não é lugar pra gente como a gente. Quero dizer... Pra uma mulher assim... Como você.&lt;br /&gt;Dora:- Agora que eu quero ir mesmo. Adoro lugares que não são pra gente como eu. Quem sabe o caminho? Eu dirijo. &lt;br /&gt;Lucia:- U-hu!&lt;br /&gt;Seu Alaor rapidamente se ofereceu para guiá-las.&lt;br /&gt;Quando se deram conta, Marizete já tinha o microfone nas mãos e convidava a todos para que os seguissem.&lt;br /&gt;A caravana vinda de Cidade Alta foi muito bem recebida pelo pessoal que se divertia como pré-adolescentes em dia de praia e pelada.  &lt;br /&gt;Dora mostrou o que aprendera em tantos carnavais passados no Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;A branquela quando sambava mudava de cor. Cadeiras soltas, cintura firme, pés ágeis, os braços estendidos saudando a todos que, boquiabertos, assistiam. Resultado de muitas noites varadas no berço sagrado do samba, o morro da Mangueira. &lt;br /&gt;Lucia não sambava tão bem, mas não decepcionava não, afinal, o que tinha de bonita lhe bastava para encantar e abalar os princípios dos cavalheiros mais fiéis e renitentes.&lt;br /&gt;Quem foi na deles, recebeu o ano novo cantando e dançando. Quem não foi, ouvia até hoje as lembranças e boas histórias daquela madrugada. &lt;br /&gt;O Samba do Crioulo Doido, aos poucos, foi ganhando fama e começou a ser freqüentado pela terceira geração das mais tradicionais famílias de Cidade Alta. &lt;br /&gt;Picolé virou celebridade. Seu bar tornou-se parada obrigatória para quem vinha de fora, ou não conhecia bem a região. Passou a figurar em guias turísticos e virou sinônimo de descontração e alegria. Até onde se podia ser célebre por aquelas bandas, Raimundo Picolé de Oliveira agora era.&lt;br /&gt;Lucia e Dora se aproximaram e tornaram-se muito amigas. A alegria e juventude da garota era o que faltava para motivar Dora a retomar sua carreira de estilista.&lt;br /&gt;Seu Alaor, Marizete, Osvaldo e Júnior levavam a vida numa boa. Pai e filho se divertiam de um lado, enquanto o casal brincava de outro. Amália se entregou de corpo e alma ao trabalho e nos últimos tempos andava num estresse danado. &lt;br /&gt;Amália:- Osvaldo, de onde essas duas sirigaitas se conhecem? Eu sei que você sabe, trata de abrir o bico!&lt;br /&gt;Osvaldo:- Querida, acho melhor você perguntar pro seu pai.&lt;br /&gt;Amália:- Não me irrita mais do que eu já tô, Osvaldo! O que está acontecendo aqui? Que tipo de armação é essa?&lt;br /&gt;Osvaldo:- Que armação? Você pirou de vez, é?! A Marizete e a mãe da Dora se conheceram lá no Rio de Janeiro, há muitos anos, e ficaram muito amigas. Perderam o contato e agora se reencontraram aqui. Tremenda coincidência, né?! A Dora é madrinha da Lucia, sabia? Como este mundo é pequeno! &lt;br /&gt;Amália:- Chega, pára Osvaldo... Cala essa boca...&lt;br /&gt;Osvaldo:- Ninguém mandou perguntar! &lt;br /&gt;Enquanto isso, em Cidade Baixa o pessoal espanta a preguiça se preparando para o Carnaval, que pelo jeito, vai dar muito do que falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-117059745991313876?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/117059745991313876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/117059745991313876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/02/onde-festa-nunca-acaba.html' title='Onde a festa nunca acaba.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116898749547826598</id><published>2007-01-16T14:29:00.000-08:00</published><updated>2007-01-18T06:35:58.800-08:00</updated><title type='text'>Quando o Bem e o Mal se confundem.</title><content type='html'>Bem:- Tudo bem?&lt;br /&gt;Mal:- Só se for pra você. &lt;br /&gt;Bem:- Pra mim tá tudo sempre bem.&lt;br /&gt;Mal:- Você não existe!&lt;br /&gt;Bem:- Tem muita gente que pensa assim, não acredita, mas quando a coisa aperta… Vixi! É a maior apelação, e eu tô sempre aqui, firme e forte.&lt;br /&gt;Mal:- Opa, calma lá! Nem tão firme, nem tão forte.&lt;br /&gt;Bem:- Tô sim!&lt;br /&gt;Mal:- Então explica aí o Osama, o Saddam e os sunitas, aquela molecada lá de Columbine, para falar do que todo mundo sabe. Explica aí a tremenda zona que tá isso: fome, miséria, conflitos, matanças, destruição... Eu é que deveria ter incendiado a guerra-fria e não aquele caipira metido a caubói.&lt;br /&gt;Bem:- Tudo culpa do Livre-Arbítrio!&lt;br /&gt;Mal:- Você que não é de nada rapaz.&lt;br /&gt;Bem:- Eu sou da paz.&lt;br /&gt;Mal:- Se liga! Presta atenção, olha aí a puta zona que tá esse mundo que seu patrão criou. &lt;br /&gt;Bem:- Já falei: tudo culpa do Livre-Arbítrio!&lt;br /&gt;Mal:- O Bem pondo a culpa nos outros, veja você… Eu é que deveria fazer isso!&lt;br /&gt;Bem:- Não estou pondo a culpa em ninguém.&lt;br /&gt;Mal:- Acabou de falar que é tudo culpa do teu colega lá… Como é mesmo o nome dele? &lt;br /&gt;Bem:- Não coloque palavras na minha boca.&lt;br /&gt;Mal:- Vai dizer que não falou? O Bem vai começar a mentir agora?! Era só o que me faltava.&lt;br /&gt;Bem:- Disse, mas não foi bem isso. Não acusei ninguém de nada.&lt;br /&gt;Mal:- A coisa tá pior do que eu pensava, até o Bem já tá dissimulando. Pelo jeito minhas férias vão ser longas.&lt;br /&gt;Bem:- Não tô dissimulando, tô tentando explicar. Você é que vê maldade em tudo.&lt;br /&gt;Mal:- Eu tava quieto aqui. Você é que veio atazanar minha existência.&lt;br /&gt;Bem:- Quer dizer que você tava aí quietinho, bonzinho?!&lt;br /&gt;Mal:- Quieto sim, bonzinho nunca! O negócio tá uma zona tão grande que eu fiquei aqui, sem ter porra nenhuma para fazer.&lt;br /&gt;Bem:- Essa não! Se esconde... Rápido, vem logo...&lt;br /&gt;Mal:- Olha só... O Bem se escondendo… Quem diria, heim?!&lt;br /&gt;Bem:- Fica quieto! Olha lá quem vem vindo.&lt;br /&gt;Mal:- Quem? O Meio-Termo?!&lt;br /&gt;Bem:- Pior, o Bom-Senso! &lt;br /&gt;Os dois se amoitaram. O Bom-Senso parou, deu um tempo. Precisava descansar, tomar fôlego. De repente, algo ao longe lhe chamou a atenção.&lt;br /&gt;Bom-Senso:- Será que são eles ali… Não, acho que é uma mulher. Ai caramba, é a Consciência... Mas o quê ela veio fazer aqui?! No mínimo tá me seguindo. Deixa eu ir antes que ela chegue querendo discutir a relação, dizendo que a gente tem que andar de mãos dadas… Tô fora… Fui!&lt;br /&gt;O Bom-Senso saiu antes que a Consciência tivesse chance de abordá-lo. &lt;br /&gt;Mal:- Nem teu chapa agüenta a desgraçada. Essa mulher é uma bruxa mesmo.&lt;br /&gt;Bem:- Não fala assim dela. E pensa antes de falar, senão depois vai acabar tendo problemas com a tua patroa.&lt;br /&gt;Mal:- Tô falando bruxa no bom sentido, você não entende o que é isso.&lt;br /&gt;Bem:- É só uma fase. Sabe como é relação… Já, já eles fazem as pazes. É uma crise passageira.&lt;br /&gt;Mal:- É isso aí, enquanto eles estão em crise, eu fico sossegado, na maior moral, relaxadão. Tem idéia de até quando teu pessoal vai dar conta do meu serviço? Pra eu poder me programar, sabe?!&lt;br /&gt;Os dois caíram na gargalhada.&lt;br /&gt;Consciência:- Quem tá aí? Eu tô ouvindo vocês. Querem brincar, né?! Então vamos lá: eu tô quente ou tô fria?&lt;br /&gt;Mal:- Tá fria, tá congelando. Vira… Isso, muito bem… Agora tá esquentando… Vai, vai andando… Assim, por aí mesmo… Vai, vai pra… &lt;br /&gt;O Bem tapou-lhe a boca, mas não pôde fazer nada mais do que isso. Àquela altura, já tinha se tornado cúmplice do Mal, que mais uma vez, se deu bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116898749547826598?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116898749547826598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116898749547826598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2007/01/quando-o-bem-e-o-mal-se-confundem.html' title='Quando o Bem e o Mal se confundem.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116653626494454806</id><published>2006-12-19T05:11:00.000-08:00</published><updated>2007-12-26T06:40:54.660-08:00</updated><title type='text'>C.A.Cidade Alta X E.C.Cidade Baixa</title><content type='html'>Enquanto em Cidade Baixa o pessoal se concentrava para vingar o último jogo beneficente, em Cidade Alta, Marizete tratava de comandar o Comitê Organizador, para despeito de Amália, que desde o casamento do pai era obrigada a engolir em seco a madrasta.&lt;br /&gt;Amália:- Comitê?! Pra quê? Aqui nunca teve disso!&lt;br /&gt;A rixa entre as duas pipocava quando chegou um postal de Dora. No cartão, ela dizia que estaria na cidade para a passagem do ano. Era a grande chance de Amália restabelecer a ordem por ali, mostrar quem é que mandava de verdade no pedaço. Coincidência ou não, as duas se encontraram no correio. A jovem filha de Marizete enviou telegrama dizendo que passaria com a mãe aquele final de ano.  &lt;br /&gt;Osvaldo e seu Alaor se divertiam educando, brincando e vendo Júnior crescer. O menino não parava. Sogro e genro estavam cada vez mais próximos. A parte a força da convivência, desenvolveram em comum o gosto pela vida doméstica. &lt;br /&gt;Já Amália e Marizete, por mais que tentassem, não sossegavam nem conseguiam esconder a má-vontade que reinava soberana entre elas. &lt;br /&gt;O dia do jogo chegou. No campo, tudo estava preparado. Na praça, as barracas, o pódio, o palco, também estava tudo quase pronto.&lt;br /&gt;… E foi dado o pontapé inicial, o Clube Atlético Cidade Alta inicia a partida. Uma saída rápida, perigosa, mas Tinoco perde a bola. Jonas, do Esporte Clube Cidade Baixa, rouba e vem conduzindo pela lateral. Enxerga bem o companheiro do outro lado e inverte o jogo. O Cidade Baixa avança, vamos acompanhar que o lance pode ser perigoso…&lt;br /&gt;A divisão da cidade data do Brasil Colonial. Assim como se formaram muitas outras cidades do país, na parte alta foram construídas as casas dos ricos, dos senhores de engenho e fazendeiros, e na parte baixa ficavam os abrigos dos escravos e colonos, responsáveis pela construção e manutenção da propriedade. Mas, na verdade, na verdade mesmo, a cidade manteve essa nomenclatura porque, quando tentaram mudar para do Sul e do Norte, ninguém mais sabia qual era qual.&lt;br /&gt;… O time de Cidade Alta parece perdido em campo. O Esporte Clube Cidade Baixa aproveita e é só pressão. O árbitro aponta outro escanteio para a equipe de Cidade Baixa, desta vez pela direita. Pelado se encaminha pra cobrança, ajeita com carinho. Autorizado ele partiu, bateu, ela vai descendo, olha o gol olímpico… No pau, a bola bate no travessão e sai… Que chance! Que lance! Que beleza é o futebol! &lt;br /&gt;A rádio local transmitia o jogo que era acompanhado por homens, mulheres e crianças no campo e  pelo rádio, na maioria dos casos, ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Há 15 anos, a peleja beneficente era realizada com o intuito de arrecadar roupas, brinquedos, mantimentos, fundos e tudo mais o que fosse possível. &lt;br /&gt;Aí, no dia 24 de dezembro, durante à tarde, homens, mulheres e crianças partiam em caravana para distribuir o que fora arrecadado. Iam até as populações mais pobres da vizinhança e visitavam as pequenas vilas operárias da região.&lt;br /&gt;… Que dureza! Entrada dura e falta marcada na entrada da área, olha aí, uma boa oportunidade pra equipe de Cidade Alta abrir o placar. Quem vem pra cobrança é o Agenor e ele pega muito bem na bola, vamos ver… Partiu, bateu, o chute sai forte, colocado, olha o gol… Olha o gol… Espalma Picolé, que defezaça… Que chance! Que lance! Que beleza é o futebol!&lt;br /&gt;As únicas pessoas que não pareciam nem um pouco preocupadas com o que acontecia no campo de jogo eram Amália e Marizete. Tudo que uma fazia de um jeito, a outra se apressava em desfazer para refazer de outro bem parecido.&lt;br /&gt;… O juiz apita o final da primeira etapa e o placar se mantém inalterado. O primeiro tempo foi disputado. No começo as equipes se estudaram um pouco, mas dos 10 minutos iniciais em diante o jogo foi franco e aberto. Vamos ver o que acontece na etapa complementar, tô achando que a equipe de Cidade Baixa vai vir pra cima com tudo… &lt;br /&gt;Intervalo, hora de Osvaldo, seu Alaor e Júnior descolarem o ouvido do rádio. Não foram ao campo porque Amália acha Osvaldo Júnior ainda muito pequeno, e depois da briga que houve ano passado, era mais seguro ficar em casa mesmo. Na festa, eles poderiam ir.&lt;br /&gt;- Rapaz, esse Picolé é bom mesmo, né seu Alaor? Goleirão! Era pra tá uns 3 a 0 pra nós não fosse ele…&lt;br /&gt;- E o Picolé não é novo não, jogou nas categorias de base, foi até reserva da Seleção Brasileira juvenil.&lt;br /&gt;- E o quê aconteceu? Ele podia ter se profissionalizado.&lt;br /&gt;- Cachaça, sempre foi um tremendo pé-de-cana.&lt;br /&gt;… Os times já voltaram a campo. Estão todos posicionados para o início da segunda etapa. Começam os 30 minutos finais, lembrando a vocês que, ao persistir o empate, iremos à decisão por pênaltis…  &lt;br /&gt;Enquanto isso, no local da festa, o caminhão de chopp buscava um posicionamento estratégico. O pessoal da banda passava o som. As quituteiras, vindas de Cidade Baixa, terminavam de aprumar e enfeitar suas barracas.&lt;br /&gt;… O árbitro vai pedir a bola e esgota-se o tempo regulamentar. O jogo termina empatado. Um segundo tempo muito abaixo das expectativas. Faz muito calor e o cansaço dos atletas é visível. Pela primeira vez em quinze anos, o vencedor será declarado pelo sistema de cobrança de penalidades. Agora é aguardar a lista com o nome dos cobradores…&lt;br /&gt;Mesmo quem até aquele momento estava mais interessado na festa do que no jogo, parou. Ainda que discutida, a decisão por pênaltis é sempre emocionante.&lt;br /&gt;Finalmente, a lista de batedores é anunciada para o total desespero de seu Alaor.&lt;br /&gt;- O Tinoco não!&lt;br /&gt;- Calma seu Alaor, vai dar tudo certo.&lt;br /&gt;- O Tinoco vai bater o último pênalti. Você não entende? É o presságio da derrota!&lt;br /&gt;- Seu Alaor, não fala assim.&lt;br /&gt;- O vô tá certo, o cara é muito ruim.&lt;br /&gt;- Ôh menino, olha o respeito.&lt;br /&gt;- Ué, tô falando que o vô tem razão, até eu jogo melhor que o pereba do Tinoco.&lt;br /&gt;Na praça, no centro de Cidade Alta, muita gente já aguardava o pessoal que para lá iria assim que o jogo fosse decidido. Antes do arrasta-pé, a taça e as medalhas seriam entregues, e a arrecadação do ano divulgada.&lt;br /&gt;… Agora é com ele, tá nas mãos, ou melhor, nos pés do Tinoco e nas mãos do Picolé. Se o Tinoco anotar, mantém as chances da equipe de Cidade Alta. Se o Picolé evitar o gol, dá a vitória ao time de Cidade Baixa. Aquela que será a terceira em quinze partidas disputadas. O clima é tenso. O árbitro autoriza. Tinoco se concentra. Toma distância, parte, bate bonito… Picolé… Picolé vai buscar no cantinho, espalma, tira ela dali… Que Chance! Que Lance… Mas pe-pera aí, pá-pára tudo que o árbitro tá mandando voltar… É minha gente, houve invasão e o lance vai voltar mesmo. Começa uma confusão ali, o empurra-empurra, a turma do deixa-disso entra em ação. E vamos para uma nova cobrança. Tinoco toma distância. O juiz autoriza. Lá vem a batida… ele bate forte e… Pra fora… Ele bate pra fora… Que chance! Que lance! E o time de Cidade Baixa vence o jogo deste ano... Que beleza é o futebol!&lt;br /&gt;Picolé chegou à festa nos braços do povo. Embalado pelos vapores da vitória, a certa altura, o negão se pôs a cantar. Ganhou o palco e tomou conta da banda.&lt;br /&gt;Sua alegria atravessou o mar e foi parar no chão, onde também era um tremendo craque. Raimundo Picolé de Oliveira  falava com os pés, sambava como poucos.  &lt;br /&gt;O homem dançou e colocou a mulherada para sambar até o sol raiar.&lt;br /&gt;- Mas esse Picolé, hein seu Alaor, canta e dança também?!&lt;br /&gt;- Ele era sambista profissional, chegou até a se apresentar lá no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;- E o quê aconteceu? O disco dele não vendeu?&lt;br /&gt;- Mulher! Foi se meter com a mulher de quem não devia... Teve que voltar fugido.&lt;br /&gt;- E o quê ele faz agora?&lt;br /&gt;- Agora, faz o que gosta e gosta do que faz, é dono do Samba do Crioulo Doido, o único boteco dançante, com música ao vivo de toda a região... Mulher e cachaça adoidado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116653626494454806?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116653626494454806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116653626494454806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/12/cacidade-alta-x-eccidade-baixa.html' title='C.A.Cidade Alta X E.C.Cidade Baixa'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116498618695147579</id><published>2006-12-01T07:04:00.000-08:00</published><updated>2007-12-26T06:42:53.570-08:00</updated><title type='text'>Onde o Certo e o Errado se encontram.</title><content type='html'>Certo:- E aí, tudo certinho?&lt;br /&gt;Errado:- De novo?&lt;br /&gt;Certo:- O quê?&lt;br /&gt;Errado:- Tentando me pegar com essa piada besta.&lt;br /&gt;Certo:- Brincadeirinha… Seu mal-humorado...&lt;br /&gt;Errado:- E você acha certo fazer sempre a mesma brincadeira, a mesma piada, todo santo dia? &lt;br /&gt;Certo:- Acho! Pode até ser chato, mas de errado não tem nada.&lt;br /&gt;Errado:- Pode não ser errado, mas enche o saco, entendeu?!&lt;br /&gt;Certo:- Que você tá me chamando de chato? Entendi.&lt;br /&gt;Errado:- Você só não, mas tudo que é assim… Desse seu jeito... É muito irritante.&lt;br /&gt;Certo:- Eu sou chato/ Com muito orgulho/ Com muito amor&lt;br /&gt;Errado:- E você acha certo ter orgulho de ser assim?&lt;br /&gt;Certo:- Posso pensar?&lt;br /&gt;Errado:- Te peguei!&lt;br /&gt;Certo:- Acho…&lt;br /&gt;Errado:- Quer dizer que você acha certo ser chato?&lt;br /&gt;Certo:- Não! Eu acho que a gente tem que gostar das pessoas como elas são.&lt;br /&gt;Errado:- Uh! Até resposta quando é certinha, politicamente correta, repetitiva é uma tremenda chatice. Quantas vezes você já disse isso?&lt;br /&gt;Certo:- Hummm… &lt;br /&gt;Errado:- Já perdeu até as contas.&lt;br /&gt;Certo:- Xiii rapaz, olha quem vem lá...&lt;br /&gt;Errado:- Quem é? Daqui não dá pra eu ver.&lt;br /&gt;Certo:- O Meio-Termo.&lt;br /&gt;Errado:- Essa não! Vamos embora, corre, anda logo que esse cara passa de ser chato.&lt;br /&gt;Certo:- Mas ele já viu a gente.&lt;br /&gt;Errado:- E daí?! A gente sai andando e faz de conta que não viu ele.&lt;br /&gt;Certo:- Mas isso não é certo…&lt;br /&gt;Errado:- E por acaso é errado evitar uma pessoa com quem você não quer se encontrar?&lt;br /&gt;Certo:- Pensando bem… Meu amigo, a linha que nos separa é muito tênue.&lt;br /&gt;Errado:- Pára de ser assim! Fala que é o fio da navalha, a lâmina do ceifador, qualquer outra coisa, menos essa babaquice. &lt;br /&gt;Certo:- Eu acho uma definição muito precisa. &lt;br /&gt;Errado:- Definições são chatas por definição. Agora responde logo: evitar uma pessoa com quem você não quer dar de cara é errado? &lt;br /&gt;Certo:- Não! Errado acho que não é.&lt;br /&gt;Errado:- Então, se não é certo nem errado, o quê é?&lt;br /&gt;Certo:- É melhor a gente ir embora depressa que ele tá chegando aí. &lt;br /&gt;Os dois saíram correndo, enquanto o outro se esforçava para chegar a tempo. &lt;br /&gt;Meio-Termo:- Ufa! Acho que eles não me viram. Vou procurar o outro pessoal. &lt;br /&gt;E lá se foi o pobre do Meio-Termo, atrás de outra dupla com a qual não costuma se entender, o Bem e o Mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116498618695147579?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116498618695147579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116498618695147579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/12/onde-o-certo-e-o-errado-se-encontram.html' title='Onde o Certo e o Errado se encontram.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116411118705499544</id><published>2006-11-21T03:50:00.000-08:00</published><updated>2007-02-09T15:13:45.569-08:00</updated><title type='text'>A namorada do seu Alaor.</title><content type='html'>Aquela discussão com Amália mexeu mesmo com seu Alaor. &lt;br /&gt;O arranca-rabo com a filha fez despertar uma saudade que nele vivia adormecida. Sentia falta de Júlia, sua esposa e companheira durante mais de quarenta anos. &lt;br /&gt;A tal saudade trouxe consigo a falta de um bom bate-papo e de outras coisas nas quais ele nem mais ousava pensar. &lt;br /&gt;Comentou com Osvaldo, que ficou animado ao ver o sogro com nova disposição. &lt;br /&gt;Desde a morte de Júlia, o velhinho andava cabisbaixo, desanimado, vivia folheando um antigo álbum de fotografias e encaixotando cacarecos. &lt;br /&gt;Osvaldo resolveu dar uma força. Virava e mexia, ao sair com Júnior, levava seu Alaor. Mas todas as possíveis candidatas com as quais eles encontravam pelo caminho ou tinham sido amigas de Júlia, ou a conheciam e a respeitavam só de ouvir falar. &lt;br /&gt;O casamento dos dois foi um acontecimento. À época, ele era muito popular. Não tivesse a morte de Júlia o derrubado em profunda depressão, poderia até ter feito carreira na política.&lt;br /&gt;O entusiasmo de seu Alaor já começava desvanecer quando Marizete chegou à cidade. A manicure, cabeleireira e, como mais gostava de ser chamada, esteticista, veio em busca de qualidade de vida.&lt;br /&gt;Cabelos soltos, andar cadenciado, Marizete caminhou até o Hotel Esplendor. &lt;br /&gt;Um brilho diferente pôde ser visto nos olhos de seu Alaor que a acompanharam até lá. &lt;br /&gt;Enquanto isso, perto dali, Amália mandava e desmandava na butique que continuava crescendo graças ao seu empenho e  inegável tino para os negócios. &lt;br /&gt;Tudo estava planejado para a ampliação da loja, só faltava a assinatura de Dora que continuava em férias, mas prometia para dentro em breve sua volta.&lt;br /&gt;Amália só não contava que o espaço pretendido por ela seria alugado e, em breve, ocupado por um salão de beleza. &lt;br /&gt;As obras começaram e infernizaram a vida de Amália por meses. O barulho, a sujeira, os caminhões, a gritaria dos trabalhadores tudo a irritava e espantava suas clientes. A reforma foi tema de inúmeros bate-bocas entre a gerente da butique e o empreiteiro. &lt;br /&gt;Seu Alaor, sem que a filha percebesse e contando com a ajuda do genro, mudou seu estilo de vida. Voltou a freqüentar as sessões de carteado no Clube da Glória e a jogar bocha durante as tardes só para espiar as senhoras na piscina, e foi lá, recostada em uma espreguiçadeira, que voltou a vê-la. &lt;br /&gt;Já maduros e conscientes do tempo que não tinham a perder, conversaram, dançaram e logo iniciaram um promissor romance. &lt;br /&gt;Sogro e genro combinaram que Amália só seria apresentada a Marizete na festa de inauguração do salão. &lt;br /&gt;Demorou, mas a reforma acabou. Os modernos aparelhos vindos da capital chegaram e agora Amália começava a rever sua opinião. Comentou que tinha até enviado um kit dando boas-vindas e se desculpando pelos contra tempos ocorridos durante as instalações. Pensou que da butique a cliente poderia ir para o salão e vice-versa, o que para ela ficava ainda mais interessante. &lt;br /&gt;O relacionamento entre seu Alaor e Marizete ficava cada vez mais íntimo. O segredo fez acender um furor juvenil que eles estavam adorando poder experimentar de novo. &lt;br /&gt;O dia da festa chegou. Quando Amália entrou em casa e viu Osvaldo ajudando seu Alaor a se vestir, não entendeu nada. &lt;br /&gt;- O que é isso?! Quem morreu?! Justo hoje, no dia da inauguração?! &lt;br /&gt;- Calma Amália, ninguém morreu. É que seu pai também vai à festa. &lt;br /&gt;- Que festa? &lt;br /&gt;- Na inauguração do salão da Marizete. &lt;br /&gt;- Como assim? &lt;br /&gt;- Sabe a Marizete, a dona do salão? &lt;br /&gt;- Já ouvi falar. O quê tem ela? &lt;br /&gt;- Ela e seu pai são... Amigos... Isso… É… Eles são muito amigos. &lt;br /&gt;- Ah! Anda pegando amizade fácil o senhor também, papai?! Aprendeu com essa beleza de genro, foi?! Dá licença que eu tenho que me arrumar. &lt;br /&gt;A festa estava muito boa até que Marizete disse como estava feliz e apresentou seu Alaor como sendo o homem que tinha tornado tudo aquilo possível, foi aí que o caldo entornou.  &lt;br /&gt;Desentendida, Amália procurou por Osvaldo para saber o que estava acontecendo. Esqueceu que ele tinha ficado cuidando do Júnior. &lt;br /&gt;Na primeira oportunidade, se despediu de quem interessava e correu de volta para casa. &lt;br /&gt;Chegou bem mais cedo do que era esperada. Osvaldo e Júnior comiam sobremesa assistindo à televisão. &lt;br /&gt;- Osvaldo, quem é essa tal de Marizete? &lt;br /&gt;- Ué! Você acabou de voltar da festa de inauguração do salão de beleza dela. &lt;br /&gt;- Osvaldo, não enrola, responde: quem é essa tal de Marizete? &lt;br /&gt;- A dona do salão de beleza, a namorada do seu pai... Ah, por isso tá nervosa... Tá com ciúme do papai…&lt;br /&gt;- Não, não é isso não. É que só agora eu entendi porque o senhor anda todo gentil, interessado nos negócios, em mim… Seu safado… Você tava é dando cobertura pra sem-vergonhice do velho… Que belo papel, belo exemplo pro seu filho! &lt;br /&gt;- Vai me desculpar, mas só você Amália... Parece que só você não percebeu como seu papai melhorou depois que conheceu a Marizete, depois que eles começaram namorar, coisa e tal e tal e coisa.&lt;br /&gt;A conivência de Osvaldo irritou, mas nada era pior do que o fato de ter sido a última a ficar sabendo. &lt;br /&gt;- Namorar?! E meu pai lá tem idade pra namorar?! &lt;br /&gt;Desdenhou e foi da sala para a cozinha. Osvaldo pensou alto. &lt;br /&gt;- Se bobear a vida sexual deles anda mais agitada do que a nossa! &lt;br /&gt;- O quê você falou aí? &lt;br /&gt;- Nada não. &lt;br /&gt;- Namorada! E minha mãe, como é que fica nessa história?! &lt;br /&gt;Indignou-se e foi para o quarto. Osvaldo deixou o pensamento escapar pela boca. &lt;br /&gt;- Morta. E finalmente enterrada! &lt;br /&gt;- O quê você falou aí? &lt;br /&gt;- Nada não, tô conversando com o Júnior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116411118705499544?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116411118705499544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116411118705499544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/11/namorada-do-seu-alaor.html' title='A namorada do seu Alaor.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116317884193014937</id><published>2006-11-10T08:46:00.000-08:00</published><updated>2007-02-16T13:29:32.259-08:00</updated><title type='text'>O preço de uma vida.</title><content type='html'>Por destino ou ironia do mesmo, chegado o dia de sua tão ansiada promoção, Getúlio colocou em dúvida a razão de tanto querer. &lt;br /&gt;Houve uma simpática comemoração oficial, promovida pela empresa, e todas as outras festividades informais cabíveis e possíveis nessas ocasiões. &lt;br /&gt;A tal promoção era um momento esperado por ele, por sua família e até por seus colegas, que reconheciam a dedicação e o talento do quase futuro chefe. &lt;br /&gt;A mulher e as filhas o esperavam para um jantar-surpresa, mas foi justo quando voltava para casa que a coisa pegou, que ele começou a ficar, digamos, perturbado.&lt;br /&gt;Quanto vale uma vida? Incrível, mas aquela era a primeira vez em que se perguntava, encarando o rigor do espelho retrovisor.&lt;br /&gt;Quanto vale uma vida? O homem era capaz de vender seguros de vida para deus e todo mundo. Moço, jovem, velho, atleta, sedentário, dizem até que uma vez vendeu uma apólice de valor altíssimo, um dos maiores contratos da história da companhia, para o pai de um recém-nascido, o que seria normal, o segurado não fosse o próprio recém-chegado, que veio ao mundo gordo, corado e gozando da mais perfeita saúde. Ainda não seria uma proeza não fosse o seguro um plano casado com uma respeitável previdência privada, modalidade criada por ele mesmo, um feito. &lt;br /&gt;Vencer a tal aposta, ser o único a conseguir vender seguro de vida em berçário, o transformou em uma espécie de ícone dentro da corretora. &lt;br /&gt;Quem poderia imaginar que o grande vendedor de seguros vagava pela cidade se perguntando quanto valia uma vida. &lt;br /&gt;Vivia de pôr preço na vida dos outros. E a dele, em quanto ficava? E a de suas filhas? &lt;br /&gt;Uma já é crescida. Como são diferentes as meninas de doze hoje em dia, pensava toda vez que parava para olhá-la. A mais nova, de oito, é extremamente simpática e afável, imaginava de quem ela teria herdado tal temperamento. &lt;br /&gt;Quantas vidas como a dele valeriam aquelas meninas? &lt;br /&gt;O pobre do Getúlio, a essa altura, suava atormentado. Passou seguidas vezes pela porta de sua casa sem conseguir parar. Pegou uma via expressa e continuou dirigindo sem rumo. &lt;br /&gt;Foram anos e anos como assistente, vendedor, chefe de seção, gerente de seção e, bem na hora do filé, de assumir a gerência geral, lhe ataca a bendita, ou bem dizendo, a maldita consciência. &lt;br /&gt;Pensou em Marta, mãe de suas filhas, única namorada e também única mulher que conheceu de verdade.&lt;br /&gt;Quanto vale a vida de Marta? Quantas das minhas valem as vidas de minhas três? – Getúlio flertou com o desespero. &lt;br /&gt;Fechou os olhos e respirou o mais fundo que pôde na tentativa de se acalmar. &lt;br /&gt;A lembrança de seus inimigos, detratores e desafetos lhe veio à cabeça. &lt;br /&gt;Quanto pagaria para dar fim à vida de cada um deles? Quanto valia a vida daqueles salafrários? &lt;br /&gt;A cara dos ditos cujos aparecia, uma a uma, cada qual com o devido preço estampado na testa. Por alguns momentos, embriagou-se com sua própria vileza. &lt;br /&gt;Foi o bastante, se distraiu, ficou parado dentro do carro tarde da noite, bateram no vidro. &lt;br /&gt;- Aí tio, passa tudo e desce do carro. &lt;br /&gt;Estático, Getúlio ficou olhando o rapaz encapuzado empunhando uma reluzente pistola.&lt;br /&gt;- Tá a fim de morrer, doido?! Anda logo, isto aqui é um assalto! Passa tudo e sai do carro…&lt;br /&gt;Entregou carteira, relógio, celular, pasta, palmtop, desatou o cinto de segurança e desceu lentamente. Quando o rapaz o empurrou, Getúlio não mais se conteve. &lt;br /&gt;- Então pra você é isso o que eu valho? É isso o que vale a minha vida? &lt;br /&gt;- Isso o quê, doido?! Vai, corre, dá pista e não olha para trás. Se eu não entregar esse carro pro patrão ainda hoje, já era, entendeu? Eu já era! Falou e passou o polegar estendido pela garganta. &lt;br /&gt;Getúlio começou a avaliar cada item que lhe fora roubado, assim, ao final, saberia quanto sua própria vida valia. &lt;br /&gt;Seguia a passos largos pela rua deserta quando foi abordado por uma viatura policial. &lt;br /&gt;- Parado aí cidadão! Vindo de onde e indo para onde com tanta pressa? &lt;br /&gt;Getúlio explicou o episódio ao homem de arma em punho. A família já havia prestado queixa do desaparecimento e o maior rebuliço tinha sido armado.&lt;br /&gt;Enquanto a polícia verificava a autenticidade dos documentos e da história, ele seguia calculando o valor da própria existência. &lt;br /&gt;Os oficiais conduziram Getúlio à delegacia da região para registrar ocorrência. &lt;br /&gt;No caminho, queriam saber mais. &lt;br /&gt;- Agrediram o senhor? Essa molecada não vale nada! &lt;br /&gt;- Não é bem assim. &lt;br /&gt;- Já vi tudo. É outro daqueles dos direitos humanos. Vocês são ricos, por isso não ligam quando são roubados. Ah, se fosse comigo... &lt;br /&gt;- Ainda bem que não foi. &lt;br /&gt;- Tô falando, o cara é um daqueles huma... Huma... Como que é mesmo, cidadão? &lt;br /&gt;- Humanistas. &lt;br /&gt;- Não te disse? Eu conheço o tipo!  &lt;br /&gt;Quando chegou à delegacia, sua mulher e suas filhas já o esperavam. Ao ver como elas reagiram ao saber que ele estava bem, Getúlio teve plena e absoluta certeza de que seria delas a melhor avaliação de sua vida. &lt;br /&gt;Voltaram para casa, jantaram e foram dormir. Em conversa particular com seu conselheiro, o senhor travesseiro, ele concluiu que ninguém sabe quem é de verdade, que somos incapazes de nos auto-avaliar e que vivemos baseados no que achamos que somos. Tal conclusão lhe tirou o sono. &lt;br /&gt;Em seu primeiro dia no novo posto, tratou de assegurar sua própria vida pelo valor que a mulher e as filhas achavam que ele tinha. Só depois de ter em mãos as apólices, Getúlio conseguiu voltar ao trabalho, e agora como Gerente Geral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116317884193014937?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116317884193014937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116317884193014937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/11/o-preo-de-uma-vida.html' title='O preço de uma vida.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116241273878405639</id><published>2006-11-01T12:24:00.000-08:00</published><updated>2007-12-26T06:49:32.313-08:00</updated><title type='text'>De vagabundo a dona de casa.</title><content type='html'>Boa-vida, agora Osvaldo queria ser chamado assim. &lt;br /&gt;Há alguns anos, antes do Júnior nascer, sentia até uma ponta de orgulho pela alcunha que ostentava, mas para um pai de família não pegava bem. &lt;br /&gt;Osvaldo era chamado de o vagabundo quando conheceu Amália, no post anterior ao último.&lt;br /&gt;Hoje, o genro do seu Alaor já não é mais aquele. É só olhar a cara com que o homem anda. &lt;br /&gt;Continua sendo pau para toda obra. Tipo raro, daquele com que se pode contar, que não deixa ninguém na mão.&lt;br /&gt;Enquanto Amália começou a trabalhar fora, Osvaldo virou do lar. &lt;br /&gt;Amália foi ser gerente da única butique da cidade. Loja da Dorinha, amiga de infância que viajou para a capital, tratou de enriquecer e voltou para investir no lugar onde nasceu. Queria assim garantir a tranqüilidade dos passados e o futuro dos próximos. &lt;br /&gt;Enquanto Amália dava um duro danado gerenciando, atendendo, prestando contas, tudo sob os auspiciosos olhares de Dora, ele cuidava da casa e do moleque. &lt;br /&gt;O garoto começou a freqüentar a escolinha, mas a vida de Osvaldo não acalmou. Ao mesmo tempo, começou a ir ao clube, às festinhas, ao parquinho, à praça e a um monte de outros lugares. Tinha também a lavanderia, a cozinha, os exames do seu Alaor, uma série de coisas para coordenar. Precisou até de uma agenda e, justo nesta hora, quando abriu na página do mês e do dia, no momento em que anotava seus afazeres no tal calendário, foi aí que ele se tocou. Era óbvio que algo estava errado, muito errado. &lt;br /&gt;Pensou, se esforçou, fez memória e nada. Ao se dar conta de que não lembrava qual tinha sido a última vez em que ele e Amália tinham transado, feito sexo, amor, em que tiveram relação, ou seja lá como for que se chama isso atualmente, Osvaldo se deixou abater. Aturdido e desorientado pela já tardia constatação, o homem saiu vagando sem rumo. Foi parar no Galerias, um pequeno shopping a céu aberto, principal centro comercial da cidade. Lá encontrou Tereza, mãe de uma menina mais nova e de um menino um pouco mais velho do que Osvaldo Júnior. &lt;br /&gt;Era visível que algo o abatera severamente. Tereza nem precisou lançar mão de seu sexto sentido. &lt;br /&gt;Tereza:- O quê aconteceu, Osvaldo? Que cara é essa? Seu time perdeu? &lt;br /&gt;Osvaldo:- Sei lá, eu não ligo pra futebol. &lt;br /&gt;Tereza:- Então o problema é com a Amália. Meu ex-marido ficava com essa cara por dois motivos: mulher e futebol. O time era sempre o mesmo, já a mulher nem sempre era eu. Mas vamos lá, diz aí: o que aconteceu? Quem sabe… De repente eu posso ajudar.&lt;br /&gt;Osvaldo:- Você acredita que só hoje, só depois de quase três anos, eu fui me dar conta de que... Bom, de que... Deixa pra lá. &lt;br /&gt;Tereza:- Lembra quando a Amália estava grávida? Então, a gente conversava muito, ela me perguntava como era, como deixava de ser. O meu mais velho já tinha quase um ano e ela estava pra lá de ansiosa. Eu conheço a Amália... É sério, pode confiar. &lt;br /&gt;Osvaldo:- Sabe, quando a gente se casou, antes dela começar a trabalhar na butique, era uma vida a dois, uma vida nossa. Hoje, ela tem a vida dela e eu também. É tanta coisa, tanto corre-corre, sinto falta de quando eu fazia as coisas que gostava, tinha tempo pra mim, pros meus amigos. Essa história de viver em função dos outros está me cansando. &lt;br /&gt;Ele abriu o coração. Disse o que queria e o que não devia. O tempo voou. Pela primeira vez em quase três anos de casamento, chegou mais tarde do que o esperado. A vizinha já trouxera o Júnior, que dormia como um anjo. &lt;br /&gt;Amália bebericava uma taça de vinho branco quando Osvaldo abriu a porta. &lt;br /&gt;Ao contrário do que ele esperava, foi muito bem recebido. &lt;br /&gt;Ela estava produzida e isso o levou a imaginar que logo sairia para mais uma reunião ou jantar de negócios, mas ela deu voz de comando. &lt;br /&gt;Amália:- Vai tomar um banho, se trocar que hoje eu vou te levar pra jantar. As vendas de final de ano vão muito bem, o lançamento da nova coleção foi um sucesso. E outra: a Dora resolveu tirar férias, viajar por uns tempos e deixou a loja sob minha direção. &lt;br /&gt;Osvaldo:- Mas logo hoje, eu tô tão cansado!&lt;br /&gt;Amália:- O que é isso, Osvaldo?! Cansado, você?! Cansado de quê?! Queria eu ter esse vidão, ficar pra lá e pra cá o dia inteiro e no final, vem a pior parte, brincar com o garoto.&lt;br /&gt;Osvaldo:- Vidão?! Minha vida é um vidão?! Hahaha, faz-me rir. &lt;br /&gt;Amália:- Queria ver se eu não colocasse comida na mesa, aí eu queria só ver. &lt;br /&gt;Osvaldo:- E eu queria ver se parasse de cozinhar o que a senhora iria comer. &lt;br /&gt;Amália:- Olha, qualquer dia, qualquer hora, me dá a louca, eu pego minhas coisas e sumo. &lt;br /&gt;Osvaldo:- E eu fico cuidando da criança. Não é qualquer dia. É todo dia. E não é qualquer hora. É sempre no mesmo horário. &lt;br /&gt;Amália:- Quer saber: eu trabalho o dia inteiro que nem uma doida e nunca tenho tempo pra nada. Durante a semana é o patrão, os clientes, o trabalho e aquele bando de incompetentes que só servem pra atrapalhar. Aí, chega sábado e domingo é marido, filho, família, sogro, sogra. &lt;br /&gt;Osvaldo:- O ex-marido da Terezinha reclamava exatamente das mesmas coisas. &lt;br /&gt;Amália:- Terezinha? Que Terezinha? E como você sabe do que o falecido dela reclamava? &lt;br /&gt;Osvaldo:- Sabe a Tereza, mãe do Luca e da Mariana, amiguinhos do Júnior? O pessoal lá da escola, você conhece… Então, encontrei com ela no Galerias. &lt;br /&gt;Amália:- Ah, já é Terezinha a tal, tá pegando amizade fácil você agora, né?! Conheceu na reunião de pais e mestres, foi?! E o que tava fazendo no Galerias, a desocupada?! &lt;br /&gt;Osvaldo:- Ela cuida da casa, dos dois filhos e do pai que já está de botas, só falta bater, coitado do velhinho. Não é desocupada nada. &lt;br /&gt;Amália:- Que alma boa, não... Por que o senhor não vai lá ficar com ela? Com aquela... Aquela... Separada! &lt;br /&gt;Osvaldo:- Divorciada, ela é divorciada. &lt;br /&gt;Amália:- Melhor ainda, caminho livre até com o Papa. &lt;br /&gt;Osvaldo:- Eu não! Vê só: se eu me casar com ela, quem vai trabalhar? &lt;br /&gt;Amália:- Que foi agora? Tá rindo do quê? Deu pra tirar sarro da minha cara? &lt;br /&gt;Osvaldo:- Não é nada, só uma coisa que a Terezinha falou. &lt;br /&gt;Amália:- Outra coisa?! Fala bastante ela, não?! E o que mais a tal da Terezinha falou? &lt;br /&gt;Osvaldo:- Que não adianta querer contrariar os fatos, essa tal igualdade é relativa, em muitos aspectos mulher é mulher e homem é homem. Foi, é e sempre será assim. É da natureza de cada um, de cada indivíduo. &lt;br /&gt;Amália:- Ela falou tudo isso, é?! Mãe dedicada, filha exemplar e filósofa, haja saco... Eu vou pro bar. &lt;br /&gt;Amália saiu e foi direto para a casa em que nasceu e viveu com os pais. Na falta da mãe, foi chorar mágoas no colo do pai, seu Alaor. &lt;br /&gt;Amália:- Pai, eu acho que o Osvaldo tem um caso. &lt;br /&gt;Seu Alaor:- Minha filha, o rapaz só faz é cuidar daquela criança, aliás, que meninão lindo meu neto, um colosso!&lt;br /&gt;Amália:- Viu só como que é?! Se fosse a mamãe, ficava do meu lado, mas homem não entrega homem, isso é coisa de dedo-duro, covarde, não é assim?! E que tá me olhando com essa cara? Pai, fala alguma coisa. &lt;br /&gt;Seu Alaor:- Como você se parece com sua mãe, impressionante! De repente me deu uma saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116241273878405639?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116241273878405639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116241273878405639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/11/de-vagabundo-dona-de-casa_116241273878405639.html' title='De vagabundo a dona de casa.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116160699520018351</id><published>2006-10-23T05:14:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T06:53:38.586-08:00</updated><title type='text'>Cada um tem o Ele que merece.</title><content type='html'>Segunda-feira, trânsito pesado e reunião no primeiro horário. &lt;br /&gt;Todos já estão na sala oval. Começa o burburinho. &lt;br /&gt;Supõem-se de tudo, mas nada justifica aquele atraso. &lt;br /&gt;Ora, aquela era a primeira vez em milênios, pelo menos dois. &lt;br /&gt;Eis que Ele surge, barba e cabelos grisalhos e desalinhados, túnica imaculadamente branca. &lt;br /&gt;Ele vem com passo apressado, batendo as sandálias. Traz nas mãos o pergaminho com os assuntos da reunião.&lt;br /&gt;Deus:- Por favor, por favor, eu peço desculpas pelo atraso e que os senhores se sentem o mais rápido possível! Senhores tomem seus lugares, por favor. Os trabalhos serão abertos. Senhor Bonaparte, eu concordo que poderia ter consultado o general antes de criar o mundo, mas não foi possível e de nada adianta o senhor ficar aí, em pé, me encarando.&lt;br /&gt;Napoleão:- Sentar eu me sento, mas a mão de dentro da casaca eu não tiro. É meu sinal de protesto.&lt;br /&gt;Hércules:- Vocês criam, inventam terra, céu, mar, oceano, coisa para caramba e quem carrega tudo nas costas sou eu. Isso não é justo.&lt;br /&gt;Deus:- Calma pessoal. Senhoras, por favor…&lt;br /&gt;Maria Antonieta:- Olhem só isso! Que coisa mais cafona, cortem a cabeça dessa horrorosa!&lt;br /&gt;Carmem Miranda:- Yes, nós temos banana/Banana pra dar e vender&lt;br /&gt;Deus:- Calma meus senhores, o mundo não vai acabar, não há razão para tudo isso.&lt;br /&gt;Napoleão:- Há razão para isso e muito mais, ou o Senhor pensa que o mundo gira em torno de quê, de quem?! Tivesse me consultado e tudo seria diferente… Vive la France!&lt;br /&gt;Deus:- Senhor Bonaparte, contenha-se, e, por favor, dê um jeito na sujeira que seu cavalo acaba de fazer em nossa sala.&lt;br /&gt;Maria Antonieta:- Cortem, cortem a cabeça deste cavalo imundo, nojento!&lt;br /&gt;Napoleão:- Comigo a madam não se mete, hein?! A belle sabe muito bem do que eu sou capaz… Liberté, Egalité, Fraternité! Vive la Révolution!&lt;br /&gt;Deus:- Senhor Napoleão, faça-me o favor: eu já lhe pedi, contenha-se. &lt;br /&gt;Maria Antonieta:-…!&lt;br /&gt;Carmem Miranda:- Banana menina, desbaratina/Banana engorda e faz crescer&lt;br /&gt;Maria Antonieta:- Cortem a cabeça dessa mulher… E me tragam as frutas!&lt;br /&gt;Hércules:- Chefe quer que eu dê um murro na mesa? Às vezes funciona.&lt;br /&gt;Deus:- Obrigado meu caro, mas eu não simpatizo com esses métodos, digamos assim, primitivos.&lt;br /&gt;Hércules:- Então quer dizer que eu viver carregando essa bola que o Senhor criou não é primitivo não, né?! Só pra ver se eu entendi.&lt;br /&gt;Deus:- Meu filho acontece que cada um tem uma determinada função no equilíbrio das coisas. A sua é carregar, sustentar, manter tudo no lugar, eu sei que há outros 12 trabalhos, que isso é acúmulo de funções, mas é só o começo. Logo as coisas engrenam... Você verá. Já a senhorita Carmem Miranda tem a nobre função de nos embevecer com a arte de sua dança e de sua música. Enquanto mademoiselle Maria Antonieta e monsieur Napoleão Bonaparte são franceses, a rainha e o general, futuro imperador da França.&lt;br /&gt;Hércules:- E qual é a função dos franceses nesse tal de equilíbrio?&lt;br /&gt;Deus:- Bom, aí o assunto fica um pouco mais complicado.&lt;br /&gt;Napoleão:- Olhem, vejam, o Senador parece querer pronunciar-se, silêncio!&lt;br /&gt;Aí então, e só aí, a pedido do cavalo proclamado por honra e distintos méritos, todos calaram. &lt;br /&gt;Napoleão:- Meu Senador pode falar, sou todo ouvidos.&lt;br /&gt;O cavalo branco se concentrou, fez uma cara esquisita, torceu o maxilar, soltou um sonoro e catinguento peido e relinchou aliviado. &lt;br /&gt;A trupe caiu na gargalhada.&lt;br /&gt;Fiel, em obediência aos cânones da democracia e do livre arbítrio perpetrados por Ele mesmo, Deus resolveu adiantar o expediente. Assinou, despachou, tornou a calçar as sandálias da humildade e voltou para casa em tempo de assistir ao pôr-do-sol. &lt;br /&gt;Serão logo na segunda, não há cristão que agüente – pensou com Ele mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116160699520018351?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116160699520018351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116160699520018351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/10/cada-um-tem-o-ele-que-merece.html' title='Cada um tem o Ele que merece.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-116053007450202646</id><published>2006-10-10T18:20:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T06:58:18.404-08:00</updated><title type='text'>Quem enobrece quem mesmo?</title><content type='html'>Roberto é médico, mas odeia sangue. Antônio é contador, mas nunca foi grande coisa em matemática. Horácio é professor, mas nunca gostou de estudar. Sempre foi honorável integrante da turma do fundão, forte candidato a concluir o secundário no correcional. &lt;br /&gt;Já Amália, bom, Amália é a mulher da história e desempenhar esse papel já é trabalho que não acaba mais.&lt;br /&gt;Primeiro, ela conheceu Roberto. Formado em medicina, com pinta de galã de seriado de tv, a família comemorou. Parecia ser ele o tão aguardado príncipe encantado. &lt;br /&gt;Encanto que se quebrou durante um churrasco em família, quando o menorzinho levou um tombo e se machucou. O doutor, ao ver o sangue do pequeno jorrar, desmaiou.  &lt;br /&gt;Neste mesmo churrasco, Amália conheceu Antônio. Formado em ciências contábeis, empregado de um importante escritório, logo os familiares concluíram que, além de ser bom partido, podia ajudar seu Alaor, pai de Amália, na organização das contas do mercadinho. E ele não só ajudou, mas tornou-se responsável por toda a contabilidade e controle financeiro do armazém. Desta vez, não foi só o encanto, mas seu Alaor também quebrou. &lt;br /&gt;Amália ficou arrasada. Sentindo-se culpada, caiu em profunda depressão. Meteu na cabeça que iria terminar o segundo grau e tentar uma faculdade. &lt;br /&gt;Foi no Supletivo de Primeiro e Segundo Grau Madre Tereza, durante uma aula de história, que Amália conheceu Horácio, o professor substituto. &lt;br /&gt;Dono de um papo doce e convincente, não só dava aulas, mas também aproveitava a condição de mestre para se dar bem com as novatas, e, nesta lista, Amália agora era a primeira. &lt;br /&gt;Ela não demorou a ceder ao charme e aos encantos de Horácio. Logo pediu para ter aulas de reforço. Aquela história de Getúlio Vargas ter se suicidado seguia muito mal explicada. &lt;br /&gt;Assim, começou o romance que durou até o dia em que seu Alaor resolveu colocar o safado para correr. Amália não era a única que vinha tendo aulas particulares. A filha mais nova do melhor amigo de seu Alaor também tinha problemas em acompanhar as matérias que Horácio lecionava como substituto. &lt;br /&gt;Desiludida, Amália abandonou os estudos. Decidiu ajudar a mãe nas tarefas domésticas, dar tempo ao tempo. O homem certo apareceria. Bastava ela se comportar, preparar-se para recebê-lo que, cedo ou tarde, o homem certo viria ao seu encontro.&lt;br /&gt;Numa manhã de sol, os caminhos de Amália e do recém-chegado Osvaldo se cruzaram. Ela ia até a padaria comprar pão e leite para o café, quando, sem mais nem menos, ele olhou, sorriu e disse bom-dia. Ela apressou o passo. &lt;br /&gt;A cena se repetiu no dia seguinte, no outro e no outro também. Em pouco mais de seis meses, os dois estavam casados e esperavam felizes pelo primeiro neto do seu Alaor.  &lt;br /&gt;Finalmente, Amália encontrara sua cara-metade, o homem de sua vida: Osvaldo, o vagabundo. &lt;br /&gt;Vive de fazer nada, mas não é malandro não. Nunca prejudicou ninguém. Muito pelo contrário, é só algum conhecido se dar mal que lá vai ele. &lt;br /&gt;Até hoje, arruma tempo para satisfazer a moça, atender os familiares, dar atenção aos amigos e ainda aprontar das suas. Tipo raro, daquele com que se pode contar, que não deixa ninguém na mão.&lt;br /&gt;O pessoal é unânime, nunca se viu tanta felicidade e segurança estampadas no rosto dela. &lt;br /&gt;Amália desfila pela pequena cidade com passos de mulher satisfeita. Enquanto Osvaldo passou a ser adorado, tornou-se uma espécie de lenda. Prova viva e inconteste de que o trabalho pode até enobrecer, mas raras vezes enriquece e, na maioria delas, brocha o homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-116053007450202646?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116053007450202646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/116053007450202646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/10/quem-enobrece-quem-mesmo.html' title='Quem enobrece quem mesmo?'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115936259068968442</id><published>2006-09-27T06:06:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:06:23.203-08:00</updated><title type='text'>Achados &amp; Perdidos.</title><content type='html'>- Amor, você viu minha cueca branca?&lt;br /&gt;- E eu lá sei de cueca! Deve tá na gaveta junto com as outras.&lt;br /&gt;- Não tá, já olhei.&lt;br /&gt;- Olha direito.&lt;br /&gt;- Já olhei!&lt;br /&gt;- Quanto você quer apostar que se for aí eu acho?&lt;br /&gt;- Quero apostar nada. Você esconde as coisas e depois fica me sacaneando.&lt;br /&gt;- Você é que não acha nada nunca.&lt;br /&gt;- Olha quem tá falando: até a chave do carro tu já perdeu dentro da geladeira, fica na tua!&lt;br /&gt;- Aconteceu uma vez na vida e eu tava na maior correria. Vai, vamos logo senão a gente acaba chegando atrasado.&lt;br /&gt;- Eu já tô pronto.&lt;br /&gt;- Achou a cueca?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Meu Deus o que é isso?&lt;br /&gt;- Quê foi?&lt;br /&gt;- Cueca colorida com calça branca?! Enlouqueceu?! Perdeu o juízo?!&lt;br /&gt;- Mas branca eu só tenho uma e deve tá lavando. E se eu for de jeans, com aquela calça preta nova, heim, heim?!&lt;br /&gt;- Nem pensar, mandei lavar e passar essa aí, o casamento é de manhã e todo mundo vai de branco. Espera aí, deixa eu ver… Tchan-tchantchan-tchan: e aqui, a sua única cueca branca, lavada, limpa e na gaveta, junto com as outras. &lt;br /&gt;- Onde é que tava?&lt;br /&gt;- Junto com as outras, na gaveta.&lt;br /&gt;- Culpa sua que esconde tudo, enfia tudo nas gavetas. Olha a bagunça que tá isso aqui. &lt;br /&gt;- A gaveta é sua, faço muito de arrumar.&lt;br /&gt;- É por isso que eu não acho nada.&lt;br /&gt;- Não acha nada porque não procura direito. Culpa da sua mãe.&lt;br /&gt;- Não coloca minha mãe na história, ela não tem nada  a ver com isso.&lt;br /&gt;- E a minha, que toda hora vira piada e seus amigos nunca nem viram a pobre.&lt;br /&gt;- Mas aí é diferente, tua mãe não dá pra levar a sério, né?! A velha tá doidinha.&lt;br /&gt;- E a tua, que se acha cocota até hoje?!&lt;br /&gt;- Pô, não fala assim, ela não aceita que o tempo passou, acontece com muita gente, um problema sério esse.&lt;br /&gt;- Um só não... Vários. Sua mãe tem vários problemas. Você viu minha bolsa preta, aquela pequena que eu comprei na lua-de-mel?&lt;br /&gt;- E eu vou lá saber de bolsa!&lt;br /&gt;- Mas tava aqui no guarda-roupa…&lt;br /&gt;- Esse é o seu lado. Não é você que acha tudo? Que sempre sabe onde está tudo?&lt;br /&gt;- Sabe aquela… Aquela que eu fui na festa da Kika?&lt;br /&gt;- Ôrra, faz uns meses isso, e depois, não é você que acha tudo, que sabe onde está tudo? Então, se vira.&lt;br /&gt;- Será que eu emprestei pra alguém?&lt;br /&gt;- Eu tô pronto!&lt;br /&gt;- Ah, agora espera aí… Vem, me ajuda a procurar.&lt;br /&gt;- Mas que puta idéia de jerico casar de manhã. Casamento tem que ser no final do dia, aí vem o jantar e a festa pros convidados encherem a cara com o noivo, que no final das contas é o que interessa, o que vale a pena. Agora, ficar naquele senta, levanta, senta, levanta dentro da igreja é o maior mico, e depois não tem nem uma boca livre… Ainda não vi onde é que tá a graça… Eu não acredito que a gente tá perdido… Estela, mas você não vai aprender nunca: pergunta, anota, pega um mapa, uma referência, qualquer coisa. Um lugar longe desses… Onde nós estamos? Tô perguntando onde nós estamos… Cadê o guia?&lt;br /&gt;- Aqui, no porta luvas… Ih, não tá mais?!&lt;br /&gt;- Quem usou o carro por último foi você.&lt;br /&gt;- E o guia acho que foi a Heleninha.&lt;br /&gt;- Você emprestou o guia pra Helena de novo?&lt;br /&gt;- Emprestei! É só ligar e pedir pra ela olhar. Dá o celular. &lt;br /&gt;- Eu não peguei. &lt;br /&gt;- Como não?&lt;br /&gt;- Quando a gente sai quem traz o celular é você, esqueceu? &lt;br /&gt;- Você viu o tamanho da minha bolsa? &lt;br /&gt;- Não vi nem que você tinha achado o raio da bolsa.&lt;br /&gt;- Onde eu ia enfiar o celular?&lt;br /&gt;- Pois é, você não falou nada, eu não peguei telefone nenhum.&lt;br /&gt;- E agora?&lt;br /&gt;- Boa pergunta.&lt;br /&gt;- Você não vai fazer nada?&lt;br /&gt;- Eu?! O casamento é de uma amiga sua com um amigo seu, num lugar que você disse que conhecia e sou eu quem tem que fazer alguma coisa?!&lt;br /&gt;- Ora, você é o homem do casal.&lt;br /&gt;- A-ha! Faz-me rir! Agora eu sou o homem, né?! Há meia hora eu não dava conta nem das minhas cuecas.&lt;br /&gt;- Mais uma prova de que você é o homem do casal. Vai, não enche, pára e pergunta pra alguém.&lt;br /&gt;- Dá o convite pra eu ver o mapa.&lt;br /&gt;- Pera aí, deixa eu pegar.&lt;br /&gt;- Vai logo Estela.&lt;br /&gt;- Tô procurando, tenho certeza que eu coloquei na bolsa.&lt;br /&gt;- Mas não era nesta bolsa que não cabia nada?&lt;br /&gt;- Amore, acho que eu esqueci.&lt;br /&gt;- Você tá de brincadeira, tá me tirando, né?!&lt;br /&gt;- Mas também… Fica tudo nas minhas costas… Ora, quem dirige é que tem que ter o endereço.&lt;br /&gt;- Eu não acredito! Você esqueceu o convite… É o fim!&lt;br /&gt;- Tudo eu, tudo eu, sempre eu, esqueci ué, normal… Vai dizer que você nunca esqueceu nada?&lt;br /&gt;- Estela, não começa vai, maior vacilo… Não é você que acha tudo, que sabe onde está tudo, então… Cadê o endereço desse maldito lugar?&lt;br /&gt;- Olha quem tá falando, você não dá conta nem das suas cuecas!&lt;br /&gt;- Não muda de assunto, liga pra alguém e arruma esse endereço antes que eu perca a paciência.&lt;br /&gt;- Amore, a gente tá sem celular, lembra?!&lt;br /&gt;- Uh!&lt;br /&gt;- Calma benhê! Viu, eu tava pensando… &lt;br /&gt;- Lá vem!&lt;br /&gt;- Você quer mesmo ir a esse casamento?&lt;br /&gt;- Estela, faz seis meses que eu não quero ir nesse negócio. Isso é arrumação sua, que desde que recebeu o convite não fala em outra coisa.&lt;br /&gt;- Vamos nos perder?&lt;br /&gt;- Estela, é exatamente isso o que a gente tá fazendo há mais ou menos uma hora. Não tinha percebido ainda não? A gente tá completamente perdido, sem guia, sem mapa, não temos nem o convite.&lt;br /&gt;- Bobo, tô falando de se perder de verdade.&lt;br /&gt;- Mais ainda?! Tô quase largando o carro e pegando um táxi para sair deste fim de mundo. &lt;br /&gt;- Difícil vai ser encontrar um táxi por aqui.&lt;br /&gt;- Isso é verdade.&lt;br /&gt;- Olha lá! Tá vindo um pessoal de carro ali…&lt;br /&gt;- Vai, se abaixa, se esconde, se esconde…&lt;br /&gt;- Pára! Pára eles e pergunta se também tão indo pro casamento.&lt;br /&gt;- Eu não! Justo agora que até você desistiu de ir nesse troço... Vou é me perder de volta pra casa, vamos embora daqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115936259068968442?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115936259068968442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115936259068968442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/09/achados-perdidos.html' title='Achados &amp; Perdidos.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115871949912094582</id><published>2006-09-19T19:12:00.000-07:00</published><updated>2007-02-10T01:49:12.364-08:00</updated><title type='text'>Não buzine. Gênio pensando.</title><content type='html'>Inegável que aquilo não era comum. Até para o divã ele já tinha levado o tema, mas só dentro daquele automóvel antigo, que tinha sido de seu pai, conseguia o que julgava ser o máximo em concentração. &lt;br /&gt;Era ali, dentro do sedan dos anos 50, que costumava tomar as decisões que considerava imperativas. Aquele habitáculo era seu templo. Ali meditava, filosofava e tentava encontrar respostas para questões que o perturbavam e que, na opinião dele, eram indeclináveis para o futuro da humanidade. Sendo assim, se distraía com freqüência, vivia dando fechadas, cometendo as maiores imprudências e barbaridades no trânsito. Nada raro, encarava o maior bate-boca com um ou outro motorista mais exaltado. &lt;br /&gt;Naquele domingo ele acordou mais cedo e inspirado. Passou rapidamente os olhos pelo jornal e saiu dirigindo pela cidade. &lt;br /&gt;Pobre do moço que estava apressado justo naquele dia. &lt;br /&gt;Precisava chegar cedo à Feira do Automóvel para arrumar um bom lugar e expor o carro, seminovo, baixa quilometragem, em excelente estado, que levava para vender. &lt;br /&gt;No cruzamento, o motorista da frente não arrancava. A primeira vez, ele achou que fosse algum defeito, tratava-se de uma antiguidade. Diante da imobilidade do condutor, na terceira vez que o semáforo fechou e tornou a abrir, resolveu buzinar. Vai que o velhinho dormiu – pensou.&lt;br /&gt;Foi o bastante para despertar a ira do homem. Mais uma vez tinha sido interrompido numa de suas mais férteis divagações. Sentia que estava perto, mas muito perto mesmo. Próximo como nunca havia estado antes de algo importante, de realizar seu grande sonho, de gritar Eureka a plenos pulmões com causa e razão. Foi exatamente neste momento que o infeliz do moço buzinou.&lt;br /&gt;O homem desceu, foi até a janela do carro do pobre que só tentava seguir seu caminho, e deitou falação.&lt;br /&gt;-Ôh cidadão, e se eu fosse um matemático e estivesse prestes a resumir as operações de seleção, projeção, produto cartesiano, união e diferença entre conjuntos, em uma única equação e assim revolucionar a álgebra? Ou fosse eu o dramaturgo ateniense Sófocles, tentando dar outro desfecho a Antígona, sua obra maestra. Imaginou o tamanho do estrago?&lt;br /&gt;O que teria acontecido, por exemplo, se esse buzinaço viesse bem na hora em que Arquimedes estabelecia os princípios básicos da alavanca ou da hidrostática? Ou no momento em que decifrava o valor de Pi? Imaginou uma cornetada dessas na hora em que Einstein se preparava para modificar definitivamente o quadro conceitual da física; no exato momento em que concluía a experiência que lhe deu razão, que provou que o tempo não transcorre na mesma velocidade para a matéria em repouso e para a matéria em aceleração? &lt;br /&gt;Esta constatação simplesmente permitiu compreender a dinâmica do sol e a origem de sua energia, caso o senhor não saiba. Seguindo este raciocínio, eu poderia ser um imortal como James Clerk Maxwell, Charles Darwin, Louis Pasteur, ou até mesmo Isaac Newton. Imaginou: eu inventando o cálculo, formulando as leis da mecânica e do movimento, descobrindo a lei da gravidade, aí vem você e buzina?! &lt;br /&gt;Ah! Faça-me o favor, poderia ter mudado o destino de toda a raça humana.&lt;br /&gt;-O que talvez tivesse sido uma boa, não acha não?!&lt;br /&gt;-Olha a placa… Você está vendendo o carro?&lt;br /&gt;-Não pensador, estou vendendo a buzina! Quer comprar? Escuta só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115871949912094582?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115871949912094582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115871949912094582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/09/no-buzine-gnio-pensando.html' title='Não buzine. Gênio pensando.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115811410063019792</id><published>2006-09-12T19:01:00.000-07:00</published><updated>2006-09-13T05:53:13.433-07:00</updated><title type='text'>Carne e Osso.</title><content type='html'>Aquela manhã ela acordou decidida. Resolveu o que fazer. Convicta, disse a si mesma que iria viver para escrever, já que precisava escrever para sobreviver.&lt;br /&gt;Decidiu naquela manhã e, todo dia, há mais de quatro décadas, toma a mesma decisão. &lt;br /&gt;Sem aposentadoria, fama ou glória, seu sustento vem da pensão arrumada por um amigo que fundou uma dessas sociedades de amparo a artistas idosos. Mas ela não sabe disso.&lt;br /&gt;Diariamente, por volta do meio-dia, desiste, sente-se estressada, cansada de tentar encontrar algo novo, de espetar o dedo no palheiro das palavras. Mas esse cansaço dura só até o final da tarde, começo da noite, à hora do dia de que mais gosta. É quando toma ar, respira fundo e volta ao ofício, às anotações, aos livros, dicionários e tudo  aquilo que envolve seu nobre lavor, sua conturbada paixão. &lt;br /&gt;Os parentes se revezam. Vez por outra um passa lá, lê os originais, critica e discute só para mantê-la ocupada. Não tem mais editora, editor nem prazo de entrega para seus escritos. Mas ela não sabe disso. &lt;br /&gt;Muito já se escreveu sobre o ato, mas pouco se versou sobre as sensações que experimenta quem se atreve a desafiar o papel em branco. &lt;br /&gt;Pode até ser que já tenham escrito algo, mas, com certeza, ninguém o fez com tanta intensidade nem com tamanha competência e conhecimento de causa.  &lt;br /&gt;As mãos trêmulas com juntas já endurecidas atacam o teclado do computador, presente do neto mais velho. &lt;br /&gt;Escrever com pachorra é como se estar casada, muito bem casada, diga-se de passagem, mas saber que às vezes será traída. É se fazer de cega, não dar trela ao tempo nem tampouco ao vento. Colocar aqui e ali um pouco do que se pensa e sente, um pouco de nós mesmas. É abrir e fechar parênteses.&lt;br /&gt;A naturalidade e a sem-vergonhice são as mesmas dos tempos em que anotava segredos em seus diários de adolescente. Seus dedos se movem com a urgência de quem não quer deixar o pensamento escapar.&lt;br /&gt;Rasgar o dicionário, esquecer a ortografia, abandonar a gramática e, mesmo assim, achar que tudo está no devido lugar. Assim é escrever por paixão. Fazer o certo só para depois desfazer. Errado é mais gostoso, dá mais prazer tomar caminhos insuspeitos, vias sinuosas e chegar a raciocínios insinuantes, andar num círculo deliciosamente vicioso que tende a durar dias, meses, anos e até vidas inteiras. A escrita é um vício tão excitante que só a inapelável obrigação de escrever profissionalmente é capaz de me fazer parar e, mesmo assim, só o faz porque quando chega essa hora já estou um tanto atrasada. &lt;br /&gt;Para quem é de carne, este ofício é osso. E disso ela sabe muito bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115811410063019792?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115811410063019792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115811410063019792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/09/carne-e-osso.html' title='Carne e Osso.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115754681521911796</id><published>2006-09-06T05:41:00.000-07:00</published><updated>2008-02-01T10:52:38.475-08:00</updated><title type='text'>Santo Sacro.</title><content type='html'>Tudo levava a crer que, aquele sim, era um homem que tinha Deus na alma, no coração e na ponta da língua.&lt;br /&gt;- Seja o que Deus quiser.&lt;br /&gt;Decretava sempre que lhe perguntavam o que ele achava do futuro. &lt;br /&gt;- Tomara Deus.&lt;br /&gt;Suspirava sempre que alguém lhe perguntava se ele iria comparecer à reunião, evento ou happy hour.&lt;br /&gt;- Deus lhe pague.&lt;br /&gt;Pleiteava por todos que lhe fizessem um favor, segurassem o elevador ou a ele dessem passagem na calçada.&lt;br /&gt;- Vá com Deus.&lt;br /&gt;Recomendava aos colegas que saiam para almoçar, tomar café, ir à festa ou voltar para casa.&lt;br /&gt;- Deus me ajude.&lt;br /&gt;Rogava sempre que assombrado por alguma incerteza.&lt;br /&gt;- Só Deus salva.&lt;br /&gt;Exaltava diante de qualquer desapontamento ou desilusão.&lt;br /&gt;- Deus te ilumine.&lt;br /&gt;Fazia votos ao ouvir os planos e projetos de qualquer amigo, colega ou conhecido.&lt;br /&gt;- Deus me livre.&lt;br /&gt;Isolava qualquer situação ou acontecimento desagradável do qual tomasse conhecimento.&lt;br /&gt;- Pelo amor de Deus.&lt;br /&gt;Clamava quando realmente precisava de alguma coisa.&lt;br /&gt;- Meu Deus do Céu?&lt;br /&gt;Duvidava sempre que surpreendido por algo ou alguém.&lt;br /&gt;- Juro por Deus!&lt;br /&gt;Proferia sempre que alguém ousava duvidar de sua palavra.&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus.&lt;br /&gt;Arremedava sempre que alguma coisa parecia que não ia dar certo.&lt;br /&gt;-Deus, dai-me forças.&lt;br /&gt;Suplicava sempre que sentia fome, sede, cansaço ou preguiça.&lt;br /&gt;-Deus Todo Poderoso.&lt;br /&gt;Louvava sempre, qualquer que fosse o motivo ou razão.&lt;br /&gt;Isto durou meses, anos, até que um dia não deu mais para um de seus colegas. Aquilo tinha que parar. Ninguém agüentava mais. Respeitavam o credo, tinham consideração pelo companheiro de trabalho, mas para tudo nessa vida há limites.  &lt;br /&gt;- Ôh cara, você acredita mesmo em Deus? Então, deixa o Sujeito em paz, pára de azucrinar o Cara.&lt;br /&gt;- Olha, acreditar eu não acredito, mas queria tanto que ele existisse. &lt;br /&gt;- Ai, meu santo.&lt;br /&gt;- Você também tem o seu?&lt;br /&gt;- Não, tenho nada não. Estou falando da minha paciência, do meu santo saco.&lt;br /&gt;- Que Deus o proteja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115754681521911796?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115754681521911796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115754681521911796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/09/santo-sacro.html' title='Santo Sacro.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115689727822694327</id><published>2006-08-29T17:08:00.000-07:00</published><updated>2009-10-31T07:39:09.271-07:00</updated><title type='text'>Amigo é para cada coisa.</title><content type='html'>Três horas e dezoito minutos apontava o relógio quando o interfone tocou.&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Alô, aquele amigo do senhor tá aqui embaixo.&lt;br /&gt;- Fala pra ele subir.&lt;br /&gt;- Ele não quer, disse que é pro senhor descer.&lt;br /&gt;- Mas são mais de três da manhã?! &lt;br /&gt;- Eu acho melhor o senhor descer. O homem não tá bom não.&lt;br /&gt;- Pede pra ele esperar. &lt;br /&gt;Calça, camisa, sapato, cadê a chave da porta? Aqui, achei. Carteira e chave do carro... Não, não precisa. Chama o elevador. Tranca a porta. Cadê a chave? Achei - desceu apressado.&lt;br /&gt;- O que você tá fazendo aqui à essa hora?&lt;br /&gt;- Ela foi embora.&lt;br /&gt;- Ah, é isso! Mais cedo ou mais tarde ela ia mesmo, cansou de te avisar.&lt;br /&gt;- Mas ela foi mesmo, se mandou. Avisar, falar, esbravejar, chorar é uma coisa; coisa de mulher. Já ir embora, se mandar é completamente diferente.&lt;br /&gt;- Cara, você passou anos e anos aprontando, nunca deu bola pra isso, sempre disse: o dia em que acontecer, acontecido estará. E todo mundo falando, avisando, dizendo que as coisas não são bem assim.&lt;br /&gt;- Nada disso justifica a destrambelhada, a maluca, a desvairada, levar minha filha, minha menina pra casa da jararaca da mãe dela. Jararaca é pouco, pra casa daquela víbora.&lt;br /&gt;- Você queria que ela fizesse o quê? Deixasse a menina sozinha, te esperando chegar da farra...&lt;br /&gt;- Mas eu sempre cheguei.&lt;br /&gt;- O problema sempre foi de onde, a que horas e o estado.&lt;br /&gt;- Besteira.&lt;br /&gt;- Para você. Quisesse ficar na noite, tivesse ficado solteiro, que nem eu.&lt;br /&gt;- Quê foi, heim?! Tá do lado dela, é?!&lt;br /&gt;- Não, só tô tentando fazer você entender que pisou na bola, passou da conta, abusou. &lt;br /&gt;- Mas foi só um pouquinho… Pô, ela me deixou, eu tô tristão.&lt;br /&gt;- Não tô falando de hoje, tô falando de uma vida.&lt;br /&gt;- Cara... Você tem a maior paciência comigo, né?&lt;br /&gt;- Há muitos anos.&lt;br /&gt;- Você é um amigão. É meu melhor amigo. &lt;br /&gt;- Pára com isso, vai.&lt;br /&gt;- Dá um abraço. &lt;br /&gt;- Sai para lá. &lt;br /&gt;- Tá vendo? Todo mundo me rejeita, ninguém gosta de mim.&lt;br /&gt;- Ai caramba!&lt;br /&gt;- Me dá um abraço vai, de amigo. Tô tão carente!&lt;br /&gt;- São quase quatro da manhã e eu vou ficar aqui, abraçando homem na porta da minha casa?! Tô fora.&lt;br /&gt;- Pô, mas é abraço de amigo, de irmão, por favor.&lt;br /&gt;- Vamos lá pra cima, você toma mais uma para esquecer e dorme. Amanhã é outro dia, quer dizer, hoje. Hoje já é outro dia.&lt;br /&gt;- Mas antes eu quero um abraço.&lt;br /&gt;- Pára com isso.&lt;br /&gt;- É pra ter certeza.&lt;br /&gt;- Certeza de quê?&lt;br /&gt;- De que você é meu amigo de verdade mesmo. De que não tá fazendo isso só por piedade.&lt;br /&gt;- Meu irmão, deixa de frescura e vamos subir logo.&lt;br /&gt;- Primeiro me dá um abraço.&lt;br /&gt;- Tá bom vai, vem cá.&lt;br /&gt;Neste exato momento, a rapaziada que volta da balada passa de carro, põe a cabeça para fora da janela e grita em coro.&lt;br /&gt;- Aí, boiola! Beija, beija, beija!&lt;br /&gt;- Viu que puta vexame? Tá feliz agora? &lt;br /&gt;- Agora tô.&lt;br /&gt;- Vai, entra logo, vamos subir.&lt;br /&gt;- Cara, eu acho que te amo.&lt;br /&gt;- Cala essa boca!&lt;br /&gt;Roupa de cama, lençol, cobertor, travesseiro, onde será que tem travesseiro? Travesseiro, travesseiro, travesseiro, aqui, achei! Falta alguma coisa… Ah, que se dane – discutiu com ele.  &lt;br /&gt;- Toma, deita aí no sofá e vê se me deixa dormir.&lt;br /&gt;- Dá um beijo de boa noite...&lt;br /&gt;- Ora rapaz, vai te catar...&lt;br /&gt;- Já tá parecendo minha mulher, me põe pra dormir no sofá e não dá nem boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115689727822694327?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115689727822694327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115689727822694327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/08/amigo-pra-cada-coisa.html' title='Amigo é para cada coisa.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115629525423359465</id><published>2006-08-22T17:38:00.000-07:00</published><updated>2006-08-23T05:14:23.936-07:00</updated><title type='text'>O País da Cara Feia.</title><content type='html'>Era uma vez um lugar lindo de morrer. Cheio de praias virgens e uma floresta incrível, uma não, várias. &lt;br /&gt;A colorir o céu azul anil, pássaros cantando para lá e para cá. Fauna e flora viviam em paz e harmonia. Animais e plantas das mais raras e variadas espécies nasciam e cresciam naquela ilha tropical abençoada por Deus. Não fosse terra firme, poderia ser o próprio paraíso. &lt;br /&gt;A ilha era tão grande, mas tão grande, que resolveram chamar de país.  &lt;br /&gt;O proprietário era o rei lá de Portugal. O filho dele, que era um tremendo bon vivant, veio tomar conta do latifúndio do velho. &lt;br /&gt;Tudo caminhava as mil maravilhas até que a bruxa beijou o sapo, que a princesa é quem deveria ter beijado. &lt;br /&gt;Foi aí que danou tudo. O bicho, em vez de virar príncipe, armou a maior quizumba. Personagens canhestros e valdevinos invadiram o nosso dia-a-dia e entraram, sem licença nem permissão, para o nosso populário. &lt;br /&gt;Saíram da história para virar folclore. Nada pode ser mais surpreendente do que este período surrealístico que experimentamos. Saci-Pererê, Cuca, Curupira,  Mula-Sem-Cabeça, Boi-Da-Cara-Preta, lobisomem, ninguém tem a menor chance, não dão nem para o cheiro. &lt;br /&gt;Grande parte é culpa do tal sapo, que era para ser o bonzinho da história, mas acabou levando todo mundo para o brejo.&lt;br /&gt;Verdade é que o encanto se quebrou e a ganância desfila soberana, fazendo pose de princesa. Homens mentem, se desonram, matam e morrem por causa dela. &lt;br /&gt;Enquanto isso, um bando de bobos da corte e carochinhas solitárias, assiste a tudo passivo como a criança que, sonolenta, ouve incansável a cantiga de ninar.&lt;br /&gt;A cara do país agora é amarrada, tem a testa franzida de desgosto, pés de galinha e rugas de preocupação. A cara do país agora é tapada por camisetas rasgadas e gorros surrados. Dela só se vê o sangue nos olhos. &lt;br /&gt;O vilão apareceu até na televisão. Já o mocinho não deu nem sequer o ar de sua graça. O crime está cada vez mais organizado, os desfalques cada vez maiores. As falcatruas, os grandes golpes, favorecimentos e desmandos já se tornaram comuns. Acabou a magia, o feitiço da ousadia e do ineditismo. &lt;br /&gt;A ex-terra do rei de Portugal virou terra de ninguém, terra de sem-terra. &lt;br /&gt;Finalmente, a nação parece ter se assumido como sendo o Éden da desordem e do retrocesso. &lt;br /&gt;Cara feia não é mais fome. Também é frio, abandono, doença, carência, medo, síndrome de abstinência.&lt;br /&gt;Seria triste, não fosse patético e inacreditável. Seria de chorar de rir, não fosse ao vivo e em cores, essa fábula cheia de capítulos escusos e páginas negras a qual assistimos de cabelos em pé.&lt;br /&gt;Neste ponto parou, leu e releu muitas e muitas vezes o que acabara de escrever. Nem ele mesmo entendeu aquele rompante. Tentou imaginar de onde havia tirado tantas palavras, algumas que nem conhecia. Mas isso não interessava, o importante era que ele começava a se sentir melhor. &lt;br /&gt;Só uma coisa ainda o angustiava. A lembrança de sua professora, aquela do ginásio. Aquela que sempre dava nota baixa nas redações que  escrevia. Naquela época, ele não entendia muito bem porque, mas agora sentia falta de um fecho, uma conclusão.&lt;br /&gt;Andou de um lado para o outro. Levou horas refletindo, matutando. Gastou o assoalho, voltou ao teclado e arrematou:&lt;br /&gt;Que país é este? É o País da Cara feia. Para quem gosta, um prato cheio.&lt;br /&gt;Usou toda a tinta que restava na impressora e todo o papel que encontrou no almoxarifado. Imprimiu quantas e tantas cópias foram possíveis. Assinou uma por uma de próprio punho e jogou tudo pela janela do escritório em que trabalhava, no 19a andar, de um edifício com frente para a avenida Central.&lt;br /&gt;Depois de mais um serão, voltou para casa tarde da noite. Deitou, puxou as cobertas, virou para o lado e teve sua melhor noite de sono em muitos e muitos anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115629525423359465?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115629525423359465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115629525423359465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/08/o-pas-da-cara-feia.html' title='O País da Cara Feia.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115568409951990942</id><published>2006-08-15T15:51:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:19:43.242-08:00</updated><title type='text'>A alma do negócio.</title><content type='html'>- E aí, você acha que rola?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- O negócio lá. &lt;br /&gt;- Ah, acho que sim, pode demorar um pouco, mas no final acaba rolando.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- O negócio lá, ora.&lt;br /&gt;- Ah, tá! E se não rolar?&lt;br /&gt;- Mas por que não rolaria?&lt;br /&gt;- Sei lá! É só uma suposição.&lt;br /&gt;- Mas baseada em quê?&lt;br /&gt;- Em nada não, deixa pra lá.&lt;br /&gt;- Não! Agora eu quero saber: por que você acha que não vai rolar?&lt;br /&gt;- Eu não acho nada, era só uma suposição.&lt;br /&gt;- Você sabe de alguma coisa e não quer me dizer, vamos, anda, desembucha.&lt;br /&gt;- Eu não sei de nada, deixa de ser neurótico.&lt;br /&gt;- Eu?! Você fica fazendo perguntas sem sentido, suposições, dizendo que nada vai dar certo, um baixo astral desgraçado, um pessimismo danado e eu que sou neurótico?!&lt;br /&gt;- Mas foi uma pergunta tão simples. Só queria saber o que você acha... Só isso.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Sei lá, curiosidade.&lt;br /&gt;- Queria saber o que eu vou fazer se não rolar, né?! Saber se eu já estou me armando para o caso de algo dar errado?! Está achando que eu sou besta?! &lt;br /&gt;- Não é nada disso.&lt;br /&gt;- Está jogando verde para colher maduro. Pensando que eu sou ingênuo... Tenho mais de 20 anos de mercado, meu chapa.&lt;br /&gt;- Rapaz, você está ficando completamente maluco.&lt;br /&gt;- Eu… Maluco?! Quem usa uma meia de cada cor e tem uma cor especial de cueca para cada dia da semana não sou eu, não. &lt;br /&gt;- Isso é superstição, não tem nada a ver com maluquice.&lt;br /&gt;- Fanatismo começa assim: uma superstição aqui, um ritualzinho ali, um santinho, uma medalhinha e quando você vê… Está dominado, fazendo a mulher andar de cara coberta e tudo.&lt;br /&gt;- Espera aí! Você está me chamando de maníaco?&lt;br /&gt;- Eu não disse nada disso.&lt;br /&gt;- Disse sim.&lt;br /&gt;- Foi só uma metáfora.&lt;br /&gt;- Uma o quê?&lt;br /&gt;- Metáfora é quando você diz uma coisa querendo dizer outra.&lt;br /&gt;- E que outra coisa você queria dizer e não disse, vai, fala aí?&lt;br /&gt;- Nada não, deixa pra lá.&lt;br /&gt;- Ah, não! Agora eu quero saber.&lt;br /&gt;- Do que a gente estava falando mesmo?&lt;br /&gt;- Xi, rapaz... Me deu branco. &lt;br /&gt;- Ah não! Fugir do assunto é demais. Dizer que não lembra do que estava falando é o fim.&lt;br /&gt;- Mas eu não lembro mesmo, de verdade.&lt;br /&gt;- Do quê?&lt;br /&gt;- Do que a gente estava falando.&lt;br /&gt;- Olha lá, olha lá.&lt;br /&gt;- Que beleza, heim?!&lt;br /&gt;- Mulherão!&lt;br /&gt;- A gente estava falando do que mesmo?&lt;br /&gt;- Do negócio.&lt;br /&gt;- Mas de que negócio? Superstição, fanatismo, essas coisas?&lt;br /&gt;- Não, do negócio.&lt;br /&gt;- Do negócio da moça?&lt;br /&gt;- Não, daquele negócio que você disse que não vai rolar.&lt;br /&gt;- Eu não disse nada disso.&lt;br /&gt;- Disse sim.&lt;br /&gt;- Disse nada.&lt;br /&gt;- Lógico que disse. Faz duas horas que você está falando disso.&lt;br /&gt;- Falando disso o quê?&lt;br /&gt;- Se não lembra é porque é mentira.&lt;br /&gt;- Ôh, rapaz, me chamando de mentiroso?&lt;br /&gt;- Quer saber?! Se a gente não lembra é porque não valia a pena ser falado.&lt;br /&gt;- Aí, disse pouco, mas falou tudo. &lt;br /&gt;- A saideira?&lt;br /&gt;- Vâmo-bora.&lt;br /&gt;- Vâmo-bora ou vâmo tomar a saideira?&lt;br /&gt;- Vâmo tomar a saideira e depois vâmo-bora.&lt;br /&gt;- Ah tá, agora entendi!&lt;br /&gt;- Garçom, por favor…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115568409951990942?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115568409951990942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115568409951990942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/08/alma-do-negcio.html' title='A alma do negócio.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115508239681648773</id><published>2006-08-08T16:40:00.000-07:00</published><updated>2007-02-07T09:26:46.804-08:00</updated><title type='text'>Roda Viva.</title><content type='html'>Aquele decoroso e respeitável senhor grisalho deveria saber. Naquela rua inteira só tinha a casa dele. Deveria ser dele a casa, já que era ele  quem regava o jardim e cuidava das flores quando, de repente, o outro perguntou:&lt;br /&gt;- Por favor, onde fica a saída?&lt;br /&gt;- Mais um.&lt;br /&gt;- Mais um o quê, meu Senhor?! &lt;br /&gt;- Pela enésima vez, lamento informar, mas daqui não há saída.&lt;br /&gt;- Como não?! Uma vez que eu entrei, posso sair. A volta é a conseqüência inexorável da ida, nem que seja pelo mesmo caminho.&lt;br /&gt;- É exatamente aí onde todo mundo que vem parar aqui se engana. Não é só porque há uma entrada que existe uma saída. Oxalá! Fosse assim e uns 99,9 por cento dos problemas dos cidadãos que habitam a face da terra estariam resolvidos. Bom seria se tudo na vida seguisse essa lógica humanamente  compreensível, simples e primária. Acho que, assim fosse, quase tudo em suas vidas patéticas estaria resolvido. Não haveriam guerras, confrontos raciais e religiosos, crimes nem miséria. Obviamente surgiria um ou outro espírito de porco para atrapalhar, mas por essa lógica humanitária, logo um heróico justiceiro daria cabo do estraga prazeres. Pois ainda, de acordo com esse raciocínio ingênuo e infantil, o justiceiro é aquele que faz justiça, e não o caboclo faminto que mata a troco de um punhado de réis e um prato de comida quente; que fique claro e entendido.&lt;br /&gt;- Não precisava fazer todo este discurso, era só falar que não sabia onde era a saída. Mas afinal, quem é o senhor?&lt;br /&gt;- Alguém que já esteve em seu lugar, procurando por uma saída,  uma qualquer desde que levasse a outro lugar, qualquer outro lugar.&lt;br /&gt;- Que conversa mais sem pé nem cabeça, quer saber de uma coisa, vou embora daqui, muito obrigado.&lt;br /&gt;- Hei! Não é para esse lado, não. É para lá.&lt;br /&gt;- E onde é para lá?&lt;br /&gt;- Para o outro lado. Você veio daquela direção, então, deve seguir para lá. É lógico, simples e, como você mesmo disse, inexorável, meu caro.&lt;br /&gt;- Então é por isso que o senhor nunca mais saiu daqui. Vou pelo mesmo lado que vim. Logo, irei parar no mesmo lugar em que cheguei. É lógico, pescou? &lt;br /&gt;Ele andou, andou e andou muito. Muito mais do que achava que fosse capaz de andar, até que encontrou um velho. Tamanho era o cansaço, que só depois de algum tempo se deu conta de que era o mesmo senhor de antes, de que estava no mesmo lugar, diante do mesmo jardim e da mesma cerca de madeira pintada caprichosamente de branco. &lt;br /&gt;- O que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;- Já faz tanto tempo que eu não me lembro mais. &lt;br /&gt;- E eu? Como vim parar aqui outra vez?&lt;br /&gt;- Andando em círculos. &lt;br /&gt;- Como assim?! Não pode ser?! Eu cheguei por ali e saí por ali. Não posso estar de novo aqui. Vou por lá e em linha reta. &lt;br /&gt;- Até já.&lt;br /&gt;- Escuta aqui, eu vou embora daqui e nunca mais vou voltar, entendeu? Seu, seu maluco! Fica aí com suas plantinhas, doidão.&lt;br /&gt;- Fosse eu, economizava energia, não que você vá precisar, mas é sempre bom.&lt;br /&gt;- Ôh tio, antes de eu ir, me diz uma coisa, quem é o senhor?&lt;br /&gt;- Eu já disse, já falei: alguém que esteve como você, desesperado, procurando por uma saída, qualquer uma.&lt;br /&gt;- Entendi! É uma dica! Um jogo! Deixa eu pensar… Uma saída de emergência. É isso, tem que haver uma saída de emergência.&lt;br /&gt;- Lá vai ele de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115508239681648773?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115508239681648773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115508239681648773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/08/roda-viva.html' title='Roda Viva.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115448026517408507</id><published>2006-08-01T17:16:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:24:09.364-08:00</updated><title type='text'>Roubada S/A, boa noite.</title><content type='html'>Depois de estar desempregado há meses os quais ele já tinha desistido de contar, aquela mensagem parecia ser redentora. &lt;br /&gt;O recado dizia que ele era o ganhador de um carro. Veja você. Um Gol zero quilômetro e com tudo pago. Licenciamento, IPVA, um ano de seguro total e a única coisa que ele deveria fazer era ligar para o telefone que remeteu o aviso. Anotou o número. Parecia ter algarismos demais e o prefixo era irreconhecível.&lt;br /&gt;Odeia cair em chavões, mas naquele momento foi impossível evitar: quando a esmola é demais, até o santo desconfia. &lt;br /&gt;Tentou ignorar, mas não pôde. Era mais forte do que ele. Foi ao telefone e ligou para o número que havia anotado, por via das dúvidas, em um pedacinho de papel. Vai que acontece alguma coisa com o celular.&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Quem fala?&lt;br /&gt;- O senhor que ligou, o senhor que tem que dizer quem é.&lt;br /&gt;- Aqui é o Brasílio, eu recebi uma mensagem no meu celular. Vocês me disseram que eu ganhei um carro, um Gol zero com tudo pago.&lt;br /&gt;- Meu senhor ninguém disse nada. O senhor recebeu uma mensagem, não foi?&lt;br /&gt;- Foi.&lt;br /&gt;- Era de voz?&lt;br /&gt;- Não, de texto.&lt;br /&gt;- Ora, então ninguém disse nada, não. De onde o senhor está falando?&lt;br /&gt;- São Paulo.&lt;br /&gt;- Mas de que lugar de São Paulo?&lt;br /&gt;- Antes eu quero saber se eu ganhei ou não esse maldito carro.&lt;br /&gt;- Um momento que eu vou verificar.&lt;br /&gt;Depois de alguns minutos, a linha caiu. Brasílio tentou ligar de novo. A pessoa do outro lado atendeu, reconheceu a voz e desligou. Ele não se conformou. Virou questão de honra. Tinha que saber exatamente o que estava acontecendo, do que se tratava aquela batatada. &lt;br /&gt;Tentou de novo, outra vez, mais outra e nada, ninguém respondia. Pediu para sua mãe ligar. Ao ouvir a simpática voz da velhinha, o outro lado da linha respondeu.&lt;br /&gt;- Alô! Bom dia minha senhora, em que posso ajudá-la?&lt;br /&gt;- É que meu filho ganhou um carro, um Gol novinho, com tudo pago e queria saber como faz para retirar.&lt;br /&gt;- A senhora poderia confirmar os dados: telefone, endereço para entrega, CPF e RG do ganhador?&lt;br /&gt;- Olha, neste caso acho melhor o senhor falar com ele mesmo.&lt;br /&gt;- Alô, alô, então eu ganhei o Gol, eu ganhei? &lt;br /&gt;- É você, seu Mané?! Tá querendo embaçar na nossa?! Se liga e vê se esquece de nós, dá pista rapaz. &lt;br /&gt;Falou, disse e bateu o telefone na cara de Brasílio. Surpreso com a reação do interlocutor, ele aguardou alguns minutos e ligou de novo. &lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Alô, eu liguei…&lt;br /&gt;- Eu sei, fui eu que atendi. Qual é rapaz, tu é da polícia? Não vai rastrear nós não. O crime aqui é organizado, a firma é forte com atuação nas áreas social e de consumo. Temos filiais nas principais cidades brasileiras. Para nós segurança é tudo, tá ligado?! Entendeu agora, meu irmão?! Tu não caiu porque é mais esperto do que a maioria. E já que tu é esperto, fica na tua, não espalha, tá falado?! &lt;br /&gt;Tudo esclarecido e Brasílio teve que voltar a pensar em seus problemas, dívidas, contas vencidas. &lt;br /&gt;Bem que a história do Gol poderia ser verdade – lamentava inconformado. &lt;br /&gt;Impulsionado pelo destempero da emergência, resolveu ligar de novo.&lt;br /&gt;- Alô! É você de novo, meu chapa?! A coisa anda preta mesmo pro teu lado, heim?! Precisando de grana para valer, né?! Faz assim: anota o telefone que eu vou te passar e fala lá na nossa Central.   &lt;br /&gt;- Então eu ganhei o Gol? Eu ganhei o Gol?&lt;br /&gt;- Ôh rapaz, deixa de ser comédia e liga lá.&lt;br /&gt;O homem desligou o gancho. Brasílio ligou imediatamente para o novo número.&lt;br /&gt;- Alô, meu nome é Brasílio, eu recebi um recado no celular a respeito de um automóvel…&lt;br /&gt;- Tô sabendo, o negócio é o seguinte: você foi selecionado entre milhares e milhares de pessoas que ligaram se candidatando à vaga. Ao entrar para nossa corporação, você terá um automóvel à sua disposição. Poderá escolher sua área de atuação e ainda contará, mensalmente, com uma ajuda de custo no valor de cinco salários mínimos mais bônus. Em breve, o senhor receberá em sua casa nosso kit boas-vindas que contém: o manual de procedimento, as chaves do seu automóvel, um cartão de crédito corporêite, sem limite e com seguro anticlonagem, dois celulares e outros valiosos brindes personalizados. Sua senha pessoal deve ser memorizada e imediatamente destruída. A ficha cadastral pode ser enviada pelo correio ou preenchida pela Internet no site crimeorganizado.com.br/cadastro. Seja bem-vindo à Roubada S.A. &lt;br /&gt;O telefone toca. Brasílio atende.&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Alô, é verdade que eu ganhei um Gol zero com tudo pago?&lt;br /&gt;- Depende...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115448026517408507?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115448026517408507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115448026517408507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/08/roubada-sa-boa-noite.html' title='Roubada S/A, boa noite.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115391649046243395</id><published>2006-07-26T05:05:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:30:46.019-08:00</updated><title type='text'>I.G.G.R.E.S. Pérola Negra.</title><content type='html'>O homem bebia desde sempre. Bebia e cantava. &lt;br /&gt;No começo, sua carreira de sambista parecia que ia decolar, mas logo depois do carnaval, a gravadora cortou o jabá das rádios e o pobre caiu em esquecimento. &lt;br /&gt;Passou a se apresentar em bares e restaurantes de amigos. Morava de favor na casa de um compadre até o dia em que só lhe sobrou a rua. Dormia onde pudesse cair. Com o tempo, a experiência e a incapacidade de parar em pé, começou a cair onde pudesse dormir. &lt;br /&gt;Cantava até mesmo enquanto dormia, o que chamava a atenção de quem passava por ali. Despertava, apontava a garrafa que pousava ao seu lado para céu, e dizia:&lt;br /&gt;- Se o vinho é o sangue, a cachaça são as lágrimas de Jesus! &lt;br /&gt;Voltava a se deitar balbuciando melodias. A roda de curiosos aumentava dia após dia. &lt;br /&gt;Conclusões precipitadas e boatos percorreram milhares de quilômetros com a ligeireza dos raios. &lt;br /&gt;Bisbilhoteiros chegavam de todas partes do país e logo se tornavam ardorosos fiéis. &lt;br /&gt;- Se o vinho é o sangue, a cachaça são as lágrimas de&lt;br /&gt;Jesus! Repetia o ébrio pregador a todo e qualquer que lhe doasse algumas moedas ou qualquer outra coisa. &lt;br /&gt;Juntaram-se ao cantor, dois dos mais antigos e notórios beberrões da cidade. Ambos pareciam ter mais tempo de rua do que de vida. Um deles ficava sabendo das coisas pelas manchetes da banca e pelo noticiário que assistia através da vitrine de uma loja de eletroeletrônicos. Este se tornou o falador. Começou a traduzir o que o outro cantava embolado.&lt;br /&gt;- Aí que saudades... – cantado.&lt;br /&gt;- Só para os de boa-vontade – falado.&lt;br /&gt;- Ferida aberta no meu coração... – cantado.&lt;br /&gt;- E de mão aberta haverá salvação - falava enquanto passava o chapéu.&lt;br /&gt;A função do outro era manter o etilista visionário em pé e cantando. &lt;br /&gt;O falador agora, em vez de pedir esmola na porta da igreja, prestava atenção à missa. Revisava e repetia os sermões que ouvia do padre.&lt;br /&gt;- Irmãos e irmãs, é a Deus Pai, aquele que a tudo criou, que de tudo sabe e que a tudo vê. É a Ele que vocês estão doando - o discurso melhorara, e muito, assim como a arrecadação.&lt;br /&gt;Alugaram um sobrado. Moravam na parte de cima e  celebravam na de baixo. Os rituais atraíam cada vez mais gente. Em pouco tempo, alugaram um grande galpão, compraram uma aparelhagem de voz e contrataram uma banda. &lt;br /&gt;As cerimônias viviam lotadas, fiéis e sacerdotes cantavam e dançavam. A quem fosse perguntar de que religião ou credo se tratava, todos tinham a resposta na ponta da língua. &lt;br /&gt;- Se o vinho é o sangue, a cachaça são as lágrimas de Jesus!&lt;br /&gt;Refrão que causou espécie e se espalhou com a força dos ventos que uivam. Dizem que foi até tema de reunião com Vossa Santidade, o Papa, lá no Vaticano. De lá mesmo, dá-se conta de que veio  uma missão para ver o que realmente estava acontecendo. &lt;br /&gt;As notícias que chegavam ao Clero eram de arrepiar. &lt;br /&gt;Os missionários não resistiram à divina curiosidade e foram direto ao culto. Chegaram no clímax da celebração. Usando da autoridade que as sacras e bordadas batinas lhes conferiam, os clérigos atravessaram a multidão e foram ter com o falador.&lt;br /&gt;- Meu senhor, dizem que este culto é ilegítimo.&lt;br /&gt;- Como assim?! Por acaso, alguém disse: não beberás, não celebrarás com teus irmãos, não baterás coxas com tuas  irmãs? Então, aqui é tudo legítimo e justo: homem paga 20, mulher paga 10, couvert artístico só sextas e sábados, e não tem consumação mínima; lei do livre arbítrio. &lt;br /&gt;Os padres não entenderam nada. Como missionários, conheciam várias línguas, entre as quais o português, mas não o suficiente. Apesar disso, podiam sentir algo de iluminado ali. Toda aquela euforia e felicidade tinham que ser coisa do Divino. &lt;br /&gt;- Minha alegria atravessou o mar... - cantado &lt;br /&gt;- E Moisés separou o mar - falado&lt;br /&gt;- E foi parar na passarela... - cantado&lt;br /&gt;- Com Deus a vida é bela - falado&lt;br /&gt;Perguntaram o que era aquilo que estavam bebendo. O falador deu a mesma explicação que embevecia os seguidores.&lt;br /&gt;- Se o vinho é o sangue, a cachaça são as lágrimas de Jesus!&lt;br /&gt;O falador ofereceu para que provassem. &lt;br /&gt;- Que assim seja – responderam juntos. &lt;br /&gt;Provaram da malvada, e depois, bastou um telefonema para A Igreja Global, Grêmio Recreativo e Escola de Samba Pérola Negra ser, oficialmente, promulgada pelo Vaticano e abençoada por Vossa Santidade. &lt;br /&gt;A tradição foi mantida e os missionários foram iniciados. De seus próprios copos ofereceram um generoso trago ao santo e, em seguida, viraram a danada num só gole. &lt;br /&gt;-Aaah-mém! &lt;br /&gt;Aclamaram, celebraram e se embebedaram juntos, como fazem até hoje, de quarta a domingo, das 20h até o último fiel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115391649046243395?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115391649046243395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115391649046243395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/07/iggres-prola-negra.html' title='I.G.G.R.E.S. Pérola Negra.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115334834268566045</id><published>2006-07-19T15:15:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:36:22.230-08:00</updated><title type='text'>Quanto mais se reza, mais aparece.</title><content type='html'>Folgado:&lt;br /&gt;- Ôh rapaz, e aí, como é que vai?&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Tudo bem. &lt;br /&gt;Folgado:&lt;br /&gt;- Eu tô na luta. &lt;br /&gt;Vai almoçar por aqui? Então vamos nessa, colocar a conversa em dia. Quanto tempo, heim?!&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- É!&lt;br /&gt;Folgado:&lt;br /&gt;- Continua casado?&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Continuo.&lt;br /&gt;Folgado:&lt;br /&gt;- Com a mesma mulher?&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- É!&lt;br /&gt;Folgado:&lt;br /&gt;- As crianças, como vão?&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Crescendo.&lt;br /&gt;Folgado tenta agradar:&lt;br /&gt;- Você não muda mesmo, né?! Um homem de poucas palavras. Este ar misterioso sempre fez sucesso. Conta aí da secretária?!&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Que secretária?!&lt;br /&gt;Folgado:&lt;br /&gt;- Aquela bonitona.&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Foi embora.&lt;br /&gt;Folgado tenta agradar:&lt;br /&gt;- Você demitiu a moça porque a coisa começou a complicar. Ela começou a querer mais do seu tempo, mais de você, eu sei como funciona.&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Não é nada disso. Meu chefe mandou ela embora.&lt;br /&gt;Folgado:&lt;br /&gt;- Xiii, agora você tem chefe?!&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- É! A coisa não anda fácil.&lt;br /&gt;Folgado tenta agradar:&lt;br /&gt;- Mas já, já você vira o chefe do chefe, sempre foi o primeiro da turma.&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Eu?!&lt;br /&gt;Folgado tenta agradar:&lt;br /&gt;- Achou que eu não ia lembrar?! Não fosse você e eu não tinha nem completado o segundo grau, vestibular então, não tinha nem passado perto. Tenho muito a te agradecer, rapaz.&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Você se formou em que mesmo?&lt;br /&gt;Folgado tenta enrolar:&lt;br /&gt;- Esqueceu? Já sei, tá confundindo: eu fui na formatura, mas não me formei não. Fui só na festa que tava muito boa por sinal. Falando em boa, você se casou com aquela sua namoradinha?&lt;br /&gt;Sério:&lt;br /&gt;- Óh o respeito!&lt;br /&gt;Folgado tenta agradar:&lt;br /&gt;- Brincadeira, a gente cresce e vai ficando sério, você tá certo. É como eu sempre digo: com família não se brinca. Eu sei como funciona. Foi mal, desculpa aí. &lt;br /&gt;Mas voltando ao assunto: bons tempos aqueles não é mesmo?! &lt;br /&gt;Lembra do Galvão? Cara, ele não vai acreditar. Empresta aqui teu celular.&lt;br /&gt;Folgado pega o telefone:&lt;br /&gt;- Alô, Galvão! Cara, você não vai acreditar?! Não Galvão, não dá pra te pagar ainda. Pô meu irmão, eu ligo na maior amizade, você nem bem atende e já vem falando de grana, me cobrando, falta de consideração. Até parece que não sabe como é que funciona?! Ôh Galvão, adivinha quem tá aqui comigo... O namorado daquela gostosa que fazia psicologia lembra? Aquele gordinho, careca, rico para cacete?! Então, tô com ele aqui no shopping.&lt;br /&gt;Folgado interrompe a conversa:&lt;br /&gt;- O Galvão tá mandando um abraço. &lt;br /&gt;Folgado volta a falar no celular:&lt;br /&gt;- Mas viu Galvão, não vai dar para eu aparecer por aí hoje não… Calma rapaz! Não é nada disso… É que a coisa tá feia para mim lá na quebrada, mas óh, não vou te deixar falando não. &lt;br /&gt;Faz assim: tá vendo esse número aí na bina? Então, anota e qualquer coisa me liga. Que o quê, rapaz?! Pára com isso, tô falando sério. Galvão, vai na fé, pode ligar na boa. Abraço forte.&lt;br /&gt;Folgado agradece:&lt;br /&gt;- Cara, pra-zer-za-ço em te ver, beijão na família e obrigado pelo telefone, valeu mesmo, de coração.&lt;br /&gt;Sério e agora preocupado:&lt;br /&gt;- Mas e se o Galvão ligar? Eu digo o quê? &lt;br /&gt;Folgado:&lt;br /&gt;- Diz para ele que mais tarde eu ligo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115334834268566045?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115334834268566045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115334834268566045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/07/quanto-mais-se-reza-mais-aparece.html' title='Quanto mais se reza, mais aparece.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115274429250468538</id><published>2006-07-12T15:31:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:39:09.372-08:00</updated><title type='text'>Otacílio encontra Darwin.</title><content type='html'>Já não tinha mais palavras para nada. O menino falador e brincalhão deu lugar a um sujeito quieto e encafifado. Cursava o Estadual quando a professora de Ciências apresentou à classe Charles Darwin, que diz em sua teoria o que muito cientista defende até hoje, que nós, os seres humanos, somos descendentes diretos dos macacos. &lt;br /&gt;Indicou para leitura o livro, A Origem das Espécies Através da Seleção Natural, e avisou que era matéria de prova.&lt;br /&gt;Rapaz, a tal deriva genética deu um nó na cabeça do pobre do menino. Acreditar em macro evolução era negar todo o resto. Até aquele dia, para ele, Deus era quem tinha feito tudo, criado o homem, a terra e o céu. &lt;br /&gt;Aceitar que ele era simplesmente a evolução do macaco era negar tudo o que sua avó e sua mãe lhe diziam e ensinavam. Aquilo o encucou de verdade. &lt;br /&gt;Cedo demais trocou a preocupação de manter em dia seu estoque de gomas de mascar e balas de hortelã pelo paradoxo da criação: religião versus biologia. &lt;br /&gt;Toda vez que ia à igreja, passava a acreditar mais em Deus do que naquele cientista maluco. O que mudava a cada visita ao zoológico. Diante do viveiro dos macacos se punha a pensar na tal teoria. Era inevitável. Um dia imaginou que Zé, de José, poderia ser uma evolução de chipanzé. Essa história estava fundindo a cuca de Otacílio.&lt;br /&gt;Já crescido, não terminou o colégio e teve que começar a trabalhar. A pressão, o estresse, a rotina, a condução lotada, o trânsito parado, tudo isso não tinha nada a ver com evolução na opinião dele e do tal de Darwin. &lt;br /&gt;Otacílio não estudou tanto quanto gostaria, mas de burro não tinha nada, porém, de macaco ele começava a achar que tinha alguma coisa. Quando era criança, vivia trepando em árvores, chegava da escola e sua mãe passava horas futucando sua cabeça, procurando piolhos.  &lt;br /&gt;Será que os macacos lá do estrangeiro são loiros e têm olhos claros? E os lá da Ásia então, será que têm olhos puxados e preferem peixe cru em vez de banana? – pensava com ele. &lt;br /&gt;Foi ver o longa-metragem feito a partir do seriado que assistia com seu irmão mais velho, O Planeta dos Macacos. Saiu no meio. Aqueles macacos eram muito humanos e aqueles humanos muito macacos. Maquiagem! Era tudo maquiagem, truque, ficção.&lt;br /&gt;Mudou para o interior em busca de sossego e qualidade de vida. &lt;br /&gt;Por curiosidade, instinto e pura falta do que fazer, não demorou a se embrenhar na mata. &lt;br /&gt;Encontrou uma família de primatas com a qual começou a se comunicar através de mímica. Otacílio passou a visitá-los frequentemente. Com o tempo, começaram a se entender. &lt;br /&gt;A mais velha entre as fêmeas apresentou-o ao resto do grupo. A macaca contou como tudo ali funcionava, a organização social e política da comunidade e o que para eles significava liberdade. Deixou claro que ali havia uma hierarquia, que o grupo tinha um líder ao qual todos seguiam e também explicou, tim-tim por tim-tim, como se organizavam as famílias, formadas por um macho e várias fêmeas. &lt;br /&gt;Jovem e impetuoso, Otacílio foi viver no mato com seus ancestrais. Tentou se adaptar. O diálogo evoluía com a convivência. No começo, tudo ia bem. Fez amizades, ajudava nas tarefas e participava das brincadeiras. &lt;br /&gt;Ao tentar formar sua própria família, Otacílio trocou os pés pelas mãos. Achou que ali, entre eles, aquilo era mais do que normal. A parte que mais o fascinou foi a que ele não entendeu.  &lt;br /&gt;Aconselhado pelo líder, voltou à cidade. Era muito humano para viver em um ambiente tão civilizado. O lugar dele era mesmo na selva, mas na de pedra. &lt;br /&gt;Com o passar do tempo, Otacílio se convenceu que a Teoria da Evolução era um tremendo atraso de vida, pelo menos para ele. &lt;br /&gt;Arrumou um novo emprego, se matriculou em um curso supletivo e passou a ser assombrado, na prática, por outro estudo especulativo. Esse bem mais recente, elaborado por físicos e matemáticos, a Teoria do Caos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115274429250468538?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115274429250468538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115274429250468538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/07/otaclio-encontra-darwin.html' title='Otacílio encontra Darwin.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115214983564299674</id><published>2006-07-05T18:21:00.000-07:00</published><updated>2007-02-07T09:22:50.645-08:00</updated><title type='text'>Molho Inglês.</title><content type='html'>Dizem que aconteceu em Londres e é uma das passagens preferidas pelos mais antigos e assíduos freqüentadores do pub chamado Shakespeare.&lt;br /&gt;O pessoal não se cansa de contar que, quando a esposa morreu, Philip lhe aprontou uma das boas. Mandou gravar na lápide da falecida:&lt;br /&gt;“Aqui jaz Helen, fria como sempre.”&lt;br /&gt;Durante o velório, Philip mantinha-se calado. Já os amigos prendiam o riso.  &lt;br /&gt;O enterro aconteceu no final da tarde, a indignação foi tamanha que, tomando a pá das mãos do coveiro, o pai destruiu a pedra mármore gravada. &lt;br /&gt;Enquanto isso, Philip e seus amigos, apesar de ingleses, saíram à francesa. &lt;br /&gt;Kate, a irmã mais nova, jurou vingança.&lt;br /&gt;Ele embolsou o dinheiro do seguro de vida da patroa e curtiu até não mais poder. Foram anos e anos de jogatina, farra e bebedeira. Bateu as botas enquanto dormia, no rosto, o sorriso dos que descansam em paz. &lt;br /&gt;Assim que soube do falecimento, a irmã mais nova convocou a todos. A família de Helen sempre achou Philip grosseiro e beberrão. Até o primo engraçado com quem eles adoravam sacanear tinha sumido.&lt;br /&gt;O que estariam fazendo todos reunidos no velório do desafeto?! Comemorando?!&lt;br /&gt;Os amigos só entenderam quando a enorme guirlanda chegou à casa mortuária. Primeiro entraram uns homens vestidos de soldadinhos de chumbo. Eles anunciaram o enorme arranjo floral com a faixa que dizia:&lt;br /&gt;“Aqui jaz Philip, duro como nunca.”&lt;br /&gt;A cambada de safados caiu na gargalhada. A família da falecida transformou a derradeira despedida em mais um episódio da história do já folclórico pub. Até hoje no Shakespeare, toda vez que se conta o caso, o comentário vem a reboque: &lt;br /&gt;“Phil teria adorado aquilo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115214983564299674?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115214983564299674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115214983564299674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/07/molho-ingls.html' title='Molho Inglês.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115188713004556710</id><published>2006-07-02T17:19:00.000-07:00</published><updated>2008-01-29T12:30:45.945-08:00</updated><title type='text'>À espera do futuro.</title><content type='html'>Ele estava ali parado há anos. Parentes próximos, distantes, amigos da família, ninguém nunca entendeu porque e nem teve coragem de perguntar. &lt;br /&gt;Seu Carmelo passava os dias para lá e para cá em sua cadeira de balanço. Sentado ali, se divertia brincando com Pimpão, o vira latas ao qual deu o nome do palhaço que mais gostava na infância.&lt;br /&gt;Foi de sua cadeira balangante que viu suas filhas crescerem, assistiu ao nascimento das netas e, dali mesmo, via as meninas, já crescidas, entrando e saindo. &lt;br /&gt;Todo dia, o Aristides, que trabalha nas proximidades, descia do ônibus e, no caminho até o escritório, cruzava com o velho que, sentado em sua cadeira, balançava e esperava pacientemente. &lt;br /&gt;A rua, que um dia fora tranqüila, hoje é movimentada e tem até hora do rush. Ele passava na ida, o senhor estava lá. Ele voltava e o homem continuava ali. &lt;br /&gt;Com o tempo, aquilo começou a intrigar o Aristides. Enquanto as outras centenas de pessoas que passam por ali todos os dias nem mais o percebiam, pois para elas o velhinho já tinha virado paisagem, para Ari era diferente. Aquilo começou a irritá-lo, virou um tormento, uma obsessão. Até durante os fins-de-semana, estivesse indo para onde fosse, Ari passava por lá para ver se o velhote estava bem.&lt;br /&gt;Chegava mais cedo, saia mais tarde do trabalho e seu Carmelo continuava ali, a balangar-se em sua cadeira. &lt;br /&gt;-Depois do velho na cadeira de balanço à esquerda - uma vez se pegou usando o pobre como referência. Sem que Ari quisesse, seu Carmelo entrou e começou a fazer parte de sua vida. Verdade que sua figura invocava a memória de seus pais e avós já subidos, com quem se sentia em dívida, o que lhe atacava a culpa.  &lt;br /&gt;Um dia, Ari não se agüentou. Tinha que fazer algo para que aquilo parasse. Pediu licença, passou o portão e foi ter com o velhote. Perguntou quantos anos tinha. Ele disse que não se lembrava. Perguntou há quanto tempo estava ali.  Seu Carmelo começou a fazer as contas. Usou os dedos das mãos, apelou para o lápis sem ponta com o qual fazia palavras cruzadas. Somou, multiplicou e nada. O número era enorme, ultrapassava em muito os dez que sabia contar. &lt;br /&gt;O Aristides já estava ali mesmo e agora queria tirar aquilo a limpo de qualquer jeito. A imagem do velho balangante não saía de sua cabeça e o forçava a pensar no futuro, coisa de que ele não gosta nada, nada. É do tipo que repete para todo mundo que pode: viva o presente porque nunca se sabe o dia de amanhã. &lt;br /&gt;Usou de toda sua pouca educação e delicadeza para tocar no assunto. Aproximou-se, agachou e foi logo perguntando.&lt;br /&gt;- Me diz uma coisa: o que o senhor está fazendo aqui há tanto tempo?&lt;br /&gt;- Estou esperando a vida passar. Mas pelo jeito ela não vem hoje não.&lt;br /&gt;Depois disso, Ari achou melhor mudar de caminho. Passou a descer dois pontos depois e voltar, só para não cruzar mais com seu Carmelo balangando em sua cadeira e brincando com Pimpão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115188713004556710?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115188713004556710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115188713004556710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/07/espera-do-futuro.html' title='À espera do futuro.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115111944453922336</id><published>2006-06-23T20:12:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:45:41.910-08:00</updated><title type='text'>O homem que não sabe mandar flores.</title><content type='html'>Aquela era sempre a hora mais difícil. Geraldo nunca foi um grande paquerador. Para se dar bem, invariavelmente, estivesse a lei da oferta e da procura como estivesse, ele tinha que investir  tempo, papo e dinheiro. Homem bom de conversa, acabava divertindo a moça. Uma conquista nunca lhe custava menos do que cinema, jantar e no dia seguinte, um belo arranjo de flores. &lt;br /&gt;Até aí tudo bem. É freguês da floricultura Mundo Flora. Negócio de família que Elisângela herdou há muitos anos, quando Geraldo era apenas uma criança e ela, a jovem e bela Liz. &lt;br /&gt;Hoje, dona Liz é uma senhora muito simpática, prestativa e mãe de nove filhas. Conhece tudo quanto é tipo de mulher, o que sempre foi muito interessante para ele. A tia é um poço de conhecimento. Ele conversava, falava um pouco da moça da vez e dona Liz se apressava em sugerir algo que a fulana iria amar de paixão, era infalível. Gastava uns trocados e pronto.  &lt;br /&gt;O problema era o cartão. Nessa hora, ele sempre lembrava da frase que um homem famoso falou numa palestra da firma: &lt;br /&gt;“O cartão é mais importante do que as flores” &lt;br /&gt;Desde aí, toda vez que se vê diante de um maldito papelzinho em branco, entra em pânico. Num gesto de bravura e coragem, Geraldo resolveu tentar mais uma vez. Queria colocar ali alguma coisa diferente, sensível, capaz de preparar o clima. Aquele pedaço de mulher merecia algo especial. Pensou em ser bem romântico: &lt;br /&gt;“Se te quero, e como te quero,  &lt;br /&gt; em nome do amor e da arte, &lt;br /&gt; capaz de me levar a qualquer parte”&lt;br /&gt;Achou meio bobo, meio brega. Soava como refrão daquelas canções de festivais estudantis. Tentou pensar em algo mais casual, que refletisse uma personalidade jovial e despojada: &lt;br /&gt;“A saudade de ter sem nunca ter tido&lt;br /&gt; A vontade de dizer o que nunca foi dito”&lt;br /&gt;Também não gostou. Achou distante para a ocasião, meio existencialista, em voz alta, soou até triste. Decidiu tentar algo passional, à la latin lover assumido: &lt;br /&gt;“Deixar prender-me quando tudo o que quero é poder render-me,&lt;br /&gt; livrar-me quando tudo o que quero é ser levado”&lt;br /&gt;Rasgou e atirou no lixo. Aquilo não era um cartão, mais parecia fala de novela mexicana. Ele pelejou contra a própria falta de habilidade, mas nada do que lhe vinha à cabeça parecia ser bom o suficiente. Foi então que apelou. Tentou copiar algo desses cartões prontos que se pode comprar em livrarias, bancas de jornal e camelôs. Consultou livros de poesias, de citações, tudo em busca de alguma inspiração, de  algo para copiar e nada.&lt;br /&gt;A insegurança, coisa normal nesta fase de seus relacionamentos, começava a se tornar incerteza. Os questionamentos faziam-lhe coçar o couro cabeludo. Quando isso acontecia, quando lhe atacava uma coceira tremenda no cucuruto, Geraldo já sabia, era neste momento que começava a desconfiar do próprio taco. &lt;br /&gt;Ora, se não conseguia nem escrever uma baboseira, como faria na hora de convencer a moça? Se tremia e ficava nervoso diante de um papelucho em branco, o que aconteceria na hora dos finalmentes? Cansado daquele perrengue, resolveu fazer como sempre tinha feito. Acabou e começou o tal cartão do mesmo jeito, exatamente como fez tantas outras vezes: &lt;br /&gt;“Acho que te amo. Quer me ajudar a tirar essa dúvida?” &lt;br /&gt;Existia uma pequena variação para ser usada de acordo com  a idade, o estilo, o perfil da moça e a sugestão da florista. Era mais ou menos assim:  &lt;br /&gt;“Acho que te amo. Vamos descobrir juntos?”. &lt;br /&gt;Muita gente desdenhava, a grande maioria duvidava quando ele contava, mas dava certo mesmo, era a mais pura verdade. A resposta era quase sempre positiva  e imediata. Principalmente quando o arranjo de flores era grande e o cartão bem pequeno, escrito em letras calcadas no papel pela força do nervosismo. &lt;br /&gt;Funcionava porque esse era o verdadeiro Geraldo. Por trás daquela voz baixa e daquela expressão assustada, daquele jeito tímido e desajeitado, se escondia um homem e tanto, raridade nos dias de hoje. Isso era o que comentavam suas namoradas, primas, amigas íntimas, amigas fáceis. &lt;br /&gt;O cara tem pegada. Sabe o que fazer com uma mulher nas mãos, &lt;br /&gt; e com as mãos numa mulher - todas elas  concordavam. &lt;br /&gt;O mesmo mexericavam as amigas das amigas e as conhecidas das inimigas. &lt;br /&gt;Geraldo é anterior ao metrossexualismo. Para ele, andrógeno é nome de hormônio e as mulheres são a melhor invenção do Homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115111944453922336?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115111944453922336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115111944453922336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/06/o-homem-que-no-sabe-mandar-flores.html' title='O homem que não sabe mandar flores.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115067611976380111</id><published>2006-06-18T17:02:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:48:23.526-08:00</updated><title type='text'>Cultura Popular é isso aí.</title><content type='html'>Nunca se interessou, quis saber ou foi atrás. Sempre achou um atraso de vida essa história de futebol. Era contra qualquer festa, esporte, religião ou credo capaz de alienar, de anestesiar toda uma nação. Mas não tinha culpa se todo mundo só falava nisso, o tempo todo. Muito educado, prestava atenção enquanto nas reuniões e encontros, seus amigos conversavam, debatiam, discutiam e, às vezes, até brigavam. Assim os acontecimentos, nomes, datas e placares ficavam registrados em sua memória privilegiada. &lt;br /&gt;Por isso, e só por isso, sabia que o primeiro gol brasileiro em uma Copa do Mundo foi marcado por João Coelho Neto, o Preguinho, em 1930, na Copa do Uruguai. Sabia também que Leônidas da Silva, o Diamante Negro, no Mundial de 38, na França, marcou um gol descalço, ou melhor, de meião. E valeu! Naquela época, chuteira não dava bolha. Estourava e deixava o caboclo de pé descalço no meio do gramado. &lt;br /&gt;Ópio do povo, circo de alienados, quer vê-lo irritado? Fale que o Brasil é o país do futebol. Pronto, o homem vira bicho. Para ele, este é o país da terra, das belezas e riquezas naturais. Vinte e dois marmanjos correndo feito uns desesperados, trombando e se batendo atrás de uma bola, isso é sinal de mentalidade subdesenvolvida. Tudo bem que no futebol americano o pessoal quase se mata e não é raro um ou outro acabar a temporada em cadeira de rodas. Mas já reparou nas roupas que eles usam? Coisa de gente civilizada.  &lt;br /&gt;Conhece quase, senão todos, os times de futebol existentes do lado de baixo do Equador por falta de opção. Tem que conhecer, infelizmente, faz parte da história do país onde nasceu e mora. Saber que Zé Horta e Mosquito, a dupla de ataque do América de Belo Horizonte dos anos 50, era comparada à Pelé e Coutinho, não é um simples detalhe. Assim como, escarafunchar a história de Gilberto Nenêga, atacante do Nacional da Serra, canhoto e de pernas tortas,  que diziam ser anterior a Garrincha, é quase um trabalho de pesquisa antropológica. Ainda que o futebol, na opinião dele, é, senão a maior, uma das grandes mazelas da nação. &lt;br /&gt;Para ele, a Copa de 70, no México, é o ápice de todo esse absurdo. Como podem falar dessa Seleção e desse tal Tricampeonato até hoje? Só sofreu, se emocionou, chorou e comemorou forçado pelas circunstâncias. Quebrasse a corrente para frente para ver, podia ser tachado de comunista, preso e sabia ele mais o quê. Torceu por pura obrigação cívica. &lt;br /&gt;Ouse falar em paixão nacional e o homem fica louco, indignado. Como Pelé, Falcão, Zico, Romário e os Ronaldos podem ser mais conhecidos, aqui e lá fora, do que José Américo de Almeida, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e o pintor Sacilotto? Isso não lhe entra na cabeça. &lt;br /&gt;As únicas coisas que consegue recitar são as escalações de todas as Seleções Brasileiras e das equipes que disputam as séries A, B, C e D do Brasileirão. Mesmo assim, não se conforma com o esquecimento em que caíram os autores clássicos, os pais tupiniquins das nobres artes. &lt;br /&gt;Atreva-se a falar em futebol-arte para ver, o homem chega a uivar. Até hoje, odeia Paolo Rossi com todas as forças e guarda imensa admiração pela figura de Telê Santana, o técnico da seleção dos sonhos, aquela de 82, na Espanha. Mas nem por isso aceita que o ato de jogar bola seja encarado como manifestação artística. O Carnaval ainda vá lá.&lt;br /&gt;Na Copa de 94, não torceu pela Seleção Brasileira e sim contra o imperialismo e a dominação econômica exercida pelos americanos. Sofreu, chorou e comemorou por uma questão ideológica. Vencer dentro dos EUA foi triunfar sobre as imposições e exigências do FMI. Ele podia comemorar porque não se deixava alienar. Já os outros, pareciam um bando de macacos atrás da única bananeira sobrevivente na face da terra.&lt;br /&gt;A Copa da França, em 98, ele bloqueou de sua mente. Maria Antonieta, Napoleão, Alain Prost, François Mitterrand, definitivamente, ele não gosta dos franceses.&lt;br /&gt;Em 2002, acompanhou o Mundial Coréia/Japão para prestigiar os asiáticos. Tem muitos amigos que aderiram ao budismo e ele mesmo busca na milenar filosofia oriental respostas para vários de seus dilemas pessoais.&lt;br /&gt;Nas reuniões e encontros de família, ouvindo os papos, conversas, debates e discussões dos mais velhos, conheceu os enredos de Saramandaia, O Bem-Amado e Roque Santeiro, acompanhou a vida de Salomão Ayala e descobriu quem matou Odete Roittman. Para ele, só existe uma coisa mais alienante, nefasta e brasileira do que o futebol: a novela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115067611976380111?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115067611976380111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115067611976380111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/06/cultura-popular-isso.html' title='Cultura Popular é isso aí.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-115050438608340576</id><published>2006-06-16T16:45:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:52:23.316-08:00</updated><title type='text'>Se contassem, nem ele acreditaria.</title><content type='html'>Sexta-feira. Final do expediente. Renato Costa Souza Aguiar está em sua sala. Dona Lívia, a secretária, avisa pelo interfone:&lt;br /&gt;- Doutor Aguiar, tem uma mulher aqui na recepção, ela disse que o senhor a está esperando, mas eu não tenho nada agendado.&lt;br /&gt;Aguiar sentiu um tremendo frio na barriga que escalou sua espinha e gelou.&lt;br /&gt;- O nome Dona Lívia? Pergunte o nome.&lt;br /&gt;- Disse que o senhor a conhece.&lt;br /&gt;- De onde? &lt;br /&gt;- Da noite passada. &lt;br /&gt;Ele fez de novo. Abusou e desta vez a prova o perseguira, estava bem ali, esperando na recepção. Sabia que isso aconteceria cedo ou tarde, e no ritmo em que andava, mais cedo do que tarde. Logo conheceria a fase terminal da ressaca, a amnésia alcoólica. Em sua memória, não havia rastro nem vulto da tal mulher que aguardava na sala de espera. Respirou fundo, pediu calma a ele mesmo e repetiu várias vezes que aquela não foi à primeira, mas, escapasse ileso, seria a última vez que faria aquilo. Um ataque de pudor, vergonha e arrependimento o fez prometer por todos os Deuses e Céus que jamais chegaria a tal ponto novamente. Nunca mais abandonaria seu corpo, sua alma, jurou, sem dedos cruzados, que não mais deixaria sua sorte nas mãos de dama tão traiçoeira quanto a noite. &lt;br /&gt;Aguiar pressiona a tecla do interfone:&lt;br /&gt;- Dona Lívia, descreva para mim essa senhora?&lt;br /&gt;- É... &lt;br /&gt;Lívia levou alguns segundos procurando um adjetivo adequado e disparou: &lt;br /&gt;- Exótica.&lt;br /&gt;- Como exótica? Tem um olho no meio da testa a desgraçada?&lt;br /&gt;- Bom, ela é morena, mais ou menos um metro e setenta e cinco, olhos claros, muito elegante, educada; finalmente parece que o senhor acertou.&lt;br /&gt;- Um minuto – pediu Aguiar.&lt;br /&gt;Secretária mais abusada, desde quando é da conta dela quando erro ou acerto, se me dou bem ou mal, mas depois eu cuido disso – pensou com ele.&lt;br /&gt;- Diga para ela entrar. &lt;br /&gt;Desta vez, o frio percorreu sua espinha em sentido contrário. Um arrepio de excitação é bem diferente de um calafrio de medo. Que bela surpresa aquela bebedeira teria lhe aprontado? Na dúvida, era melhor estar preparado. Ele correu para o banheiro, se arrumou, retocou o gel dos cabelos. Determinou estrategicamente a posição das duas cadeiras que ficavam logo à sua frente. Sentou-se, respirou fundo e soltou o ar. &lt;br /&gt;Já podia ouvir os passos de Dona Lívia. Ela conduzia a misteriosa mulher pelo corredor. Aguiar observava o exato momento em que, com a mão direita, abriria a maçaneta. Com a mão direita, pois a família Aguiar jamais confiou em canhotos.&lt;br /&gt;- Pode passar minha senhora.&lt;br /&gt;Aguiar pisca uma, duas, três vezes seguidas. Aquilo era uma visão. Como ele podia não lembrar? Em algum lugar de seu cérebro deveria estar registrado aquele acontecimento, aquela noite. Tudo transbordaria do subconsciente para o consciente assim que ela falasse. Era isso, ele precisava fazê-la falar. &lt;br /&gt;Aguiar jamais se esquecia de como soava uma voz, era um excelente imitador, tinha incrível sensibilidade para sons, na infância chegaram a dizer que seu ouvido era absoluto, como o dos músicos considerados virtuosos. Precisava perguntar algo, e rápido, para que ela respondesse e aquela doce voz rouca fizesse pipocar em sua memória lembranças da maravilhosa noite que o álcool tentara apagar de sua mente.&lt;br /&gt;- Como vai? Que bom ver você de novo!&lt;br /&gt;- Eu vou muito bem e se fosse você não estaria nenhum pouco feliz em me ver.&lt;br /&gt;Nada do que Aguiar havia previsto acontecera. Aquela voz grossa e profunda, não combinava com a figura clássica de mulher nascida em berço de ouro que ela exibia, muito menos com os longos e suavemente ondulados cabelos que lhe caíam pelos ombros.&lt;br /&gt;Calma agora - pensou com ele - eu estava bêbado, ela pensa que não lembro de nada, deve ter me socorrido, me deixado em casa e está jogando verde, é isso, como são previsíveis essas mulheres.&lt;br /&gt;- Dei muito trabalho ontem à noite?&lt;br /&gt;- Para mim não.&lt;br /&gt;Outro calafrio, mais uma vez ela o surpreendera. A resposta foi rápida, curta e grossa, exatamente o oposto do que Aguiar imaginara. Mas um homem experiente, quatrocentão paulistano com anos e anos de botecos, mulheres e noitadas, saberia se livrar dela em dois palitos. &lt;br /&gt;Aquilo certamente era um jogo no qual ela estava blefando. Era chegada a hora de ser duro, de demonstrar confiança:&lt;br /&gt;- Eu jamais daria trabalho a uma mulher como você. É só uma maneira de quebrar o gelo.&lt;br /&gt;- Deu muito trabalho à sua mulher, filhos, família, amigos e acima de tudo aos seus anjos da guarda, um batalhão deles. &lt;br /&gt;Aquilo foi como um sinal, um estalo, estava na cara, era uma piada, telegrama animado de um daqueles filhos da puta. Eu bebi, dei trabalho, os caras me deixaram em casa, me puseram para dormir e agora tão querendo me sacanear - pensou Aguiar - como são ingênuos esses babacas. &lt;br /&gt;Já demonstrando alguma irritação, esbravejou:&lt;br /&gt;- O que você quer? Quem te mandou aqui?&lt;br /&gt;- Deus.&lt;br /&gt;- Isso é uma piada.&lt;br /&gt;Aguiar já começava achar a situação perigosa. Louca, maníaca, foragida, um seqüestro, tanta coisa passou por sua cabeça até que resolveu colocar um fim naquele papo:&lt;br /&gt;- Afinal, quem diabos é você?&lt;br /&gt;- Sua morte.&lt;br /&gt;- Mas o que é isso? Que brincadeira de mau gosto é essa? &lt;br /&gt;Ele ameaçou chamar a segurança. Ela, fria e distante, o advertiu:&lt;br /&gt;- Não adianta. Infelizmente, de hoje você não passa.&lt;br /&gt;- Mas por quê? O que foi que eu fiz? &lt;br /&gt;- Você não se lembra de nada, nada? É mais sério do que eu imaginava.&lt;br /&gt;- Olha, vá embora! Retire-se neste instante ou eu chamo a segurança. &lt;br /&gt;- Ninguém pode te ouvir. É tarde demais.&lt;br /&gt;Só então, Aguiar se deu conta da gravidade da situação. Percebeu que podia ouvir a ambulância, ver a polícia, sua mulher, sua mãe, seu pai e seu corpo estendido no chão.&lt;br /&gt;Com a mesma voz grossa e fala pausada, ela encerrou de vez o assunto:&lt;br /&gt;- Se sua secretária dissesse que um ceifador esquelético, metido em um hábito de monge franciscano, empunhando uma foice maior do que ele queria lhe falar, você não o deixaria entrar, não é verdade? Agora vamos embora que tem gente te esperando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-115050438608340576?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115050438608340576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/115050438608340576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/06/se-contassem-nem-ele-acreditaria.html' title='Se contassem, nem ele acreditaria.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-114973174514065710</id><published>2006-06-07T18:07:00.003-07:00</published><updated>2009-01-15T03:41:15.376-08:00</updated><title type='text'>Isso que é rapidinha.</title><content type='html'>- Quer sair comigo?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Eu nem te conheço, rapaz.&lt;br /&gt;- Mais um motivo. Quer oportunidade melhor do que esta?&lt;br /&gt;- Xi, não estou entendendo.&lt;br /&gt;- Ah, é supersimples: a gente vai namorando enquanto se conhece e se conhecendo enquanto namora. Assim, ninguém cria expectativas nem alimenta esperanças, portanto, não se decepciona.&lt;br /&gt;- Você está de onda com a minha cara ou é maluco mesmo, heim?!&lt;br /&gt;- Só se for do tipo maluco por você.&lt;br /&gt;- Ai, que cara mais cafona.&lt;br /&gt;- No fundo, toda a mulher gosta…&lt;br /&gt;- E ainda por cima é machista.&lt;br /&gt;- No fundo, toda a mulher gosta…&lt;br /&gt;- Você sabe meu nome? Sabe com quem está falando?&lt;br /&gt;- Sei, com a mulher da minha vida.&lt;br /&gt;- Ui, essa doeu. Dá licença que eu tenho mais o que fazer.&lt;br /&gt;- Okay! E quando a gente se vê de novo?&lt;br /&gt;- No Dia de São Nunca.&lt;br /&gt;- E quando vai ser isso: mês, dia, hora, local?&lt;br /&gt;- Eu não acredito.&lt;br /&gt;- Em quê?&lt;br /&gt;- Em você!&lt;br /&gt;- Mas eu sou de verdade. Isso sempre acontece com as mulheres. Vocês vivem sonhando, pedindo, rezando, fazendo promessas ao Santo Casamenteiro por um fulano que seja assim e assado, bom de cama, mesa e banho. Aí, quando encontram o tal sujeito, ficam assim: tête-à-tête com ele, não acreditam.&lt;br /&gt;E, só para te avisar, em 90% dos casos, pelo menos dos que eu conheço, é assim que desperdiçam a sorte grande.&lt;br /&gt;- Você está insinuando, com esse papo furado, que é minha sorte grande?&lt;br /&gt;Olha o teu tamanho, vê se te enxerga, baixinho!&lt;br /&gt;- Aqui ó, sou acima da média e tamanho não é documento. Se tem uma coisa que eu odeio é essa mania; esses joguinhos de sedução. Quer saber? Para mim deu, encheu, fui... Tchau!&lt;br /&gt;- Espera aí, onde você pensa que vai?&lt;br /&gt;- Não te interessa, nem me conhece.&lt;br /&gt;- Como assim? Lógico que conheço! E você não pode sair desse jeito, sem mais nem menos.&lt;br /&gt;- Claro que posso.&lt;br /&gt;- E a que horas o senhor volta?&lt;br /&gt;- Nossa como você me sufoca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-114973174514065710?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/114973174514065710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/114973174514065710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/06/isso-que-rapidinha_114973174514065710.html' title='Isso que é rapidinha.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-114943911836118856</id><published>2006-06-04T09:17:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:54:23.184-08:00</updated><title type='text'>A mulher, o marido e a bola.</title><content type='html'>Ronaldo se chama assim por motivos óbvios. O nome foi presente de seu pai. Já a desvairada paixão por futebol era coisa de família. Ele nunca teve talento ou jeito para ser jogador. Só ia a campo quando era dono da bola e mesmo assim ficava no gol.  &lt;br /&gt;Quando entrou na adolescência conheceu sua segunda paixão, sim, porque a primeira era a bola. &lt;br /&gt;Ana Luiza, a menina mais bonita da escola, não era a mais cobiçada pelos meninos. Mas, para ele, era a mais bela. &lt;br /&gt;Já Ronaldo era um sujeito comum. A falta de intimidade com a bola o diferenciava dos outros. Sendo assim, devotava à Ana Luiza toda a atenção que os outros meninos dedicavam a rua, ao campinho de terra e aos jogos disputados entre times escolhidos no par ou ímpar. &lt;br /&gt;Ele então conheceu outro tipo de pelada. Nessa brincadeira, não se sentia nem um pouco rejeitado, muito pelo contrário. Os anos passaram, eles se casaram, tiveram filhos que cresceram e reavivaram em Ronaldo sua primeira paixão, a bola. Era um tal de levar os meninos à escola de futebol, da escolinha para o estádio e do estádio para frente da televisão. Afinal, os meninos tinham que assistir às mesas redondas para depois não falar bobagem.&lt;br /&gt;Tentou, pelejou, mas não teve jeito, Ana Luiza não conseguiu pegar gosto pelo esporte. Procurou algo que preenchesse o vazio deixado pelos filhos que lhe roubaram o marido, e pelo marido que lhe tomara os filhos. &lt;br /&gt;A coisa não era bem assim, mas assim ela sentia. Foi parar na cozinha. Passava horas, dias, semanas cozinhando e provando do próprio manjar.  &lt;br /&gt;Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, os três enlouqueceram. Meses antes da Seleção ser convocada, eles começaram a preparação. Bandeiras, fitinhas em verde e amarelo, matracas, cornetas, bonés, camisetas e claro, bolões, vários, com as cores da Canarinho, voavam pela casa. &lt;br /&gt;Aninha resolveu participar, se animou, fazia pratos que combinavam tons de verde e amarelo. Risoto de açafrão com suflê de legumes, arroz verde com frango e purê de mandioquinha, sorvete de pistache com calda de caramelo bem clarinha e, foi nesse dia, na hora da sobremesa, que ela se deu conta de que ninguém havia notado. Indignada, ali mesmo discursou. Discorreu sobre as dificuldades e a solitude de ser mulher, mãe, cozinheira, arrumadeira, dona de casa. Nem bem terminou de falar, o marido emendou: e bola. &lt;br /&gt;Realmente Ana Luiza engordara um pouco. Ela sempre fora saborosa, cheinha, mas de tanto cozinhar tinha acumulado gordura nos lugares errados.&lt;br /&gt;Enfurecida, se armou da calma que só as mulheres conseguem ter numa hora como essa, respirou, perguntou e respondeu, tudo de primeira.&lt;br /&gt;Sabe quando eu vou emagrecer? Quando você voltar a jogar 90 minutos, disputar a prorrogação e ainda pedir para bater o último pênalti. &lt;br /&gt;Ele engasgou, tossiu, o mais velho gargalhou e o mais novo enrubesceu. &lt;br /&gt;Era ela ou ela. Naquela mesma noite, Ronaldo decidiu abandonar de vez a bola e ficar com a mulher. &lt;br /&gt;Os filhos passaram a ir ao futebol acompanhados por um dos tios ou por outro parente mais velho.  &lt;br /&gt;Ana Luiza recuperou rapidamente a forma física e Ronaldo está jogando pelada como nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-114943911836118856?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/114943911836118856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/114943911836118856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/06/mulher-o-marido-e-bola.html' title='A mulher, o marido e a bola.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29134042.post-114920922092106035</id><published>2006-06-01T16:48:00.000-07:00</published><updated>2007-12-26T07:59:20.472-08:00</updated><title type='text'>A Chatice e o Existencialismo Barato.</title><content type='html'>Viver é muito chato. Já pensou em quanto tempo se perde com isso?&lt;br /&gt;Tem gente que perde a vida inteira. E se você puser um “e ser feliz” aí na frente a coisa se complica ainda mais.&lt;br /&gt;Eu que sempre fui uma negação em matemática, que sempre achei enfadonho resolver problemas, não gosto de viver.  Acho extremamente trabalhoso e sem graça. &lt;br /&gt;Poderia estar fazendo algo muito mais divertido e interessante como, por exemplo, estudando, trabalhando, escrevendo, indo a algum museu ou a um bom restaurante. Viajando pelo mundo, conhecendo uma praia virgem, uma ilha deserta, um país longínquo, berço de alguma cultura exótica. Poderia estar jogando conversa fora, olha, tanta coisa eu poderia estar fazendo em vez de ficar preocupado em viver e ser feliz. &lt;br /&gt;Poderia ter casado várias vezes, ter filhos, famílias dilaceradas pelos quatro cantos do mundo. Até ser um cara normal é mais bacana. Passear com o cachorro, ter dívidas, hora marcada no dentista, sogra chata e todas as obviedades que você aí consiga imaginar. &lt;br /&gt;Tomar uma carraspana. Até uma vulgaridade destas tem seus encantos perto do porre que é viver; se paro e penso por mais alguns minutos, evidências me levam a concluir que viver é coisa para aqueles de caráter precário. Exige habilidade política e poder de dissimulação. É algo que se deve fazer às escondidas, à sorrelfa, por debaixo dos panos, sem que ninguém saiba, sem que ninguém perceba. Trata-se de um pecado capital e inconfessável. E se tentar ser feliz então, está automaticamente excomungado, com passaporte carimbado e passagem só de ida para o inferno. &lt;br /&gt;Eu, que sou de família católica e fui educado em colégio marista, não me permito tamanho desfrute. &lt;br /&gt;Agora, àqueles de espírito livre e mente arejada vai aqui o conselho de um franco observador da vivência alheia. &lt;br /&gt;Tentar viver e ser feliz não leva a nada, a não ser à morte precoce. Nem a lugar nenhum, a não ser que haja um bom espaço no túmulo da família, outra chatice que está lá, esperando por você. &lt;br /&gt;O que resta é diversão. Divirtam-se por muitos e muitos anos. Saiam, dancem e gozem sempre que for possível. Riam sempre antes e mais do que os outros, porque esse papo de que quem ri por último, ri melhor é coisa de quem ainda espera um dia ser feliz da vida. &lt;br /&gt;Reservem tempo livre. Conheçam mais praias, montanhas, lagos, rios e, mais importante do que tudo isso, afastem-se de pessoas que aberta e honestamente estejam tentando viver felizes para sempre. &lt;br /&gt;Vai que isso pega. Deus os livre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29134042-114920922092106035?l=blogdolulu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/114920922092106035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29134042/posts/default/114920922092106035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdolulu.blogspot.com/2006/06/chatice-e-o-existencialismo-barato.html' title='A Chatice e o Existencialismo Barato.'/><author><name>Rubens Guarnieri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17020106698086784148</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_krEjHmYFPGY/SFmgZuJdPmI/AAAAAAAAAAU/xLE1_ReEkJ0/S220/15-11-06_1328.jpg'/></author></entry></feed>
